Universo da gestão se mistura com ficção no livro ‘Sussurros Empresariais’

Foto: : Allan Gabriel
Foto: : Allan Gabriel

Empresário Arthur Maximilliano usa linguagem contemporânea para dilemas tensos dos negócios

O mundo empresarial e dos negócios pode ser complexo e difícil de entender, tanto na visão da liderança quanto dos funcionários. Pensando em desvendar e transformar o tema em algo, em suas próprias palavras, mais “palatável”, o empresário e diretor estratégico Arthur Maximilliano lançou o livro ‘Sussurros Empresariais’, completo com oito histórias que misturam ficção e a realidade dos negócios.

Sócio-fundador e diretor da RetenMax, com especialização em marketing digital e business, Arthur propõe um novo olhar para questões empresariais, com uma fusão entre ficção e realidade, lançando um personagem que navega entre esses dois mundos. “Vejo que os livros de gestão são muito autorreflexivos, nunca gostei muito disso. Eu sempre gostei de narrativa, história, personagem, ficção. E aí eu desenvolvi um personagem que é um Sherlock Holmes empresarial, o Maxwell. E aí o livro é separado em 8 capítulos, cada um é um desafio diferente. Por exemplo, fofoca dentro das empresas, seu braço direito que te rouba. São assuntos que acontecem nas empresas, só que ninguém conversa muito abertamente sobre eles”, explicou em entrevista ao Jornal O Estado.

Narrado em fatos interligados, o detetive é chamado para resolver os casos mais delicados, desconfortáveis e ignorados no dia-a-dia. A obra também traz uma estrutura inspirada no teatro japonês e conta com ilustrações que dão o ar de mistério e investigação para o livro, enredadas em referências a cultura pop.

Com capítulos sobre nepotismo em empresas até demissão em massa, um dos objetivos da estrutura narrativa é também trazer o visual, com a presença de emojis e falas de personagens.

“Negócios são sobre pessoas”

Mesmo que voltado para líderes e gestores de equipe, o livro poderá ser lido por todos os públicos, até mesmo pela identificação com certas pessoas ou situações, segundo Arthur. “Decidi fazer de uma forma diferente, como eu observei as situações”. Embora trate de empresas, o livro fala sobre tudo de pessoas, trazendo questões humanas que ocorrem em ambiente de trabalho.

“Não existe PJ [Pessoa Juridica] sem PF [Pessoa Fisica]. Negócios são sobre pessoas, é sobre o humano e sua essência. Uma empresa não existe sem os humanos construindo um conjunto de estratégias, ideias, planos de ação e negócios”.

Ao ser questionado sobre o uso da inteligência artificial no marketing e na gestão empresarial, Arthur Maximiliano adota um olhar pragmático, sem demonizações ou deslumbramentos. Para ele, a IA já faz parte do cotidiano profissional e traz ganhos evidentes de agilidade e fluidez. “Quem não usa IA hoje em dia?”. Ao mesmo tempo, ele pondera que essa transformação também gera insegurança entre funcionários, especialmente diante do temor da substituição de funções. “Eu não vou negar: parte do trabalho humano vai ser substituída, sim”, afirma, destacando que esse movimento é inevitável.

No entanto, Arthur defende que o verdadeiro diferencial passa a estar nas habilidades comportamentais e no chamado feeling humano. Segundo ele, ao delegar tarefas operacionais à inteligência artificial, abre-se espaço para momentos de maior qualidade, análise e sensibilidade. “O que diferencia não é todo mundo gravar, transcrever ou usar a mesma ferramenta, mas se colocar naquilo”, explica. Para ele, decisões mais acertadas nascem da combinação entre tecnologia e ética, entre dados e intuição. “Os negócios são sobre pessoas”, reforça, apostando que, em meio à automação crescente, será justamente o olhar humano — ambíguo, sensível e crítico — o capital mais valioso.

Foto: Allan Gabriel

Transparência nos negócios

Para ele, ser líder começa por entender o próprio propósito e o da empresa — e assumir um papel quase pedagógico. “Você tem que se ver como um professor”, diz. Isso passa por comunicar melhor, deixar claro o alvo, contratar com mais critério e, principalmente, criar espaços reais de diálogo.

Arthur reconhece que ninguém acorda querendo errar, mas nem todo dia as pessoas estão bem, e é justamente aí que a comunicação se torna o centro da execução. Treinar, educar, ouvir e investir em tempo de qualidade com a equipe aparecem como pontos-chave. “Se eu não tiver tempo de qualidade com a galera, os problemas aparecem”, resume.

Quando o olhar se volta para o colaborador, Arthur defende que tudo começa pela conexão genuína com o propósito da empresa. Mais do que “querer estar”, é preciso “querer querendo” — acreditar de verdade na visão do lugar onde se trabalha e entender se ela faz sentido para a própria vida. Ele fala também sobre enxergar os dois lados da relação, o pessoal e o empresarial, buscando alinhamento em vez de conflito.

Nesse processo, entram o autoconhecimento e o desenvolvimento contínuo: cuidar do próprio corpo, entender limites, ajustar rotinas e buscar novos aprendizados. “As habilidades que nos trouxeram até aqui não são as mesmas que vão nos levar ao próximo nível”, afirma.

 

Por Carolina Rampi

 

 

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