Tida como estratégica para o escoamento no Estado, Agesul garante que rodovia recebe manutenções periódicas
A rodovia estadual MS-040, que liga Campo Grande a Santa Rita do Pardo e é considerada estratégica para o escoamento da produção e o deslocamento da população, tem gerado preocupação entre os usuários. Buracos ao longo da pista, asfalto danificado, falta de sinalização, ausência de acostamento e o tráfego intenso de carretas têm transformado a via em um risco constante para quem utiliza o trecho diariamente.
A estrada recebe há anos um grande fluxo de veículos, incluindo caminhões de carga, produtores rurais e moradores das comunidades próximas. Inaugurada há cerca de 12 anos, a MS-040 surgiu como alternativa para encurtar distâncias, desafogar rodovias federais como a BR-163 e acabar com o isolamento de vilas, distritos e regiões rurais que antes não tinham acesso pavimentado.
Segundo relatos de motoristas, os buracos ao longo da pista obrigam os condutores a reduzir bruscamente a velocidade ou realizar desvios repentinos, aumentando o risco de acidentes, principalmente à noite e em períodos de chuva. Veículos têm sofrido danos mecânicos, e caminhoneiros apontam dificuldades no transporte de cargas.
Ao O Estado, a empresária Vanessa Souza, de 45 anos, proprietária de um restaurante às margens da rodovia, afirmou que os problemas são constantes e “Aqui na MS-040 a estrada é bem movimentada e tem bastante buraco. As pessoas reclamam muito e têm ocorrido vários acidentes por causa disso. De vez em quando aparecem para arrumar, mas basta a primeira chuva para os buracos voltarem. É muito movimento de carretas e viajantes, e não tem acostamento direito”, relatou.
Segundo Vanessa, o fluxo de veículos aumenta ainda mais neste período do ano. “Agora em janeiro o movimento cresce bastante, com muita gente viajando. Eles reclamam muito dos buracos. Arrumam, arrumam, mas não dura. Na entrada da cidade também tem muitos buracos, ali perto da BR-163”.
Quem também utiliza a MS-040 com frequência são os caminhoneiros. Luiz Fernando, de 41 anos, natural de Marília (SP), passa pelo trecho semanalmente e classifica a situação como crítica. “A rodovia está péssima e tem causado muitos acidentes. Não tem acostamento, não tem ponto de apoio. No caminho, só existe uma borracharia lá pelo km 170. É muito buraco, muita trepidação, disse”.
Segundo ele, situações de risco são recorrentes. “Toda hora a gente presencia acidente ou passa por susto. Muitas vezes preciso segurar o caminhão para não causar outro acidente, porque carros pequenos vêm de encontro e não respeitam. A situação é precária”.
Para o caminhoneiro, são necessárias intervenções mais estruturais. “O ideal seria um recapeamento de verdade e um ponto de apoio no meio do trajeto. Até pedágio seria válido, desde que cuidem da estrada”.
Outro relato é do caminhoneiro César Augusto, de 25 anos, também de Marília (SP). “Toda semana a gente passa pela MS-040 e a situação é precária. Tem buraco para todo lado, não tem acostamento e não existe ponto de apoio para quem precisa de socorro. É uma melhoria urgente”, afirmou.
Ele disse que o risco é permanente. “Já presenciei acidente e já passei por sustos. Toda semana a gente corre risco, principalmente por causa dos buracos”.
Medo entre moradores e risco para estudantes
Moradora da zona rural, a costureira Adriana Pereira, de 47 anos, vive há 15 anos em uma fazenda no km 95, no sentido de Santa Rita do Pardo, e precisa passar pela MS-040 todos os meses para fazer compras em Campo Grande. “O trânsito é horrível. É muito movimento, buraco em cima de buraco. A situação é feia”, relatou.
Segundo Adriana, a falta de acostamento e o tráfego de caminhões tornam o percurso ainda mais perigoso. “Tem hora que você precisa sair da pista e frear para o caminhão passar. Às vezes é preciso até invadir a contramão. Não tem para onde correr. Não tenho coragem de passar à noite”.
Moradores também demonstram preocupação com a segurança dos estudantes da Escola Municipal Agrícola Arnaldo Estevão de Figueiredo, localizada às margens da MS-040. De acordo com relatos, não há pontos adequados para embarque e desembarque dos alunos que moram em fazendas próximas, obrigando os ônibus escolares a parar à beira da pista, em meio ao tráfego de carretas.
A vendedora Keyla Cristina, de 46 anos, que trabalha em uma loja agropecuária às margens da rodovia, afirma que a situação é preocupante. “Passa muito ônibus escolar por aqui e não tem lugar adequado para pegar as crianças. Alguns pais limpam um pedaço do mato para o ônibus entrar, mas muitos pontos não têm como parar porque não existe acostamento”, disse.
Segundo ela, até o acesso à escola é precário. “O asfalto para entrar na escola está pior do que estrada de chão. Precisam melhorar. Aqui a gente se sente esquecido. Caminhões passam em alta velocidade, fazem racha. A gente fica preocupado com os ônibus e com as crianças”.
Segundo a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) a MS-040 recebe manutenção constante para garantir a trafegabilidade e a segurança dos usuários, especialmente devido ao tráfego intenso e às variações climáticas que impactam o pavimento. Segundo o órgão, equipes técnicas realizam intervenções periódicas de conservação ao longo do trecho, dentro do padrão adotado pelo Governo do Estado.
O governo estadual reafirmou o compromisso com a manutenção das rodovias e com o planejamento responsável de investimentos voltados à segurança e ao desenvolvimento econômico.
MS-040 na Rota da Celulose
A MS-040 integra o projeto estratégico da Rota da Celulose, que prevê investimentos bilionários da iniciativa privada para qualificar a logística da região. Segundo a Agesul, as melhorias estruturais da rodovia estão vinculadas às etapas de implantação e ao início da operação do empreendimento, previsto para o primeiro trimestre de 2026, quando devem ser executadas as adequações planejadas para atender à nova demanda logística.
Os 227,2 quilômetros da MS-040 entre Campo Grande e Santa Rita do Pardo fazem parte do projeto de concessão da Rota da Celulose, que também engloba as rodovias MS-338, MS-395, BR-262 (Campo Grande–Três Lagoas) e BR-267 (Nova Alvorada do Sul–Bataguassu).
Agentes da PRF improvisam reparo na BR-376
Cansados de ver os estragos causados pelos buracos na BR-376, entre Nova Andradina e Ivinhema, policiais da PRF (Polícia Rodoviária Federal) decidiram, na tarde da segunda-feira (5), colocar a mão na massa e tampar de forma improvisada com carriola e enxada.
Apesar de ser uma rodovia estadual, diferente da MS-040, o trabalho dos agentes mostrou que os riscos para quem percorre as estradas de Mato Grosso do Sul são constantes. A corporação confirmou que notificou o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) para que adote as providências necessárias.
Por Geane Beserra