Confete, glitter e fantasia: o Carnaval de 2026 vem aí!

Foto: Reprodução redes sociais
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Escolas de samba da Capital se preparam para mais um desfile, com novos enredos e novidades

Já comece a pensar na fantasia, porque os preparativos para o Carnaval em Campo Grande estão a todo vapor! Desde essa semana, algumas escolas de samba já realizaram seu primeiro ensaio e os desfiles já tem data marcada para começar: 16 de fevereiro.

Com o tema ‘O Sonho Não Pode Acabar’, serão sete escolas de samba desfilando nos dias 16 e 17 de fevereiro, na Praça do Papa, na ‘Passarela do Samba’, estrutura montada para receber a festa, que passou por uma melhora, pensada após o Carnaval do ano passado, conforme o presidente da Lienca (Liga das Entidades Carnavalescas de Campo Grande), Alan Catharinelli.

“A gente já tem uma estrutura básica, mínima, que é montada lá na nossa Passarela do Samba, né? E a gente não tem, assim, muitas novidades. O que a gente tem é o aprimoramento de toda a parte estrutural, física e também das pessoas que trabalham com a gente”, afirmou Catharinelli.

Um dos pontos centrais desse aprimoramento está na logística de circulação dos componentes após o fim dos desfiles, questão observada atentamente no Carnaval de 2025. A organização estuda novos mecanismos para tornar esse fluxo mais ágil e seguro, evitando a passagem dos desfilantes pelo meio da avenida. “Nós vamos dar uma melhorada nessa parte, para que os desfilantes, quando terminam de desfilar, ou vão para as arquibancadas ou retornem para a concentração, sem passar no meio da avenida”, explicou. Ele também reforçou que será mantida uma das mudanças mais elogiadas do último ano: “Uma das grandes novidades que tivemos no Carnaval de 2025 foi o fechamento da Passarela do Samba para uso exclusivo dos desfiles, e isso aí a gente vai permanecer, porque foi muito bacana”. Além disso, a Liga percebeu um aumento de público nos últimos anos, portanto, mais arquibancadas serão instaladas para o desfile e a passarela também recebera nova pintura e melhora na iluminação.

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Preparativos e enredos

Quem pensa que as escolas de samba só começam a organizar seu desfile a partir de janeiro, está muito enganado. Segundo Alan, é no começo do ano que as escolas se concentram ainda mais, com ensaios e confecções finais, por exemplo.

“Cada escola de samba está localizada numa região, num bairro, e ali o envolvimento das comunidades é muito importante. E isso aí é muito bacana para que a escola possa vir desenvolver o seu enredo, desenvolver o seu desfile com aquilo que planejou”, reforçou o presidente.

Esse ano, os enredos variam desde homenagens a políticos sul-mato-grossenses até a literatura infantil de Monteiro Lobato. No ano passado, a GRES Unidos da Vila Carvalho foi a grande campeã, com o enredo “A força de Dona Inês”, matriarca da escola. Este ano, a agremiação trará para a passarela o tema ‘O canto da arara-azul – um elo entre Pantanal e Amazônia, um chamado à vida’.

A ave será a protagonista da escola, que joga luz para questões ambientais brasileiras. “A arara amazônica clama, e o Pantanal, em sua essência, escuta. A Vila Carvalho, com o canto vibrante de sua bateria e a beleza de suas cores, convoca a todos para essa jornada de consciência onde o lamento se transmuta em esperança. Que possamos ouvir não apenas o chamado das araras, mas o lamento de Gaia, a Mãe-Terra, e unir nossas vozes em defesa da vida. Que a união floresça como a mais exuberante das matas, um chamado à ação que ecoa do Pantanal à Amazônia, um chamado à vida que pulsa em cada coração, em cada ser da Terra”, explica a escola.

O GRES Deixa Falar, segunda colocada no ano passado, apresentará na Passarela do Samba em 2026 o enredo ‘Águas’, mostrando o sagrado e espiritualidade ligados a fauna e flora em Mato Grosso do Sul e no Brasil.

“Nas águas sagradas dos Orixás, onde a vida se renova e a espiritualidade se manifesta, a Deixa Falar mergulha em um universo de mistério e belezas. Véu de anil de Iemanjá, Senhora das águas, a mãe d’água protetora Oxum a dona dos rios que traz a fertilidade e beleza, celebrando a água nossa de cada dia, a nossa existência, na nossa cultura e na nossa conexão com o divino”.

Quem fechou o pódio no ano passado foi o GRES Os Catedráticos do Samba, que neste ano traz o mundo da música, envolto no som do passado, do flashback, dos vinis, da rádio e das fitas cassetes.

