Lúcia Martins Coelho Barbosa levou elementos típicos do Estado em 20 telas
A artista Lúcia Martins Coelho Barbosa realizou na última semana mais uma temporada da exposição ‘Do Pantanal para a Ilha 2’, em Florianópolis–SC, e levou elementos típicos de Mato Grosso do Sul em 20 telas, após uma temporada de sucesso em agosto de 2025.
Reconhecida internacionalmente, especialmente pelas pinturas de onças-pintadas, sua marca registrada, Lúcia construiu uma trajetória sólida ao longo de 41 anos nas artes visuais, marcada por pesquisa, identidade regional e profunda relação com a fauna brasileira.
Lúcia levou para a nova exposição seis telas inéditas e outras peças de sucesso de seu acervo, que já expôs em sete países e quatro estados brasileiros. “O nome ‘Do Pantanal para a Ilha’ veio da ideia de apresentar o Pantanal para um novo público que está conhecendo meu trabalho, e para isso coloquei nas telas elementos como as flores de aguapé, as árvores do Cerrado, as onças, que são meu carro-chefe”, resume Lúcia.
Outro elemento regional incorporado nos quadros é a renda nhanduti, um bordado artesanal tradicional do Paraguai cujo nome significa “teia de aranha” em guarani, uma referência à sua aparência delicada e intrincada, utilizada normalmente em peças decorativas e roupas. Ao todo, foram vários meses de preparação para a exposição, em um longo processo de produção e ressignificação de obras, utilizando as técnicas pastel sobre papel e acrílico sobre tela.
As obras que compõe essa exposição vão refletindo lugares, flores, animais, que talvez as pessoas não prestem atenção no dia a dia, mas que saem do comum. Elas são um resumo do que Lúcia olha, vive e o que acha importante em MS para o Brasil e para o mundo. A mostra reúne obras que retratam a onça-pintada como símbolo de força, ancestralidade e preservação, convidando o visitante a mergulhar no imaginário pantaneiro e nas camadas poéticas que permeiam a trajetória da artista.
Para Lúcia, a arte é como um portão de entrada para um novo mundo, nesse caso o Pantanal, Mato Grosso do Sul. “O Pantanal não é margem: é centro de novas narrativas. É daqui que falamos ao mundo. O que eu gostaria que essa minha exposição causasse é até um certo espanto de ver que aqui também tem gente que faz arte, e nada melhor do que se apresentar quando alguém já tem curiosidade de te conhecer”, completa.
“Eu vivo para a arte, se eu não tivesse essa profissão, esse dom de colocar nas telas minhas emoções, meus sentimentos, talvez eu não tivesse nenhuma utilidade para a sociedade. A arte é, acima de tudo, questionadora. O que eu sinto como artista plástica há mais de 45 anos é que estamos ainda abrindo caminho para os artistas que virão. Gostaria muito que o artista fosse respeitado, fosse aceito, fosse útil, pois a arte alimenta a alma”, finaliza a artista.
Carolina Rampi