Exposição Nuancestral convida a refletir sobre identidadec

Foto: Bejona/Arquivo pessoal
Foto: Bejona/Arquivo pessoal

Exposição de Bejona celebra a ancestralidade negra, transformando gestos cotidianos, memórias e símbolos que conectam passado, presente e futuro

 

O calendário cultural de Campo Grande inicia 2026 com a exposição Nuancestral, que convida o público a refletir sobre identidade, memória e pertencimento. No espaço do Iphan/MS (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), a artista visual Bejona apresenta obras que exploram heranças culturais negras a partir de gestos cotidianos, memórias compartilhadas e experiências afetivas.

A mostra reúne trabalhos que investigam como gestos, sons, narrativas e imagens atravessam o tempo e moldam subjetividades, convidando o público a perceber a ancestralidade como presença ativa na vida contemporânea.

Instalada em um espaço dedicado à preservação da memória, a exposição constrói um percurso visual que conecta diferentes temporalidades e reforça a arte como ferramenta de reflexão e afirmação cultural. A abertura acontece no dia 6 de fevereiro, às 19h, no Iphan/MS, localizado na Rua General Mello, 23, no Centro de Campo Grande.

Ideias em arte

Para o Jornal O Estado, a artista visual Bejona constrói sua produção a partir da observação atenta do cotidiano, transformando gestos simples, sons recorrentes e memórias compartilhadas em matéria artística.
Em seu processo criativo, o dia a dia deixa de ser ordinário e passa a operar como campo de investigação sensível, onde experiências comuns revelam camadas profundas de identidade, pertencimento e herança cultural.

“Tudo pode ser arte quando se muda a forma de olhar. Ao observar meus próprios gestos e os de pessoas próximas ou desconhecidas, percebo uma potência que nasce do simples. Um olhar, uma postura, um movimento cotidiano já carregam significados que falam sobre crescimento, memória e sobre a importância das nuances que atravessam a vida diária”.

A exposição constrói um percurso visual que rompe com uma noção linear de tempo, articulando referências que dialogam com memória, experiência e continuidade. Nas obras, passado, presente e futuro coexistem por meio de elementos simbólicos que convidam o público a estabelecer conexões pessoais a partir de vivências compartilhadas.

“A relação com o tempo aparece nos símbolos, nas palavras e nas ideias que atravessam cada pessoa de um jeito diferente. São imagens, falas e memórias que fazem parte do coletivo, mas que também carregam algo muito particular, porque cada um se reconhece nelas a partir da própria história”, destaca Bejona.

Ancestralidade negra

O título da exposição orienta o olhar do público para uma ancestralidade construída em camadas, formada por experiências individuais que dialogam com vivências coletivas da artista. Nas obras apresentadas, Bejona evidencia aspectos da cultura negra que emergem do cotidiano e se repetem em diferentes realidades, revelando uma ancestralidade viva, presente nas relações, no trabalho e na construção da identidade.

“Procurei destacar as nuances que fazem parte do meu dia a dia e que também aparecem em muitas outras rotinas. Falar sobre a força do povo preto, sobre maternidade, ancestralidade, trabalho e união é essencial quando penso nas expressões afro-brasileiras que atravessam minha vivência”, afirma.

A escolha do Iphan/MS como espaço expositivo amplia o sentido da mostra ao estabelecer um diálogo direto com a memória e com a preservação cultural. Inserida em um local dedicado ao patrimônio histórico, a exposição ganha novas camadas de leitura, reforçando a arte como instrumento de ressignificação do passado e de afirmação de narrativas historicamente silenciadas.

“Expor neste espaço tem um significado enorme para mim. É reafirmar que minha arte é bem-vinda em um lugar de preservação e que ela também tem o papel de ressignificar o ancestral. O Iphan reúne referências de diferentes períodos e culturas, e a Nuancestral passa a ocupar esse espaço como parte do patrimônio afro-brasileiro”, explica Bejona.

Mensagem ao público

A exposição propõe uma experiência em que a ancestralidade se manifesta como força presente, capaz de atravessar o cotidiano e as memórias de cada visitante. Ao articular imagens, cores, símbolos e gestos, a mostra incentiva uma reflexão sobre como a herança cultural negra molda percepções, práticas e identidades revelando conexões entre passado, presente e futuro que muitas vezes passam despercebidas.

“Espero que a exposição desperte novas maneiras de olhar e pensar sobre temas que muitas vezes já foram abordados, mas que ainda carregam camadas importantes de significado. A ancestralidade circula em nossas veias, memórias e pensamentos, e cada pessoa a sente de um jeito único”, revela.

O público é convidado a se engajar ativamente, percebendo a ancestralidade como algo vivo e transformador, que está em cada detalhe do espaço expositivo.

“Nuancestral está viva para nos lembrar da importância de perceber essas nuances no dia a dia e da necessidade de nos reconectar com o ancestral, reconhecendo sua força e presença em cada gesto e experiência”, finaliza a Bejona.

Serviço: A abertura acontece no dia 6 de fevereiro, às 19h, no Iphan/MS, localizado na Rua General Mello, 23, no Centro de Campo Grande.

 

Amanda Ferreira

 

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