Uma comitiva de deputados da base do governo federal embarcou nesta semana para os Estados Unidos em uma missão oficial que ocorre em meio ao aumento da tensão comercial entre os dois países. A viagem coincide com o anúncio do governo norte-americano de uma proposta para aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano.
Embora a agenda já estivesse prevista anteriormente, o contexto ganhou relevância após a divulgação da medida pelo governo do presidente Donald Trump. Segundo informações, os parlamentares pretendem aproveitar a visita para ampliar o diálogo com autoridades americanas e representantes de organismos internacionais.
A programação inclui reuniões com a embaixadora dos Estados Unidos em Washington e com embaixadores vinculados à Organização dos Estados Americanos. Os encontros devem abordar temas relacionados à democracia, cooperação internacional e ao fortalecimento das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
Além disso, a comitiva também deve se reunir com integrantes do Partido Democrata e membros do Congresso americano para estreitar laços institucionais e ampliar os canais de diálogo político entre os dois países.
Participam da comitiva os deputados Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Pedro Campos (PSB-PE), Pedro Uczai (PT-SC) e André Janones (PSOL-Rede).
Senado avalia enviar nova comitiva
A discussão sobre as tarifas também mobiliza o Senado. Nesta terça-feira (2), o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores, afirmou que o colegiado avalia a possibilidade de enviar uma missão de senadores aos Estados Unidos.
Segundo o parlamentar, a medida poderá ser adotada caso seja necessário defender os interesses brasileiros, especialmente dos setores do agronegócio e da indústria. Apesar da sinalização, ainda não há confirmação oficial sobre o envio da comitiva.
Também nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que espera um telefonema de Donald Trump para discutir a proposta de taxação.
Lula afirmou que os dois governos haviam concedido um prazo para que ministros negociassem alternativas para temas comerciais e defendeu a continuidade das tratativas diplomáticas. O presidente ressaltou que o Brasil está disposto a discutir qualquer assunto de interesse bilateral, desde que haja respeito mútuo nas negociações.
Durante declaração à imprensa, Lula também classificou o possível tarifaço como uma medida precipitada e voltou a defender o Pix, apontado pelo governo americano como um dos temas analisados na investigação comercial.
Pix e Amazônia estão entre os argumentos dos EUA
A proposta de sobretaxa surgiu após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. O órgão avaliou políticas brasileiras que, segundo o relatório, poderiam representar obstáculos ao comércio americano.
Entre os pontos citados estão o sistema de pagamentos Pix e questões relacionadas ao desmatamento na Amazônia. O relatório sugere a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, embora preveja algumas exceções.
A medida foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para investigar práticas consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano.
Governo brasileiro poderá apresentar defesa
Antes da entrada em vigor das tarifas, prevista para 15 de julho, o governo americano abriu um período de consulta pública para que o Brasil apresente argumentos e conteste a proposta.
A expectativa é que as próximas semanas sejam marcadas por intensas negociações diplomáticas entre os dois países, em uma tentativa de evitar impactos sobre as exportações brasileiras e preservar a relação comercial entre duas das maiores economias do continente.
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