Mulheres alegam ter sido vítimas de crimes sexuais na UPA Santa Mônica

Foto: reprodução
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O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) recebeu, no começo de janeiro, uma denúncia realizada por mulheres que alegam terem sido vítimas de dois crimes sexuais enquanto aguardavam e passavam por consulta no UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Santa Mônica II. De acordo com o relato, as pacientes teriam sido importunadas sexualmente por um homem identificado apenas como Daniel e pelo médico que estava de plantão no local.

De acordo com o relatado na denúncia, os casos aconteceram entre o dia 7 e 8 de janeiro de 2026, quando Daniel aproximou-se delas na sala de espera do local e começou a se masturbar próximo delas. As mulheres — que terão suas identidades preservadas — afirmam que o acusado estava visivelmente alterado e não conseguiram ajuda, pois o vigia do local estava dormindo em outro cômodo e só despertou quando uma delas começou a discutir com o homem, que fugiu logo depois.

Ainda conforme o relatado no documento encaminhado ao órgão ministerial, Daniel deixou o ambiente sem que nenhuma providência tenha sido tomada por parte do segurança, que não o impediu de fugir, deixando de registrar qualquer tipo de queixa das mulheres ou acionar a polícia.

Segundo as denunciantes, elas foram vítimas de crime de ato obsceno, no entanto, ainda tiveram que passar por mais um constrangimento. Durante a consulta, o médico, identificado como Danilo Narcizo, teria as assediado com falas sexuais, além da relativização do crime que acontecera mais cedo, já que o médico teria dito que “até dá pra entender ele [Daniel] ter feito isso, bonita como você é”.

O advogado que representa as vítimas aponta que há indícios de que o profissional sabia da ilegalidade das suas falas, já que, entre uma fala e outra, teria tido que “poderia ser pego por assédio” e, assim, pede que CRM/MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul) seja notificado para que tome ciência dos fatos.

Em relação ao vigilante, o advogado diz que ele pode responder por omissão funcional, já que estava dormindo em horário de trabalho e se absteve de registrar qualquer denúncia ou tomar qualquer providência.

Diante do relato, entre as decisões do caso, o promotor de Justiça, Marcus Vinícius Tieppo Rodrigues, solicitou o encaminhamento de cópia do inquérito ao para que órgão instaure um procedimento administrativo para apurar a conduta do médico.

O promotor ainda solicitou a instauração de Notícia de Fato para a apuração dos fatos narrados na denúncia.

“Considerando que os fatos narrados configuram, em tese, crimes contra a dignidade sexual, remete-se cópia integral dos autos à Supervisão das Promotorias de Justiça Criminais, a fim de seja instaurado Inquérito Policial”, concluiu.

A reportagem do O Estado entrou em contato com o MPMS, bem como com a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande), responsável pela administração da UPA, mas até o fechamento desta edição, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

Por Suelen Morales e Ana Clara Julião

 

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