Após mais de duas décadas, bandas ligadas por uma mesma origem artística dividem o palco pela primeira vez
A cena musical de Campo Grande se prepara para viver um momento raro de reencontro e celebração no dia 31 de janeiro. Após mais de vinte anos, duas bandas que marcaram gerações do rock sul-mato-grossense dividirão oficialmente o mesmo palco em um show que promete entrar para a história cultural da cidade.
O evento marca a primeira apresentação da NAIP em 2026 e acontece no Sunset Growler Station, a partir das 18h. Além do retorno da banda aos palcos, a noite será especial por reunir NAIP e Filho dos Livres em uma apresentação conjunta inédita, simbolizando a união de trajetórias que ajudaram a moldar a identidade do rock local.
Mais do que um show, o encontro representa o cruzamento de caminhos que nasceram de uma mesma origem artística. O Filho dos Livres surgiu a partir da NAIP, compartilhando influências, integrantes e visão musical, o que transforma a apresentação em um marco afetivo e histórico para a cena da Cidade Morena, conectando passado, presente e novas gerações de público.
Quando tudo começou
A trajetória tem início na segunda metade dos anos 1990, quando Guga Borba, Guilherme Cruz, André Coelho, Rafael Coelho, Alexandre Lacôrte (Deco) e Leonardo Maciel se uniram para formar a NAIP. Desde então, o grupo construiu um percurso marcado por constantes mudanças estéticas e de época, sem abrir mão de sua essência.
Com quase 30 anos de atividade, a banda consolidou um legado duradouro, formou uma base de fãs consistente e deixou uma contribuição decisiva para o desenvolvimento do rock em Campo Grande.
Já nos anos seguintes, em um novo momento criativo, Guga Borba e Guilherme Cruz passaram a buscar outras formas de expressão musical. Dessa inquietação surgiu o Filho dos Livres, projeto que conquistou espaço com um folk rock autoral marcado por composições sensíveis, identidade própria e forte vínculo com o público que acompanhou seus primeiros passos.
Apesar de seguirem caminhos diferentes, os laços pessoais e artísticos nunca se romperam. Colaborações pontuais e reencontros informais sempre fizeram parte dessa história, mas uma apresentação conjunta, de forma oficial, nunca havia acontecido. Agora, o que por muito tempo existiu apenas como expectativa entre admiradores das bandas se concretiza, transformando janeiro em um marco para a música local.
Para o Jornal O Estado, Deco, baterista da NAIP, define o show como mais do que um encontro musical: é um gesto de amizade e de caminhada compartilhada ao longo dos anos. Segundo o artista, a ideia desse reencontro amadureceu com o tempo e sempre esteve presente, mas esbarrou em entraves práticos.
A conciliação entre as agendas dos músicos e a disponibilidade das casas noturnas da cidade adiou o projeto, até que, agora, as circunstâncias finalmente se alinharam, dando ao momento um sentido ainda mais especial.
“Na verdade esse encontro já era para ter acontecido há um bom tempo, mas sempre foi muito complicado por conta das nossas agendas e também das casas noturnas aqui da cidade. Aí acabou que agora deu certo, e faz todo sentido ser agora”, explica.
Amigos reunidos
Poucas pessoas conseguem traduzir esse momento com tanta propriedade quanto Sylveli Paiva, a Syl. Fisioterapeuta, apaixonada por música e presença constante nos shows que marcaram a história do rock em Campo Grande, ela se tornou quase uma integrante afetiva das bandas. Entre plantões e compromissos profissionais, lá está ela: cantando, registrando momentos e guardando centenas de fotos que contam uma história paralela: a do público que sempre esteve ali.

Acima, uma formação antiga e na foto abaixo, Guga Borba e Guilherme Cruz, do Filhos dos Livres, e Syl, fã de carteirinha da banda – Foto: assessoria/divulgação
“Reunir a ‘NAIP dos Livres’, como eu apelidei, é algo simplesmente acima da média. É uma ideia genial, que tem tudo a ver com a energia que eles transmitem. Música boa, amizade verdadeira e muita história envolvida. Isso só me faz acreditar que será um grande evento, cheio de sentimentos bons para começar 2026 lá em cima. O coração está ansioso para ver esses músicos renomados e queridos amigos mostrando o que têm de melhor em cima do palco”, emociona-se.
O reencontro entre o NAIP e o Filho dos Livres simboliza mais do que a volta de dois nomes ao mesmo palco: reafirma a essência do rock sul-mato-grossense como um movimento construído por pessoas, laços e histórias compartilhadas.
Marcada pela resistência e pela colaboração, a cena sempre se manteve viva mesmo diante de limitações estruturais, sustentada pelo respeito mútuo e pela troca constante entre artistas de diferentes gerações.
“Ninguém constrói nada sozinho. Quando as bandas se apoiam, dividem palco, público e vivências, a cena cresce de forma mais forte e verdadeira. O tempo passa, os projetos mudam, mas os laços que a música cria permanecem, e é isso que mantém o rock de MS vivo”.
Para Guga Borba, o momento carrega um simbolismo ainda mais profundo.
“Os encontros musicais sempre têm sabor de amizade, mas esse é diferente. Ele tem essência, tem raiz. Sempre nos encontramos e tocamos juntos em momentos não oficiais, e isso é sempre muito divertido. Mas estar presente no embrião da NAIP, de forma oficial, é um grande marco na minha carreira. Tenho certeza de que os amigos e o público presentes nessa noite tão emblemática vão sentir essa energia maravilhosa, construída ao longo de décadas de sucesso, dedicação e profissionalismo”, afirma.
Programação
Abertura com Filho dos Livres
O duo de folk rock mais amado de Mato Grosso do Sul abre a noite com suas canções autorais que se tornaram trilha sonora de muitas histórias. Guga e Gui entregam poesia, sensibilidade e a energia que conquistou uma legião de fãs fiéis.
Show da NAIP
Na sequência, a NAIP assume o palco com sua energia explosiva e presença marcante. Um repertório que atravessa décadas promete embalar o público com clássicos que marcaram os anos 70, 80, 90 e 2000, daqueles que todo mundo canta junto, do início ao fim.
O clímax: a jam histórica
O ponto alto da noite será a reunião dos integrantes originais no palco, em uma jam session que resgata a formação responsável por consolidar a NAIP como referência do rock sul-mato-grossense. O encontro celebra a memória da cena local e convida o público a reviver conexões, histórias e afetos marcados pela música.
Serviço
O reencontro acontece no sábado, 31 de janeiro de 2026, no Sunset Growler Station, localizado na Avenida Afonso Pena, nº 5668, em Campo Grande. A programação tem início às 18h e segue até 23h59. Os ingressos antecipados, em quantidade limitada, estão disponíveis pela plataforma Sympla. Mais informações sobre as bandas podem ser acompanhadas pelos perfis @naip.br e @filhodoslivres.
Por Amanda Ferreira
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