Thriller futurista coloca inteligência artificial no centro do sistema judiciário e questiona até onde a tecnologia pode decidir o destino humano
Os cinemas brasileiros recebem a partir desta quinta-feira (22) o longa “Justiça Artificial”, uma produção que mistura suspense, ação e ficção científica ao explorar os limites entre tecnologia, poder e justiça em um futuro dominado por sistemas inteligentes.
Ambientado em uma Los Angeles projetada para o ano de 2029, o filme acompanha a corrida desesperada de um detetive que precisa enfrentar um julgamento inédito e implacável: sua culpa ou inocência será decidida por uma inteligência artificial, em um prazo extremamente curto, onde cada minuto pode significar vida ou morte.
Dirigido por Timur Bekmambetov e estrelado por Chris Pratt, Rebecca Ferguson e Annabelle Wallis, o longa apresenta um cenário em que a automação ultrapassou o controle humano, colocando decisões extremas nas mãos da tecnologia. Acusado de um crime brutal contra a própria esposa, o protagonista precisa usar sua inteligência, memória e argumentos para convencer o mesmo sistema que ajudou a legitimar no passado, enquanto o tempo avança de forma implacável.

Foto: reprodução
Produção
Rebecca Ferguson e Chris Pratt destacaram, em entrevista, para o MovieZine que Justiça Artificial vai além de um thriller futurista e propõe uma reflexão direta sobre o impacto da tecnologia nas decisões humanas. Segundo os atores, o filme levanta questionamentos atuais sobre confiança, controle e responsabilidade, temas que já fazem parte do cotidiano, mas que ganham contornos extremos na narrativa ambientada em um futuro próximo.
Chris Pratt comentou que interpretar um personagem julgado por uma inteligência artificial trouxe desafios diferentes dos papéis de ação aos quais o público está acostumado. Para o ator, a tensão do longa não está apenas nas cenas físicas, mas no desgaste emocional de um homem que precisa revisitar escolhas passadas enquanto luta contra um sistema que não demonstra empatia nem margem para erro.
Já Rebecca Ferguson ressaltou que o filme provoca o espectador ao mostrar como a tecnologia, quando colocada acima do julgamento humano, pode se tornar fria e implacável. A atriz afirmou que sua personagem atua como um contraponto dentro da história, ajudando a ampliar o debate sobre ética, poder e as consequências de delegar decisões irreversíveis a máquinas.
Ambos concordaram que Justiça Artificial dialoga diretamente com discussões contemporâneas sobre inteligência artificial, vigilância e justiça automatizada. Para o elenco, o longa não oferece respostas fáceis, mas convida o público a sair da sala de cinema refletindo sobre até que ponto a sociedade está preparada para entregar seu destino a sistemas criados por ela mesma.

O elenco: Rebecca Ferguson e Chris Pratt são Judge Maddox e Detetive Chris Raven em um futuro dominado por sistemas – Foto: reprodução
Distopia
Em conversa com o site BlackTreeTv, Chris e Rebecca observam que, embora a situação apresentada no filme seja extrema, a ideia de sistemas automatizados tomando decisões de vida ou morte não está completamente fora do alcance da realidade, dada a crescente influência da tecnologia em nossas vidas.
Rebecca, por outro lado, compartilha uma perspectiva mais crítica sobre a introdução de IA nos tribunais, especialmente quando se trata de sentenças irreversíveis. Ela questiona o impacto emocional de depender de uma máquina para decidir sobre a vida de uma pessoa, refletindo sobre como, mesmo no mundo real, a tecnologia continua a surpreendê-la, embora tenha reservas em aceitar essa dependência.
Ferguson destaca que a ideia de um sistema totalmente automatizado na justiça traz um dilema ético profundo, desafiando a noção de que a humanidade deve confiar em sistemas impessoais para resolver questões tão complexas como a culpabilidade.

Foto: reprodução
Julgamento Humano
Chris complementa a visão de Ferguson, ponderando sobre a possibilidade de um sistema judicial onde a IA determina a culpa com base em dados objetivos, sem a intervenção do julgamento humano. Ele sugere que a aceleração tecnológica poderia levar a uma “solução final” mais simplificada, onde a certeza da culpa, respaldada por evidências e dados irrefutáveis, levaria a decisões rápidas e implacáveis.
Embora ele reconheça que esse tipo de sistema poderia, em teoria, ser um dissuasor para crimes, também enfatiza os riscos de desumanizar o processo de julgamento, onde a falibilidade humana é muitas vezes o único fator que pode corrigir injustiças.
O bate-papo se encerra com uma reflexão mais filosófica sobre o futuro da justiça. Rebecca sugere que, embora a IA seja uma ferramenta poderosa, não podemos deixar que ela substitua completamente o julgamento humano, especialmente quando se trata de questões morais e éticas. Ambos concordam que, enquanto a tecnologia pode ajudar a resolver casos complexos, ela nunca deve perder de vista a nuance da experiência humana.
O filme, portanto, não apenas questiona a validade de sistemas automatizados, mas também serve como um alerta sobre o que pode acontecer quando as máquinas começam a fazer escolhas que deveriam ser baseadas em empatia, ética e compreensão, algo que a IA, por mais avançada que seja, ainda está longe de alcançar.
Por Amanda Ferreira
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