Hamnet: A Vida Antes de Hamlet

Fotos: Reprodução
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Vencedor do Globo de Ouro e favorito ao Oscar, obra traz dores familiares de um dos maiores dramaturgos e escritores do mundo

O nome de Willliam Shakespeare é um dos mais importantes da literatura, dramaturgia e teatro, com obras consagradas ao longo do tempo, como ‘Romeu e Julieta’, ‘Otelo’ e ‘Hamlet’. Mas, antes de sua ascensão, ele e a esposa passaram por uma tragédia, tema explorado no filme ‘Hamnet: A Vida Antes de Hamlet’, que estreia nesta quinta-feira (15).

Shakespeare, já casado com Agnes (também conhecida como Anne Hathaway), perde seu filho de 11 anos para uma das pragas virais que assolaram o século XVI. Hamnet era o nome do menino e, nessa história ficcional sobre a vida doméstica de Shakespeare, Agnes é a narradora e o ponto de vista fundamental da narrativa, demonstrando o luto que acompanha o fim precoce da vida do seu herdeiro. A trama rejeita a faceta inabalável e intocável de um gênio William Shakespeare, mas apresenta um artista que era influenciado, acima de tudo, pela sua vida diária. Explorando os temas da perda e da morte, Hamnet acompanha a rotina e o dia a dia de uma família, as alegrias e as tristezas de viver numa pequena vila na Inglaterra do passado e a história de amor poderosa que inspirou a criação da peça Hamlet.

A direção do filme é de Chloé Zhao (Nomadland, que venceu as categorias de Melhor Prêmio e Melhor Direção no Oscar de 2021), que também assina o roteiro ao lado de Maggie O’Farrell, e conta com produção de Steven Spielberg e Sam Mendes.

No elenco, Jessie Buckley (Chernobyl) e Paul Mescal (Gladiador) lideram a trama, que ainda traz nomes como Emily Watson (A Menina que Roubava Livros), Joe Alwyn (O Brutalista) e Noah Jupe (Um Lugar Silencioso).

Nascido dos livros

O filme é baseado no romance homônimo de Maggie O’Farrell (que também assina o roteiro), que foca na história de quem cercava o dramaturgo, principalmente a esposa e filhos. Maggie explora a história do ponto de vista de Agnes, que era mais velha que Shakespeare e possuia uma posição mais elevada. Eles tiveram três filhos, e a rotina da família foi marcada pela distância, ele em Londres, dedicado ao teatro, e pela tragédia da morte do único menino.

A figura de Agnes também ganha destaque na narrativa literária, já que, além de casar com o escritor quando ele tinha 18 e ela 26, era conhecida por ser uma figura intuitiva, por cruzar a propriedade da família com um falcão no braço, e por seus dons de cura a percepção.

Recepção

No último domingo (11), o filme conquistou duas categorias do Globo de Ouro de 2026, o de Melhor Filme de Drama (onde concorreu com o brasileiro ‘O Agente Secreto’) e Melhor Atriz de Drama, para Jessie Buckley, e se torna um forte concorrente para o Oscar desse ano, principalmente nas categorias de atuação, direção e roteiro.

No portal Rotten Tomatoes, principal site de críticas internacionais, o filme já conta com 86% de aprovação, com 291 avaliações. “Mescal tem uma presença marcante na tela, mas é a atuação de Buckley como a complexa Agnes que realmente cativa” pontuou Dulcie Pearce, do The Sun. “Com atuações marcantes a serviço de uma visão clara e segura de Chloé Zhao, este é um comovente reflexo do ‘território desconhecido’ da morte e do luto”, destacou John Nugent, da Empire Magazine.

“É um filme profundamente contemplativo, com suas sombras à luz de velas, criadas pelo diretor de fotografia Łukasz Żal, como se tivessem sido pintadas por um dos mestres holandeses”, completa Clarisse Loughrey, da Independent.

No Brasil

Assim como as críticas internacionais, um dos maiores destaques da obra é Agnes e a atuação de Jessie. “Grande parte da força emocional de “Hamnet” repousa sobre Jessie Buckley, que entrega uma das atuações mais impactantes de sua carreira. Sua Agnes é construída a partir de camadas: há nela vigor, doçura, intuição, mas também uma dor que nunca se dissipa completamente. Buckley atua muito mais com o corpo e com o olhar do que com a palavra. Seu sofrimento é interno, contido, devastador”, disse Luiz Cabral Inácio, do portal O Tempo.

“‘Hamnet’ não se limita a recontar uma história: ele a recria na pele de quem ama e perde, devolvendo ao espectador a capacidade de sentir poesia na dor. Para além dos prêmios, a obra lembra o público que a arte existe não apenas para ser vista, mas para ser sentida profundamente”, complementou.

Além da atuação poderosa de Jessie, Pedro Sobreiro, do portal CinePop destaca como a obra vem na contramão da Hollywood consumista. “É um filme urgente. Em tempos de tempo escasso, em que o cinema é tratado estritamente como consumo, Hamnet te obriga a prestigiá-lo. É um longaa feito para ser visto, sentido… Vivido no cinema. E ele constrói o clima perfeito para que o público se desligue do mundo exterior e viva aquela tragédia por pouco mais de duas horas. Mas tenha certeza que não será uma experiência que terminará ao fim da sessão. Hamnet seguirá com o público por muito tempo”.

“Hamnet se torna um conto que transforma em realidade os ecos da peça de Shakespeare, sem nunca precisar de metáforas baratas sobre o talento do autor ou momentos de sua vida replicados na peça. No espetáculo visual de Chloé Zhao e no talento de Buckley e Mescal, são as palavras, os sentimentos, a universalidade da dor e o nosso medo da finitude que fazem da história de Agnes e da família uma experiência tão dura. A eterna busca pelo sentido da vida, como o mítico ‘Ser ou não ser’”, reflete, Alexandre Almeida, do portal Omelete.

 

Por Carolina Rampi

 

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