Com 7 cidades acima do volume previsto, meteorologia indica que a chuva deve persistir até a próxima semana
O Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) emitiu na tarde de ontem (4), um alerta de emergência devido à elevação crítica dos rios Aquidauana e Taquari, que colocam em risco os municípios de Aquidauana, Coxim e Corguinho. O monitoramento contínuo indica que os rios estão próximos ou já atingiram cotas de inundação, com potencial para provocar danos materiais graves e ameaçar a integridade das populações ribeirinhas.
Segundo o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS), nas últimas 96 horas, alguns municípios de Mato Grosso do Sul registraram volumes de chuva acima da média histórica prevista para o período. É o caso de Corguinho (Fazenda Morro Alegre), que acumulou 390,2 mm, superando a média em 102%, São Gabriel do Oeste, com 371,4 mm (117% acima do esperado), Corguinho, com 310,8 mm (61% acima da média), além de Campo Grande, que ficou levemente acima do previsto, com 184 mm (5%).
Também apresentaram chuva superior à média Aquidauana (Faz. Barranco Alto – Nhecolândia), com 175,2 mm (11%), Miranda, com 160,8 mm (20%), e Porto Murtinho, que registrou 149,2 mm, volume 18% acima da média histórica.

Córrego João Dias, em Aquidauana – Foto: João Guilherme Coutinho
Em Aquidauana, o rio de mesmo nome registra níveis próximos à cota de emergência de 730, com medições recentes apontando 706, elevando o risco de transbordamento em áreas urbanas e rurais.
“As famílias orientadas a realizar mudança ou deslocamento preventivo devem sair o quanto antes, não esperando a água entrar na casa, priorizando a segurança”, reforçou o coordenador da Defesa Civil de Aquidauana, Cláudio Alviço.
A Defesa Civil do município orientou a população para que não espere a água chegar. No momento do deslocamento, é recomendado levar documentos pessoais, medicamentos de uso contínuo, além de desligar equipamentos elétricos, a energia da residência e o gás, como medida preventiva.
Até a manhã de hoje (04), três famílias já foram auxiliadas na realização de mudança preventiva. Ambas optaram por se deslocar para casas de parentes, não havendo, até agora, necessidade de encaminhamento ao abrigo.
A Prefeitura de Aquidauana organizou um abrigo no Salão Paroquial da Igreja Imaculada Conceição. Estão também dando apoio à prefeitura nos atendimentos, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar e o 9º BE Cmb – Carlos Camisão.
“Estamos monitorando os níveis em tempo real e acompanhando a evolução das chuvas. Nosso objetivo é alertar a população e os órgãos de defesa civil para minimizar impactos e proteger vidas”, destacou Leonardo Sampaio, gerente de Recursos Hídricos do Imasul.
Em Coxim, o Rio Taquari alcançou a cota de emergência de 501, e já há sinais de invasão das águas em áreas lindeiras. Já em Corguinho, as precipitações intensas provocaram o transbordamento do Rio Taboco, alagamentos de residências, destruição de pontes e sérios danos às estradas rurais e à Rodovia MS-352, especialmente nas proximidades da Fazenda Santo Onofre, onde a ponte foi totalmente perdida. Há registro de, pelo menos, duas famílias desalojadas no Distrito do Taboco e de pessoas isoladas na Comunidade Boa Sorte, além de diversas casas invadidas pelas águas.
A situação levou a prefeitura local a decretar estado de emergência e a Defesa Civil trabalha para contabilizar prejuízos, orientar moradores e sinalizar áreas de risco.
Defesa Civil recebe 195 notificações
Campo Grande também continua com pontos críticos para alagamentos, transbordamento de córregos e quedas de árvores. Em entrevista ao Jornal O Estado, o coordenador municipal da Defesa Civil, Enéas Netto, informou que, desde o dia 1º de janeiro até a manhã de ontem, o órgão recebeu 195 notificações, sendo que 95 foram solicitações executadas, como desobstrução de vias, queda de árvores sobre calçadas, balizamento de trânsito, bem como apoio em áreas de alagamento.
