Entre 4 e 10 de dezembro, Campo Grande abre as portas para grupos de dentro e fora do país, oferecendo oficinas e programação repleta de humor
Campo Grande volta a sorrir com a chegada de artistas que têm exatamente essa missão: colocar o riso no rosto da cidade. Entre os dias 4 e 10 de dezembro, a Capital sul-mato-grossense recebe a 9ª Pantalhaç@s – Mostra de Palhaç@s do Pantanal, que celebra 17 anos de história dedicados à arte, ao afeto e à diversidade. Nesta edição, o público poderá assistir a 16 apresentações, reunindo 13 espetáculos selecionados entre 195 inscrições vindas do Brasil, da Argentina e Chile.
Além da cena, a vivência. A mostra amplia seu caráter formativo e comunitário ao oferecer quatro oficinas, uma roda de conversa e a já tradicional Palhasseata, cortejo que percorre as ruas levando alegria e convidando a população a participar. Nesta edição, companhias de Alagoas, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul compõem a grade, junto do artista internacional Latin Duo (Argentina/Peru), que promete duas apresentações especiais.
Os palcos se espalham pela cidade, ocupando equipamentos culturais e espaços públicos como o Teatro Prosa (Sesc Horto), Teatro de Arena da Orla Morena, Teatro Aracy Balabanian, CEU das Artes Lageado, Praça do CRAS Jardim Noroeste, Circo do Mato e Flor e Espinho Teatro. No dia 7 de dezembro, às 17h, a Orla Morena se transforma em passarela luminosa de gargalhadas com a aguardada Palhasseata, que este ano será conduzida pelo palhaço Jerônimo, de Americana (SP). Música, humor e interação prometem fazer da avenida um grande palco coletivo, reafirmando Campo Grande como território fértil para o riso e a celebração artística.
Pluralidade e encontro
Segundo Laila Pulchério, produtora do Circo do Mato e integrante da comissão organizadora, o recorte curatorial desta edição reafirma o que a Mostra sempre buscou construir: diversidade em movimento. Ela explica que a equipe priorizou trabalhos que revelassem a força da palhaçaria em suas múltiplas abordagens, mirando não apenas a excelência artística, mas também o alcance afetivo das criações.
A intenção é proporcionar ao público de Campo Grande uma travessia por diferentes formas de humor, do lúdico infantil às narrativas mais experimentais, convidando espectadores de todas as idades a encontrar seu próprio riso.
Laila ressalta ainda que a variedade de origens e estéticas dos grupos selecionados funciona como uma espécie de espelho do evento. Para ela, a Mostra se fortalece justamente quando acolhe propostas que dialogam com sotaques, trajetórias e modos distintos de construir comicidade. “É essa convivência entre mundos e maneiras de fazer que dá fôlego ao festival”, observa.
Ao comentar sobre o espírito que guia a programação, a produtora reforça que o encontro entre artistas e público é o verdadeiro coração do evento. A mistura de linguagens, segundo ela, não apenas amplia o repertório da plateia, como também mantém viva a energia que sustenta a Mostra desde sua criação: um espaço pulsante, aberto e em constante reinvenção, onde o riso circula como elo e celebração.
“Levar a Mostra para bairros e escolas é uma forma concreta de democratizar o acesso e fazer o riso circular onde as pessoas estão. A Palhasseata transforma o espaço urbano em poesia viva: interrompe a pressa, suaviza o concreto e lembra que o riso também é um direito”, destaca Laila.
Importância
A mostra foi criada há 17 anos pelos grupos Circo do Mato e Flor e Espinho Teatro, com o desejo de inverter o fluxo: em vez de sair de Mato Grosso do Sul para aprender em outros centros, os artistas trouxeram o mundo para cá. Desde então, nomes de países como Peru, Equador, México, Espanha e Argentina já cruzaram fronteiras pantaneiras com suas narrações poéticas do riso.
Segundo Anderson Lima, uma das maiores conquistas do evento é a fidelização do público, seja das escolas como nas redes sociais. “A Pantalhaç@s conseguiu alcançar um nome nacionalmente. A última edição veio gente lá do Amapá. Isso nos dá um ânimo de continuar fazendo essa mostra, ela se tornou um grande ganho para quem faz palhaçaria, para quem é do universo do circo, na nossa região, no próprio Brasil e na América Latina”, disse ao jornal O Estado.
Laila destaca que a Mostra se mantém viva graças a três pilares fundamentais: afeto, compromisso e coletividade. Para ela, cada edição carrega uma identidade própria, moldada pelo encontro entre artistas, equipes e público. “É sempre um processo único. O público é a peça final dessa engrenagem. É ele que confirma que tudo vale a pena”, conclui.
Programação
A programação da IX Pantalhaç@s espalha-se por Campo Grande ao longo de sete dias, movimentando teatros, praças e espaços culturais com uma maratona de espetáculos, oficinas e encontros. A abertura oficial acontece no dia 4 de dezembro, no Teatro Prosa (Sesc Horto), seguida pela apresentação “Noite de Circo”, da Família Morales.
Nos dias seguintes, o público poderá conferir atrações como “Xou do Xac”, do Mutanti Lab, oficinas de palhaçaria e malabarismo, além de montagens que vão do humor musical de “Apalhassadamuzikada…” ao embate cênico de “Batalha”, de Dagmar Bedê.
A tradicional Palhasseata, marcada para 7 de dezembro na Orla Morena, promete transformar a avenida em festa, seguida de apresentações internacionais do Latin Duo, que retorna ao palco em diferentes horários e locais. Espetáculos de grupos sul-mato-grossenses também compõem a grade, levando a Mostra a regiões como o CEU das Artes Lageado, o CRAS Jardim Noroeste e escolas da Capital.
A semana segue com uma variedade de linguagens e sotaques até o dia 10 de dezembro, quando “Desajustada”, da Cia Pé de Vento (SC), encerra a edição no Teatro Prosa. No percurso entre um dia e outro, o público transita por produções como “Jerônimo Show”, “La Trattoria”, “Mix Dux” e “Saltimbembe Mambembancos”, que ocupam espaços como o Teatro Aracy Balabanian, Teatro de Arena da Orla Morena, CCJOG, Circo do Mato e Flor e Espinho Teatro. (Com assessoria).
Serviço: Para conferir a programação completa, confira mais informações pelo instagram @pantalhacos.
Por Amanda Ferreira