“A Catedráticos do Samba convida para um mergulho profundo nas décadas que marcaram gerações, amores e revoluções de alma. É o tempo em que Campo Grande inteira virava pista de dança, e qualquer lugar podia virar festa: Festa na escola. Festa na garagem. Festa no coração. Noite da Brilhantina, rock’n roll, de gel no cabelo, roupa colorida e ousadia no olhar. Quantos guardam no peito aquela sensação gostosa de nostalgia, de ter dançado até o chão com tênis All Star, de ter se apaixonado ouvindo Lionel Richie, Madonna, Roupa Nova ou RPM. Hoje, o Catedráticos do Samba é o porta-voz do passado, mas não de um passado que ficou. De um passado que ainda mora em nós”.

Já a escola Cinderela Tradição transforma a música ‘Diásporas’, dos Tribalistas, em enredo de Carnaval, retomando momentos históricos e fatos atuais, como as diásporas africanas, judaicas e no oriente médio, até a crise envolvendo os venezuelanos.

“Olhai por nós, é um grito de resistência, não podemos deixar que as diásporas fiquem apenas na história. Precisamos dar um basta para que o futuro não repita o passado”.

A literatura e criações do escritor brasileiro Monteiro Lobato serão o mote criativo da Unidos do Cruzeiro este ano, que traz o tema ‘Emília com seu pó de Pirlimpimpim nos leva ao Reino Encantado que me faz sonhar’.

“Vamos viajar em sonhos magias e voltar a ser criança, contos e fadas, rainhas, reis um universo de sonhos… Viajar nessas histórias é voltar a ser criança. Emília uma boneca serelepe, arteira, vai trazer pra passarela do samba, capitão gancho, o reino das águas claras, contos da carochinha vamos unir os maiores escritores de contos. Como Monteiro Lobato e outros que nos agraciaram com suas obras mágicas de viver um sonho”.

A senadora sul-mato-grossense Soraya Thronicke, figura marcada no Carnaval de Campo Grande, será homenageada pela Igrejinha, que apresenta o tema ‘Soraya – a Mulher que Vira Onça’, retomando a trajetória da parlamentar.

“O enredo convida o público a desfilar com escola pela força do feminino, pela justiça como missão, e pelo Brasil que ela representa com orgulho — do Pantanal às instituições, da família à liberdade de ser quem se é. Soraya representa a mulher que não se cala. Que se transforma. Que ruge quando precisa. E que samba com a nossa Igrejinha”.

Já a ARESM Herdeiros do Samba traz para este ano uma homenagem ao Instituto Aciesp, responsável por acolher e apoiar mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. “O Instituto ACIESP foi fundado em 2009 é uma organização social que nasceu com o propósito de transformar vidas e construir um futuro melhor para as mulheres, crianças e idosos em situações de vulnerabilidade. Tem como Presidente e fundadora Ceurecy Fátima, que foi além e expandiu o instituto por meio de parcerias e com apoiadores capacitados passou a oferecer cursos profissionalizantes capacitando as acolhidas e a comunidade com cursos diversos, recreação e ensino às crianças”, destacou a escola.

União da comunidade

O presidente da Lienca ressaltou que a festa se desdobra ao longo de todo o ano, funcionando como um verdadeiro motor comunitário e econômico. “Quando termina um carnaval, logo já se cria, já se planeja o próximo. As escolas de samba funcionam o ano inteiro, realizam eventos para angariar recursos e promovem oficinas de passista, bateria, costura e até da parte administrativa”, explicou. Segundo ele, esse envolvimento contínuo fortalece as comunidades e gera trabalho e renda, especialmente no período próximo aos desfiles, quando muitas famílias contam com uma renda extra. Em 2025, de acordo com a organização, cerca de “27 milhões de reais foram injetados na economia do município durante os festejos carnavalescos”.

Sobre a mensagem que o Carnaval 2026 pretende transmitir ao público, Alan destacou a ideia de continuidade, crescimento e valorização de uma tradição construída ao longo de décadas na Capital. “O carnaval de Campo Grande está em ascensão, está em crescimento, e a cada ano a mídia e os órgãos públicos têm reconhecido esse trabalho sério, que agrega valores culturais e sociais”, afirmou. Ele lembrou ainda que o desfile das escolas de samba acontece na cidade desde a década de 1960 e que um dos maiores sonhos da comunidade carnavalesca é a construção de um sambódromo definitivo. “O nosso sonho jamais vai acabar. A gente quer um espaço fixo, um centro cultural de múltiplo uso, que permita oficinas e atividades durante o ano inteiro”, disse, reforçando que o objetivo para 2026 é realizar “um grande carnaval, com segurança, alegria e acolhimento para as famílias e foliões”.

 

Por Amanda Ferreira e Carolina Rampi

 

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