“Desses 195, muitos foram pessoas entrando em contato para pedir orientações, porque emitimos os alertas e as pessoas querem saber se é seguro sair de casa, se elas conseguem chegar ao trabalho. A população está conseguindo compreender a necessidade e a importância de respeitar os alertas que emitimos”.
Por outro lado, Enéas ressalta que motoristas e motociclistas também precisam respeitar os alertas e não enfrentar enxurradas, uma vez que a força da água representa um grande risco para a integridade física do condutor e de quem estiver de carona.
“Pedimos que as pessoas não enfrentem enxurradas, porque não temos como prever a força da água e pode acontecer do veículo ser arrastado. Todo e qualquer cidadão deve respeitar os pontos de alagamentos e os alertas que nós emitimos”, destacou o coordenador, que ressalta, também, a importância de contactar a Defesa Civil em caso de acontecimentos anormais durante tempestades pelo 199.
Ainda ontem (4), a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, esteve em reunião na Defesa Civil para acompanhar o monitoramento e as ações que estão sendo desenvolvidas pelo órgão para mitigar os estragos causados pela intensa chuva e publicou um recado em suas redes sociais.
“Queremos deixar um recado para todos que residem em Campo Grande; estamos com a equipe técnica de acompanhamento e monitoramento, mas a gente pede o cuidado para quem está transitando por Campo Grande, porque pode ter acontecido o solapamento da via, então, onde não tiver visibilidade, não passe, aguarde a água abaixar, porque as equipes estão à postos, mas pedimos cuidado, porque precisamos da parceria e da compreensão de todos os campo-grandenses”, disse a mandatária, em vídeo.
Queda de árvores expõe risco elétrico
Na manhã de ontem (4), uma dessas ocorrências aconteceu no Jardim Tijuca, quando uma árvore caiu sobre o muro de uma casa localizada na Rua Nhambiquara com Avenida Dinamarca. A queda também danificou o poste de energia, deixando a vizinhança sem eletricidade em toda a região.
Com a chegada de tempestades e chuvas intensas, a Energisa alerta que é importante adotar medidas de segurança. Antes da tempestade, desligue aparelhos elétricos e feche bem portas e janelas. Durante o vendaval, permaneça em cômodos internos, longe de janelas, e evite usar chuveiro elétrico, telefones fixos ou objetos ligados à rede elétrica. Quem estiver na rua deve buscar abrigo seguro, jamais sob árvores ou placas metálicas, e dentro de veículos deve manter os vidros fechados até o fim da tempestade.
Fios e cabos elétricos rompidos representam risco extremo. Afaste-se pelo menos 20 metros e não toque em postes, cercas, árvores ou objetos encostados nos cabos. Se um fio atingir o carro, permaneça dentro até a chegada de socorro. Caso o veículo pegue fogo, saia com os dois pés juntos e caminhe sem separá-los. Nunca tente remover galhos ou realizar reparos sem a ajuda de profissionais qualificados.
Em alagamentos, não toque em equipamentos elétricos molhados e desligue o disjuntor geral caso a água suba. Fios próximos à água podem estar energizados, tornando qualquer aproximação perigosa. Em emergências, entre em contato com a Energisa pelo WhatsApp (67) 99980-0698, pelo aplicativo Energisa On ou pela Central de Atendimento 0800 722 7272, para que técnicos capacitados realizem o atendimento com segurança.
Chuvas sem trégua
Com chuvas acima da média do esperado para fevereiro, Mato Grosso do Sul deve enfrentar dias chuvosos até o começo da semana que vem, é o que aponta o meteorologista Danilo Siden do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). Segundo as previsões do órgão, as precipitações serão menos intensas e atingirão especialmente a região leste de MS, mas ainda podem ter acumulados acima de 100 mm.
“A chuva deve continuar nos próximos dias, especialmente mais ao leste do Estado, na divisa com Goiás, mas o alerta para tempestade continua para todo o Estado”, informou Danilo.
Por Ana Clara Julião
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