Corixo Cineclube estreia programação com filmes premiados fora do circuito

Foto: Divulgação
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O Cineclube exibe os premiados “Amarela” e “A Natureza das Coisas Invisíveis”

 

O Corixo Cineclube anuncia sua programação para 2026, consolidando-se como um importante espaço de exibição, reflexão e formação em torno do cinema brasileiro em Campo Grande–MS. A iniciativa é realizada a partir da parceria entre o Teatro do Mundo e a Corixo Produções, com curadoria do cineasta Dannon Lacerda, e tem como foco a exibição de obras que não integraram o circuito comercial de cinemas da capital sul-mato-grossense.

O projeto apresentará sessões mensais com uma programação dedicada a curtas e longas-metragens brasileiros, seguida de debates abertos ao público. A proposta é ampliar o acesso ao cinema nacional, estimular o pensamento crítico e fortalecer o diálogo entre obras, realizadores e espectadores.

Além das sessões regulares, o Corixo Cineclube prevê ao longo do ano a realização de palestras, cursos e encontros com realizadores locais, bem como eventos especiais, como a tradicional Noite do Oscar. O projeto se firma, assim, como um espaço contínuo de formação, troca e valorização do audiovisual brasileiro, com atenção especial à produção regional.

O cineclube nasce da necessidade de ampliar os espaços de exibição e debate do cinema brasileiro fora do circuito comercial, especialmente em Campo Grande, onde a produção audiovisual tem crescido de forma significativa, mas ainda enfrenta a escassez de espaços regulares de difusão e formação de público. A parceria entre o Teatro do Mundo e a Corixo Produções potencializa o alcance da iniciativa ao unir tradição cultural, experiência em formação de plateia e atuação consistente no audiovisual.

Ao promover sessões comentadas, encontros com realizadores, palestras e atividades formativas, o Corixo Cineclube contribui para a democratização do acesso à cultura, o fortalecimento da identidade audiovisual brasileira e o estímulo à produção local, criando um ambiente de pertencimento e aproximação do público com as múltiplas linguagens, temas e estéticas do cinema brasileiro contemporâneo.

Programação 2026

O Corixo Cineclube realizará sessões ao longo de 2026, sempre na última quarta-feira de cada mês, às 19h, no Cineteatro Estação, na sede do Teatro do Mundo, em Campo Grande–MS, com exceção do mês de novembro, período dedicado à realização do Festival Curta Campo Grande.

A programação do primeiro semestre de 2026 contará com o apoio da Vitrine Filmes, uma das principais distribuidoras do cinema brasileiro contemporâneo, que já foi parceira do Corixo Cineclube no ano anterior, quando foram exibidos os filmes ‘Baby’, ‘O Lobo Atrás da Porta’ e ‘O Último Azul’.

Nesta quarta-feira (28), o projeto dá o ponta pé inicial, com exibição do premiado longa-metragem ‘A Natureza das Coisas Invisíveis’, de Rafaela Camelo. A sessão será antecedida pelo curta ‘Amarela’, de André Hayato Saito.

Para o jornal O Estado, Dannon Lacerda explicou que a curadoria parte de mostrar obras de fora do circuito comercial, optando por escolher filmes que se destaquem por sua relevância temática, qualidade artística, trajetória em festivais e, principalmente, pela capacidade de gerar diálogo e reflexão com a sociedade campo-grandense.

“Diferente do circuito comercial, nossa proposta não é apenas entreter, mas provocar, ampliar repertórios e estimular novos olhares sobre questões do mundo contemporâneo. Ao mesmo tempo, há uma preocupação constante em manter um diálogo efetivo com o público, evitando filmes excessivamente herméticos ou restritos a nichos muito específicos. Temos um interesse especial por narrativas ligadas a grupos historicamente minorizados, entendendo o cineclube como um espaço de visibilidade, escuta e circulação dessas histórias”.

