Guns N’ Roses: Especialista diz que fracasso da mobilidade em show era esperado

Devido ao congestionamento, alguns fãs desceram dos veículos e foram a pé até o local do evento - Foto: Amanda Ferreira/arquivo pessoal
Devido ao congestionamento, alguns fãs desceram dos veículos e foram a pé até o local do evento - Foto: Amanda Ferreira/arquivo pessoal

Na quinta-feira (9), Campo Grande recebeu um dos maiores eventos de sua história: a lendária banda de rock norte-americana Guns N’ Roses. Mas o que parecia ser a porta de entrada para outros eventos internacionais na Capital, se tornou uma fonte de reclamações nas redes sociais. Isso por conta das filas quilométricas de veículos para acessar o local do espetáculo, no Autódromo Orlando Moura, na BR-262, que acabou fazendo com que alguns fãs não conseguissem chegar a tempo.

Com o alto número de opiniões do público, que, em parte, alega despreparo da organização e negligência do poder público, o especialista em mobilidade Fayez Rizk afirma que o evento deixa uma série de aprendizados. “Com o evidente fracasso do acesso e retorno das pessoas ao show do Guns N’ Roses ficam algumas lições. A primeira e principal: mobilidade urbana não é só trânsito, ou dito de maneira diferente, trânsito não se confunde com mobilidade urbana, é apenas um componente”. De acordo com os relatos dos fãs, alguns chegaram no evento após seis horas de estrada, e acabaram amanhecendo na via até conseguir retornar para casa.

O especialista explica que um dos componentes desprezados foi a operação de tráfego. “Infelizmente os órgãos de trânsito tem, a meu conhecimento, uma dedicação errônea à fiscalização de trânsito, incluindo-se o conceito equivocado de que essa fiscalização seja feita com aparato e treinamento policial”.

Foi exatamente esse motivo que culminou no desespero de tantas pessoas. “Especificamente sobre essa pedra cantada que foi o fracasso da mobilidade urbana no show do Guns N’ Roses: era evidente que o deslocamento do público previsto não seria feito de forma adequada”, afirma.

Fayez diz que a situação é uma questão de matemática básica. “Vamos fazer um exercício: 30 mil pessoas, se todas fossem deslocadas em veículos leves, com cinco pessoas por veículo, seriam necessários 6 mil veículos. Ora, em uma rodovia de pista simples teríamos aproximadamente 36 km de fila de veículos andando todos a 40 km /h, o que é simplesmente impossível”.

Embora a crítica, ele acredita que há solução. “Com bom planejamento da logística e estrutura necessária, embora esse fracasso deva reduzir, e muito, a confiança do público, especialmente do novo público que foi atraído para esse espetáculo, vindo do interior do Brasil e do Paraguai e Bolívia, que trouxe certamente benefícios econômicos para a cidade e o Estado”. E, portanto, fica o lembrete de que mobilidade urbana precisa ser revista, planejada e readequada de acordo com a estrutura do local de estudo.

 

Por Maria Gabriela Arcanjo

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