Calor e chuvas intensificam a proliferação dos animais e elevam o risco de acidentes; crianças são o grupo mais vulnerável
Os acidentes com escorpiões seguem em crescimento em Campo Grande e já refletem no aumento da procura por serviços especializados. Nos primeiros dias do ano, empresas de dedetização e controle de pragas registraram alta de até 50% na demanda, impulsionada pelo calor intenso e pelas chuvas frequentes, características do verão, que favorecem a proliferação e o deslocamento desses animais em áreas urbanas.
Segundo empresários do setor, a procura voltou a subir após um fim de 2025 considerado mais tranquilo. “Nos últimos três meses do ano passado o movimento foi menor, mas em janeiro a demanda cresceu cerca de 50%. São muitos casos”, afirma Junior Augusto, proprietário da Ativa Dedetizadora MS.
De acordo com Junior, os atendimentos dobraram em relação a meses anteriores e envolvem moradores de praticamente todas as regiões da Capital. Entre os bairros com maior número de solicitações estão Centro, Vila Carvalho, Nova Bahia, Vila Planalto, São Francisco, Morada Verde, Aero Rancho, Jardim Jóquei Club e Vila Taquarussu. “Hoje a procura vem de toda a cidade, é difícil apontar regiões específicas”, ressalta.

Foto: arquivo pessoal
Produtos domésticos ajudam, mas não substituem dedetização
Sobre o uso de produtos domésticos, o empresário explica que existem opções disponíveis no mercado que auxiliam no controle, mas não resolvem o problema sozinhas. “São produtos mais fracos. Eles ajudam, mas o mais indicado é o serviço de dedetização feito por empresas especializadas, que utilizam produtos específicos para esse tipo de praga”, afirma.
Entre os itens citados por especialistas estão inseticidas profissionais como a linha Syngenta, Kelldrin SC25, armadilhas como a Colly Scorpion Trap e o inseticida Scorpmax, utilizados principalmente em aplicações técnicas.
Levantamento realizado pelo jornal O Estado junto às empresas do setor aponta que o valor do serviço varia conforme o tamanho do imóvel. Em casas de pequeno porte, o custo médio é de R$ 280. Para imóveis médios e grandes, os preços variam entre R$ 380 e R$ 500.
Escorpiões em toda a cidade
Com 40 anos de experiência no setor, Jorge Henrique, proprietário da DDTIRO Saúde Ambiental, também confirma o aumento expressivo da procura. “Janeiro já registra uma alta de 50% na demanda por dedetização contra escorpiões. Temos, em média, pelo menos uma ocorrência por dia”, afirma.
Segundo ele, fatores como chuva, umidade e calor criam o ambiente ideal para a proliferação. “Há cerca de oito anos era raro esse tipo de problema. Antes, havia bairros isolados. Hoje, os escorpiões estão espalhados por toda a cidade”, explica.
Jorge ressalta que o controle é mais complexo do que o de outros insetos. “A dedetização não garante 100% de eficiência. No caso do escorpião, é preciso um conjunto de medidas preventivas, como vedar ralos, eliminar entulhos e manter o ambiente limpo. A dedetização é apenas uma das ações”, pontua.
A maioria das ocorrências envolve casas e apartamentos térreos, já que os escorpiões estão ligados à rede de esgoto, onde encontram alimento, principalmente baratas.

Foto: arquivo pessoal
Crianças são as mais vulneráveis
De acordo com o biólogo Hugo Rodrigo Barbosa da Silva, crianças constituem o grupo mais suscetível aos quadros graves de envenenamento. “O calor e as chuvas favorecem a proliferação dos insetos, que são alimento dos escorpiões. Além disso, muitas espécies se reproduzem sem necessidade de macho, o que acelera o crescimento da população”, explica.
Com o aumento do número de escorpiões, cresce também o contato com seres humanos e, consequentemente, os acidentes. “Ambientes urbanos oferecem abrigo e alimento, criando condições ideais para a proliferação”, acrescenta.
Quais espécies oferecem maior risco?
O Brasil possui uma das faunas de escorpiões mais diversas do mundo. Embora todos sejam peçonhentos, apenas algumas espécies representam risco significativo à saúde humana. De acordo com o biólogo Hugo da Silva, em Mato Grosso do Sul, destacam-se o Tityus serrulatus (escorpião-amarelo) e o Tityus confluens, principais responsáveis pelos acidentes no Estado devido à ampla distribuição e ao maior contato com a população.
Em Campo Grande, há alta incidência do escorpião-amarelo (Tityus serrulatus). A gravidade do quadro depende do tamanho do animal, do local da picada e dos sintomas apresentados, que podem variar de dor intensa a manifestações sistêmicas graves, principalmente em crianças.
Casos aumentam em MS
Dados da Vigilância em Saúde Ambiental e Toxicológica apontam que, de janeiro a novembro de 2025, Mato Grosso do Sul registrou 5.551 casos de acidentes com escorpiões, um aumento de 14% em relação a todo o ano de 2024, quando foram contabilizadas 4.838 ocorrências.
Em Campo Grande, conforme a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), em 2025 foram registradas 2.039 notificações, sendo 1.982 casos leves, 52 moderados e cinco sem classificação.
Todos os atendimentos relacionados a picadas de escorpiões são classificados como prioridade nas unidades de urgência e emergência. Os casos graves são encaminhados ao HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul), referência estadual para avaliação e uso do soro antiescorpiônico.
Como prevenir e o que fazer em caso de picada
Para evitar acidentes, especialistas recomendam manter quintais e residências limpos, sem entulhos, vedar frestas, usar telas em ralos e janelas, afastar móveis das paredes e sempre sacudir roupas e calçados antes de usá-los.
Em caso de picada, a orientação é lavar o local com água e sabão, aplicar compressa morna para aliviar a dor e procurar atendimento médico imediatamente, mesmo que os sintomas pareçam leves.
Por Geane Beserra e Suelen Morales
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