Suor, umidade, roupas molhadas e mudanças na rotina do fim de ano criam ambiente favorável para fungos e bactérias. Especialista explica riscos, cuidados e prevenção
Com a chegada do verão, o aumento das temperaturas, as férias escolares e a mudança na rotina típica do fim de ano, cresce também a atenção com a saúde íntima e urinária. Mais tempo ao ar livre, viagens, uso frequente de piscina, rio e cachoeira, além do calor intenso e do suor, criam condições que favorecem a proliferação de fungos e bactérias na região genital.
O urologista Henrique Coelho, referência em saúde do homem em Mato Grosso do Sul, explica que o calor somado à umidade constante e ao abafamento das roupas forma um ambiente propício para infecções.
“No calor, a umidade constante e o abafamento formam uma combinação perfeita para irritações, alergias e infecções. É um período em que todo cuidado extra faz diferença”, alerta o especialista.
Essas condições favorecem infecções tanto em homens quanto em mulheres. Nas mulheres, há aumento da candidíase, causada pelo fungo Candida. Nos homens, é comum o aparecimento da Tinea cruris, fungo responsável por provocar coceira intensa e vermelhidão na região da virilha.
Segundo o médico, embora seja menos frequente, o pênis também pode apresentar irritações causadas pela umidade excessiva, especialmente em homens que não passaram pela retirada do prepúcio.
“O ideal é que os homens usem cuecas tipo sunga, de algodão, que absorvem melhor o suor. E, após o banho, é fundamental secar bem a região. Quem transpira muito pode aproveitar o momento de urinar para secar a área com papel higiênico”, orienta.
Para quem frequenta piscina, rios ou cachoeiras durante as férias, o médico recomenda evitar permanecer por muito tempo com roupas molhadas e reforça a importância da higiene íntima adequada. “O sabão de glicerina é uma ótima escolha. Produtos com fragrâncias fortes podem irritar a pele”, acrescenta.
Infecção urinária: risco cresce com o calor e a desidratação
Além das infecções genitais, o verão também está associado ao aumento dos casos de infecção do trato urinário (ITU). O calor intenso e o suor excessivo favorecem a desidratação, reduzindo o volume de urina e dificultando a eliminação natural das bactérias do trato urinário.
Estudos epidemiológicos indicam que mais de 50% das mulheres terão pelo menos um episódio de infecção urinária ao longo da vida – ou seja, cerca de uma em cada duas mulheres. Entre essas, aproximadamente um terço pode desenvolver infecções recorrentes, definidas como dois ou mais episódios em seis meses ou três ou mais em um ano.
Na fase adulta, as mulheres têm até 50 vezes mais chance de desenvolver ITU do que os homens. Já nos homens, a incidência aumenta principalmente após os 50 anos, muitas vezes associada a doenças prostáticas. A principal bactéria envolvida é a Escherichia coli (E. coli), que tem origem na flora intestinal.
O urologista explica que, além da baixa ingestão de água, outros fatores contribuem para o aumento dos casos no verão:
– má higiene íntima
– atividade sexual
– uso prolongado de absorventes
– retenção prolongada da urina
Os sintomas mais comuns incluem vontade frequente de urinar, dor ou ardência ao urinar, urina turva ou com odor forte, presença de sangue, dor no abdômen inferior e febre em casos mais avançados.
Para o Dr. Henrique, a prevenção está ligada a hábitos simples, especialmente nesta época do ano. “Beber água de forma distribuída ao longo do dia é uma medida simples, mas essencial para evitar desidratação e, consequentemente, infecções urinárias. Uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes e verduras, fortalece as defesas naturais do organismo”, conclui.
Por Suelen Morales
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