Single mistura R&B, soul e ritmos baianos para retratar uma paixão de carnaval sob o céu encoberto da Capital
O carnaval de rua em Campo Grande recebe uma novidade que promete embalar a folia de um jeito diferente. O cantor e compositor Silveira apresenta seu novo single, “Dia Nublado”, uma canção que chega para ampliar os horizontes musicais da festa e trazer um olhar mais sensível sobre os encontros que nascem nesse período.
A faixa estreia nas plataformas digitais no dia 12 de fevereiro e aposta em uma narrativa que foge do óbvio. Em vez do sol escaldante e do clima sempre eufórico, a música se passa em meio a um dia encoberto, onde uma paixão inesperada surge e tenta sobreviver entre incertezas, desejos e a intensidade típica do carnaval.
Criado em Corumbá, município marcado por uma relação histórica com a cultura carnavalesca, Silveira
transforma experiências pessoais em matéria-prima artística. A composição parte da ideia de que nem todo céu cinza carrega melancolia e que até os dias menos promissores podem ser palco para histórias marcantes. A canção traduz esse contraste ao unir romance, vulnerabilidade e a energia dos blocos de rua.
A sonoridade do single foi desenvolvida em parceria com o produtor Ton Alves, resultando em um arranjo que transita por diferentes influências da música brasileira contemporânea. Com referências que passam pela nova MPB, pelo pop e por nuances do R&B, “Dia Nublado” constrói uma atmosfera envolvente, equilibrando introspecção e ritmo, e reafirma a identidade autoral do artista dentro do carnaval urbano.
Ideia inicial
Silveira explica para o Jornal O Estado, que a criação de “Dia Nublado” nasceu de uma experiência vivida durante o carnaval em Campo Grande, onde o clima frequentemente alterna entre calor intenso e céu encoberto.
“Eu costumo compor a partir do que vivo, e essa música veio de um carnaval marcado por dias nublados, que muita gente associa à tristeza, mas que pra mim carregam outra energia. É uma paixão de verão dentro da nossa realidade, misturando influências musicais que fazem sentido pra essa história”, conta.
A canção parte dessa contradição para construir uma narrativa afetiva, conectando uma paixão de verão ao cotidiano regional, com uma sonoridade que dialoga com referências do R&B e do pagodão baiano, sem perder o vínculo com a memória carnavalesca do artista.
“O carnaval de Corumbá também atravessa tudo isso, porque é um lugar muito afetivo pra mim, desde as matinês que eu frequentava com minha família até a mudança para a Capital”, completa.
Composição
Com direção musical de Ton Alves, a canção aposta em um arranjo que transita por diferentes atmosferas sonoras. A construção começa de forma suave, guiada por influências do R&B e do soul, com destaque para timbres aveludados do piano elétrico, e avança aos poucos até alcançar um refrão mais pulsante, impulsionado por levadas rítmicas inspiradas no pagodão baiano e no ijexá.
“Buscamos referências conectadas à música baiana e às matrizes africanas. Instrumentos como bacurinha e agogô trazem a pulsação da rua e da celebração coletiva”, explica Ton Alves. O time de músicos inclui nomes como Pedro Fernandes (piano), Kinho Guedes (baixo) e Maurício Piri (percussão), com mixagem e masterização de Alex Cavalheri.
“Essa canção tem uma energia solar e um balanço muito brasileiro, que carrega esse meu lado carnavalesco para as pessoas curtirem o ano inteiro. A gente buscou referências ligadas à música baiana e às matrizes africanas, usando instrumentos como bacurinha, agogô e tambores, além de ritmos como axé, pagode baiano e ijexá, pra trazer textura, pulsação e essa sensação de rua, de corpo em movimento e celebração coletiva”, destaca Silveira.
Identidade Artística
Na construção de sua identidade artística, Silveira reafirma as referências que atravessam sua trajetória musical. O artista, que abriu o show da cantora Liniker no projeto MS Ao Vivo, em setembro de 2025, aponta a influência direta da cantora em seu novo single, especialmente pela diversidade estética presente em sua obra.
Inserido em um movimento contemporâneo da soul music brasileira, Silveira se aproxima de nomes como Os Garotin, Yoùn e Ellen Oléria, que têm se destacado pela capacidade de fundir gêneros e criar novas linguagens sonoras.
“Tenho a Liniker como uma grande referência, e esse single dialoga muito com essa pluralidade que ela apresenta no trabalho dela. Existe hoje um movimento forte da soul music brasileira, com artistas como Os Garotin, Yoùn e Ellen Oléria, que misturam ritmos e constroem uma sonoridade própria, e é justamente esse caminho que vem guiando o meu trabalho”.
Capa e Figurino
Um diferencial deste lançamento é a colaboração interdisciplinar. A capa do single é uma obra de arte física, pintada pela artista visual Érika Pedraza. Fugindo do digital, Érika utilizou aquarela e técnicas acadêmicas para representar a transição do “nublado” para o “caloroso”.
“A proposta visual traz elementos do Arlequim, um personagem folclórico apaixonado e elegante. Usei cores quentes (amarelo, laranja e verde limão) que dialogam com o figurino que o Silveira levará para os shows”, revela Érika.
À frente da coordenação e do figurino, Jéssika Rabello destaca que o lançamento é fruto de um amadurecimento do coletivo AfroAfetos, que desde 2023/2024 amplia sua ocupação nos carnavais de Campo Grande. Para “Dia Nublado” o conceito estético rompe com visões limitantes e aposta na ancestralidade comorealeza.Como coordenadora, ela acompanha desde os ensaios até a escolha das cores e modelos, garantindo que o figurino acompanhe a dinâmica da música.
“Geralmente a cultura preta é associada apenas à periferia, mas nosso projeto projeta um mundo de conquistas e de realeza.Queremos mostrar um mundo de conquistas e projetos. Acompanho os ensaios para entender o movimento da música e alinhar as cores e modelos ao sentimento da faixa” afirma Jéssika.
Silveira destaca que a identidade visual de “Dia Nublado” nasce da mesma proposta artística que guia sua música, unindo referências do Arlequim e da ancestralidade em uma linguagem integrada. A capa e o figurino fazem parte do conceito de seu primeiro álbum de estúdio, previsto para este ano, no qual diferentes expressões artísticas se conectam.
“Eu penso a música junto com outras artes. Tudo começa no som, depois vira roupa e, por fim, se transforma em cores, que resultam na imagem da capa e na estética que levo para o palco”.
Como um artista preto e LGBTQIAPN+, Silveira aposta em uma letra universal sobre afetos. “Essa música está aberta a uma identificação diversa. Acredito que todos poderão se identificar com esse sentimento-ação que atravessa tanto a neblina quanto o sol de verão”, conclui o cantor.
A faixa tem interpretação e composição assinadas por Silveira, com produção executiva de Ricardo Lourenço. A produção musical e os arranjos são de Ton Alves, que também integra o time de músicos ao lado de Pedro Fernandes (piano), Kinho Guedes (baixo), Maurício Piri (percussão) e Marcus Loyola (bateria). A coordenação do projeto é de Jéssika Rabello, e a arte da capa foi criada por Érika Pedraza. Quer uma prévia do novo single? Acesse o site https://www.silveirasoul.com/
Serviço: O single “Dia Nublado” será lançado no dia 12 de fevereiro de 2026 e estará disponível em todas as plataformas digitais, como Spotify, Deezer, Apple Music e YouTube. Para acompanhar novidades e a agenda de apresentações de carnaval em Campo Grande, o público pode seguir o artista nas redes sociais pelo perfil @silveira.oficial.
Amanda Ferreira