Mostra Itinerante Cinema de Sala 2026

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Exibições gratuitas em praças de Corumbá, Ladário e Puerto Quijarro levam produção sul-mato-grossenses ao público

A Mostra Itinerante Cinema de Sala divulgou os filmes selecionados para a edição 2026, que acontece entre os dias 15 e 24 de janeiro, com exibições gratuitas em praças e espaços públicos de Corumbá, Ladário (MS) e Puerto Quijarro, na Bolívia. A iniciativa leva o cinema produzido em Mato Grosso do Sul para as ruas e reforça o intercâmbio cultural na região de fronteira do Pantanal.

Com curadoria voltada à diversidade estética, narrativa e territorial, a seleção reúne obras de ficção, documentário, experimental, videoclipes e vídeo-crônicas. Foram escolhidos os filmes Olhos Fechados, de Roberto Leite; Sebastian, de Cainã Siqueira; Pós-Alinhamento, de Q34Q e João Deboni; + Forte, de Ara Martins; Trechos e Textos – Vídeo-crônicas, de Bruno Nishino e Marco Calábria; A Última Porteira, de Rodrigo da Silva Rezende; Arteiro, de Duka Martins; Monges e Vândalos, de Fabrício Borges; Les Garçons, de Bruno Nishino e Marco Calábria; e Gastronomia Fronteiriça – Influência Boliviana, de Wanessa Pereira.

Idealizada por Salim Haqzan, a mostra nasce da trajetória do Cineclube Cinema de Sala, ativo desde 1998, e reafirma o compromisso com a democratização do acesso ao audiovisual. As sessões terão apresentação do ator e realizador Breno Moroni, enquanto a programação também prevê bate-papos com o público, fortalecendo a tradição cineclubista de diálogo entre realizadores e espectadores.

Para o produtor executivo Diego Cafola, a divulgação dos filmes selecionados evidencia o impacto das políticas públicas culturais no fortalecimento do audiovisual fora dos grandes centros. Viabilizada por recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), a mostra reafirma o papel do cinema como ferramenta de visibilidade, formação de público e valorização da identidade cultural sul-mato-grossense.

 

Democratizando acessos 

Para o Jornal O Estado, o idealizador da Mostra Itinerante Cinema de Sala, Salim Haqzan, destacou que levar o cinema para espaços públicos em Corumbá, Ladário e Puerto Quijarro é uma forma de democratizar o acesso a uma arte que esteve ausente da cidade por décadas. 

“Corumbá já teve seis cinemas funcionando ao mesmo tempo e ficamos quase 27 anos sem cinema na cidade. Hoje existe um cinema, mas é comercial e pago, então poucas pessoas conseguem acessar. Levar o cinema de forma gratuita para a rua é muito bonito, porque a gente vê o encantamento no olhar das pessoas”.

Segundo ele, após o fechamento dos antigos cinemas no fim dos anos 1990, a população ficou muitos anos sem opções gratuitas ou acessíveis, o que torna a exibição em praças e ruas uma experiência coletiva e inclusiva, especialmente em uma região de fronteira.

“Assistir a um filme coletivamente é diferente de ver sozinho em casa. Quando a sessão termina e as luzes se acendem, dá para perceber vários sentimentos ali. E, sendo Corumbá, Ladário e Puerto Quijarro cidades de fronteira, foi importante trazer filmes com natureza, para que as pessoas se identifiquem, se vejam na tela”, revela.

A iniciativa tem um impacto significativo na forma como o público percebe a produção audiovisual local. Segundo ele, muitas pessoas ainda associam o cinema apenas a produções comerciais ou a narrativas extremamente regionais, e a mostra ajuda a revelar a diversidade estética e temática dos filmes produzidos no estado, ampliando o olhar do público.

“É muito impactante, porque as pessoas ficam alheias a esse tipo de produção, muito ligadas aos filmes comerciais. Quando descobrem que estamos produzindo cinema aqui no estado, elas se surpreendem. Teve gente que achou que seriam filmes só sobre o Pantanal ou apenas sobre Corumbá, mas se deparou com uma estética universal. O cinema brasileiro passou um tempo muito focado em narrativas periféricas, o que foi importante, e agora a gente também trabalha temas universais, como fome, medo, guerra e arte”, destaca Salim.

Curadoria 

A curadoria deste ano buscou refletir a diversidade estética, narrativa e territorial do cinema produzido em Mato Grosso do Sul, considerando especialmente o histórico de Corumbá, que passou mais de duas décadas sem salas de cinema.

“A curadoria se preocupou muito com o fato de Corumbá ter ficado mais de 25 anos sem cinema. Como a proposta é exibir filmes na rua, a gente selecionou obras curtas, de 20 a 30 minutos, e outras bem curtinhas, de cinco minutos. Temos documentários que falam da fronteira, da comida da fronteira, coisas com as quais as pessoas se identificam”, afirma Salim.

 A seleção priorizou filmes de curta duração, documentários e obras acessíveis, pensadas para exibição em espaços públicos e para públicos de todas as idades.

“Também priorizamos filmes com acessibilidade, com Libras, audiodescrição e legendas em espanhol. Pensamos em filmes leves, que entretenham, tragam reflexão, mas que possam ser vistos por qualquer idade. Essa foi a grande preocupação da curadoria”.

Ampliando possibilidades

O  projeto representa a continuidade de uma trajetória de mais de duas décadas dedicadas ao Cineclube Cinema de Sala e ao fortalecimento do audiovisual sul-mato-grossense.

“O projeto representa justamente esse desejo de dar espaço às obras feitas aqui no estado. A gente tem poucos festivais para a quantidade de filmes de boa qualidade que estão sendo produzidos. A curadoria também se preocupou em trazer filmes que dialogam com a natureza, com a fronteira, com o Pantanal como inspiração artística, mas também obras com estética mais fechada, de cinearte, como produções feitas em Corumbá”, conta Salim.

 A mostra surge como um espaço essencial para dar visibilidade à produção local, ampliando as possibilidades de exibição para além dos poucos festivais existentes no estado e valorizando a diversidade de estilos, temas e formatos.

“Temos uma diversidade estética muito grande: audiovisual ligado à literatura, filmes infantis, experimentais, inclusive curtas bem ousados, de dois ou três minutos, que quase não têm espaço em festivais. A mostra é isso para mim: dar oportunidade, abrir espaço e fortalecer o cinema que está sendo feito aqui”, finaliza o idealizador.

Amanda FerreiraConfira as redes sociais do Estado Online no Facebook Instagram

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