O longa ‘A Natureza das Coisas Invisíveis’, que já levou prêmio da crítica na Mostra de São Paulo e melhor filme no Mix Brasil, retrata duas crianças se conhecem enquanto aguardam no hospital notícias difíceis sobre pessoas que amam. Glória, que acompanha a mãe internada, e Sofia, que visita à avó doente, constroem uma amizade delicada e profunda em meio aos corredores, salas de espera e pequenos rituais do cotidiano hospitalar. Enquanto observam o mundo dos adultos, marcado pelo silêncio, pela dor e pela expectativa, as meninas inventam suas próprias formas de compreender a vida, a morte e aquilo que não pode ser visto, mas é intensamente sentido. Com sensibilidade e poesia, o longa retrata a infância como espaço de resistência, imaginação e afeto, revelando como os vínculos humanos podem transformar a experiência da perda em aprendizado e esperança.

Produzido por uma equipe de ascendência asiática, o curta ‘Amarela’ estreou na competição oficial do Festival de Cannes 2025, faz parte de uma trilogia do diretor e já acumula prêmios e indicações no Brasil e no exterior, integrando a shortlist do Oscar 2026. O curta narra um episódio de racismo na escola, onde uma menina nipo-brasileira confronta a dor do silenciamento e inicia um delicado processo de afirmação de identidade. O curta aborda a infância, o preconceito e a busca por pertencimento com sensibilidade e força emocional.

“Os dois filmes selecionados para o cineclube em janeiro possuem trajetórias muito consistentes em festivais nacionais e internacionais, o que já indica sua relevância artística. ‘Amarela’ integrou a mostra competitiva principal de Cannes e esteve entre os quinze títulos da shortlist do Oscar, além de circular por diversos festivais e premiações. ‘A Natureza das Coisas Invisíveis’ estreou no Festival de Berlim, recebeu o prêmio da crítica na Mostra de São Paulo e conquistou os principais prêmios do Festival Mix Brasil, entre outros reconhecimentos. No entanto, a escolha não se baseou apenas nesse percurso, mas sobretudo na potência de diálogo dessas obras com o público local”, destacou o curador.

Projeto

Exibido no Teatro do Mundo, a parceria foi firmada ali, no dia-a-dia e na recepção do público durante o Festival Curta Campo Grande. “Trata-se de um espaço pensado como centro cultural, que abriga diferentes linguagens artísticas e possui uma estrutura acolhedora, localizada em região central, com fácil acesso ao transporte público e um café que naturalmente convida à permanência e à conversa após as sessões”, pontou Dannon.

Ele ainda comenta que um espaço como o Teatro do Mundo preenche uma lacuna deixada pelo cinema de rua: a do poder de fortalecer o coletivo, a experiência cultural, promovendo o encontro, troca e debate. “Campo Grande já não conta mais com cinemas de rua, que historicamente cumprem um papel fundamental na formação de plateias justamente por extrapolarem o momento da exibição. A Estação Teatro do Mundo acaba suprindo, em parte, essa lacuna”.

Além das sessões mensais, o projeto prevê debates, palestras e encontros com realizadores, o que Dannon acredita ser fundamental para a formação de profissionais e plateias. “O audiovisual de Mato Grosso do Sul vive um momento positivo, impulsionado por políticas públicas federais e pelo surgimento de novos festivais, mas a consolidação desse crescimento passa necessariamente pela formação contínua dos realizadores, estimulando o aprimoramento técnico, estético e o surgimento de novas linguagens. Paralelamente, é essencial investir na formação de público, criando espectadores cada vez mais críticos, interessados e engajados. Produção e plateia precisam caminhar juntas para que o audiovisual local se fortaleça de maneira sustentável”, finaliza.

Serviço: O Corixo Cineclube é realizado na última quarta-feira de cada mês, às 19h, na Estação Cultural Teatro do Mundo (Rua Barão de Melgaço, 177, Centro de Campo Grande). A programação do dia conta com exibição de curta, longa-metragem e debate ao final.

 

Por Carolina Rampi

 

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