Prefeitura identificou mais de 400 pontos críticos em 2025; reincidência dificulta prevenção de alagamentos
Mesmo após a limpeza de mais de 400 pontos de descarte irregular ao longo de 2025, o acúmulo de lixo segue como um problema recorrente em Campo Grande. Em diversos bairros, áreas que receberam equipes de limpeza voltaram a ser usadas como depósitos irregulares de resíduos, comprometendo a drenagem urbana e aumentando o risco de alagamentos.
Restos de obras, galhos, móveis velhos, eletrodomésticos, pneus, garrafas PET, latas e plásticos estão entre os materiais mais encontrados. O descarte irregular obstrui bocas de lobo, dificulta o escoamento da água da chuva e contribui para alagamentos durante temporais, além de favorecer a presença de escorpiões e outros animais peçonhentos.
No Jardim das Hortênsias, na Rua Gérbera, a limpeza foi realizada quatro vezes apenas no ano passado. A aposentada Rosângela Borges de Paula, moradora da região, afirma que o problema retorna pouco tempo depois da retirada dos resíduos. “As equipes da Prefeitura vêm, fazem a limpeza e deixam tudo organizado. O problema é que, pouco tempo depois, as pessoas voltam a jogar lixo. A gente vê que o serviço é feito, mas precisa da colaboração de todo mundo”, relata.

Dados da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos indicam que mais de 25 mil bocas de lobo passaram por manutenção em 2025, mas registros de alagamentos pontuais continuam sendo feitos em diferentes regiões da cidade. O cenário expõe um problema recorrente: resíduos descartados nas ruas acabam sendo levados pela enxurrada e bloqueiam a rede de drenagem.
Segundo o secretário municipal de Infraestrutura, Marcelo Miglioli, materiais jogados nas vias são frequentemente encontrados durante períodos de chuva. “Infelizmente, é muito comum vermos na enxurrada restos de móveis, galhos e plásticos que foram jogados na rua. Esse material desce com a água e trava o sistema. O que pedimos é consciência: a Prefeitura limpa, mas o cidadão não pode sujar. Se cada um fizer sua parte, a água flui e a cidade não sofre com as chuvas”, afirmou.
No Lago do Amor, um dos principais pontos de lazer da cidade, o lixo acumulado nos vertedouros exige monitoramento constante. Mesmo com limpeza semanal das comportas, moradores e frequentadores relatam a presença recorrente de resíduos boiando ou presos à vegetação, o que pode provocar transbordamentos em períodos de chuva.
Para o professor de Biologia Fábio Kochanovski, de 43 anos, o impacto do descarte irregular é coletivo. “Às vezes a pessoa pensa que uma casca de bala, um pedaço de galho ou uma garrafinha não fazem diferença, que é algo inofensivo. Mas isso acumula. Quando a chuva vem e o problema aparece, não dá para colocar na conta de uma pessoa só ou apenas do poder público; todo mundo tem responsabilidade. O que você joga na calçada hoje, vira o alagamento de amanhã”, diz.

No ano passado, a Patrulha Ambiental da Guarda Civil Metropolitana aplicou mais de R$ 765 mil em multas por descarte irregular, com 119 autos de infração registrados. O descarte ilegal é classificado como crime ambiental, com multas que podem ultrapassar R$ 13 mil em casos de reincidência.
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