Dirigido por Josh Safdie, filme chega ao Brasil com forte repercussão crítica e coloca Timothée Chalamet entre os destaques da temporada de prêmios
Chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (8) Marty Supreme, biopic estrelado por Timothée Chalamet que desponta como um dos favoritos ao Oscar de Melhor Ator e coloca o astro norte-americano em rota direta de concorrência, e rivalidade simbólica, com o brasileiro Wagner Moura na próxima temporada de premiações.
Dirigido por Josh Safdie, o filme narra a trajetória improvável de Marty Reisman, lenda do tênis de mesa que saiu das apostas ilegais em Manhattan para se tornar campeão mundial, em uma produção de 2h29 que mistura drama, ambição e personagens à margem do sonho americano.
Ambientado na Nova York dos anos 1950, Marty Supreme acompanha a ascensão de Marty Reisman (Chalamet), um malandro carismático que se recusa a aceitar a vida de trabalhador precarizado. Jogando pingue-pongue por dinheiro em porões e salões clandestinos, ele transforma talento bruto e audácia em uma carreira histórica: mais de 22 títulos conquistados e o feito de se tornar, aos 67 anos, o atleta mais velho a vencer um campeonato nacional de raquete.
Com roteiro assinado por Josh Safdie e Ronald Bronstein, o longa não idealiza seu protagonista. Ambicioso e megalomaníaco, Marty não mede consequências para alcançar a grandeza,nem mesmo roubar, e, ao desafiar quem duvidou dele, acumula glórias internacionais e inimigos na mesma proporção. O elenco conta ainda com Gwyneth Paltrow e Odessa A’zion, reforçando o peso dramático de uma obra que já nasce cercada de expectativas tanto nas bilheterias quanto na corrida pelo Oscar.
Produção
Inspirado livremente na trajetória do lendário jogador de tênis de mesa Marty Reisman, Marty Supreme marca um ponto de inflexão na história do estúdio A24. Antes mesmo de chegar oficialmente ao grande público, o filme apresentou desempenho expressivo em exibições limitadas realizadas em salas selecionadas de Los Angeles e Nova York.
As sessões antecipadas registraram uma arrecadação média elevada por cinema, resultado que chamou a atenção do mercado e se destacou como um dos melhores desempenhos iniciais já associados à A24 em quase uma década.
O impacto financeiro inicial veio acompanhado de uma recepção crítica amplamente favorável, fator que contribuiu para fortalecer as projeções comerciais e artísticas do longa. Desenvolvido em colaboração com outras produtoras internacionais, o projeto consolidou-se como uma aposta estratégica para a temporada de premiações, ampliando a visibilidade do estúdio em um cenário tradicionalmente dominado por grandes majors de Hollywood.
Temporada de prêmios
A performance de Timothée Chalamet no papel principal rapidamente se tornou um dos pontos centrais do debate crítico. Aos 30 anos, o ator conquistou o prêmio de Melhor Ator no Critics Choice Awards 2026 por sua interpretação em Marty Supreme, reconhecimento que o coloca novamente no radar da Academia. O artista agora mira sua terceira possível indicação ao Oscar, e busca, pela primeira vez, levar a estatueta para casa.
Além do protagonismo de Chalamet, o filme figura entre os títulos mais comentados do circuito de premiações, aparecendo em projeções para diferentes categorias. As indicações oficiais ao Oscar serão anunciadas em 22 de janeiro, data aguardada com expectativa por distribuidores, críticos e público.
Durante passagem pelo Brasil em dezembro de 2025, Timothée Chalamet comentou para a CNN Brasil sobre o desafio de interpretar um personagem tão complexo em um encontro com jornalistas e convidados. Segundo o ator, a obra não se preocupa em conduzir o espectador a uma identificação confortável com o protagonista.
Ele destacou que a liberdade criativa oferecida pela direção permitiu explorar um personagem cheio de ambiguidades, cujas decisões não seguem uma lógica moral previsível. Para Chalamet, o foco do filme está menos em tornar Marty simpático e mais em revelar sua dimensão humana alguém movido por urgência, obsessão e um desejo quase incontrolável de alcançar seus objetivos.
O ator também ressaltou que a narrativa reflete a instabilidade emocional da vida real, apresentando personagens que vivenciam sentimentos contraditórios simultaneamente. Essa multiplicidade, segundo ele, é o que torna a história mais honesta e próxima da experiência humana, afastando-se de trajetórias lineares ou simplificadas.
Críticas
A recepção crítica de Marty Supreme tem sido amplamente favorável desde suas primeiras exibições. O filme alcançou 95% de aprovação no agregador Rotten Tomatoes, índice que o posiciona entre os títulos mais bem avaliados da temporada e reforça o consenso positivo em torno de sua proposta estética e narrativa.
No Brasil, a repercussão também foi expressiva. Em análise publicada pelo site Omelete, o jornalista Marcelo Hessel destacou a maneira como o longa reflete sobre escolhas, tempo e continuidade. Para o crítico, a obra se afasta de leituras simplificadas sobre sucesso e fracasso, propondo uma abordagem que privilegia o percurso do personagem em vez de resultados finais ou mensagens conclusivas.
A crítica internacional também tem destacado Marty Supreme como uma obra que dialoga com ambição, poder e autoria. Em análise publicada no site da Rolling Stone Brasil, o crítico David Fear interpreta o filme como um retrato de figuras movidas pelo desejo de comando personagens que buscam não apenas vencer, mas controlar o jogo, sejam eles criações ficcionais ou figuras ancoradas na realidade.
Para o crítico, a força do longa reside menos na trajetória individual do protagonista e mais na presença autoral de Josh Safdie. É o diretor, segundo a leitura proposta, quem conduz efetivamente a narrativa, imprimindo sua visão de mundo por meio de escolhas formais marcadas por intensidade, velocidade e uma energia quase incessante, características já associadas ao seu cinema.
A crítica ressalta ainda que, embora o filme não se proponha como um relato pessoal do cineasta, há uma clara identificação entre o realizador e o espírito do personagem central. O impulso criativo, a aposta em riscos e a recusa em seguir caminhos previsíveis aproximam Safdie de seu protagonista, especialmente em um momento em que a indústria enfrenta transformações profundas ligadas à tecnologia e à lógica de propriedade intelectual.
Amanda Ferreira
Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook e Instagram.