Pantaneiras decidem classificação no Amazonas

Jogadoras do Pantanal, ontem, viajam para jogo decisivo de Brasileiro A3 - Foto: Nilson Figueiredo
Jogadoras do Pantanal, ontem, viajam para jogo decisivo de Brasileiro A3 - Foto: Nilson Figueiredo

Após 4 a 1 na ida, ordem na equipe de Campo Grande é não ‘sentar na vantagem’

 

 

A equipe Pantanal embarcou ontem (29) para enfrentar o Peñarol-AM, pelo jogo de volta das oitavas de final do Brasileiro Feminino A3. O confronto acontece amanhã (31) no Estádio Floro de Mendonça, em Itacoatiara (AM), às 15h – o Amazonas tem o mesmo fuso-horário de Mato Grosso do Sul.

Após vencer por 4 a 1 no jogo de ida, no último dia 17 no Estádio Jacques da Luz, o time pode até perder por dois gols de diferença e ainda assim garantir a classificação — uma derrota por três gols leva a decisão da vaga para os pênaltis.

“Não vamos pensar que, por causa do 4 a 1, a classificação já está ganha. Vamos buscar o jogo, sim”, afirmou à reportagem de O Estado a técnica Jaque Corrêa, reforçando a linha adotada ao longo de toda a preparação.

Pé na estrada

A longa viagem até o interior do Amazonas — que incluiu uma escala de voo em São Paulo e um trajeto de 4h30 de ônibus, de Manaus até Itacoatiara — e o desgaste acumulado da temporada exigem ajustes. “A ideia é trocar mais ou menos uns 30% da equipe. Algumas atletas treinaram bem, e outras precisam de minutagem”, explicou a treinadora, antes do embarque, na manhã de sexta-feira, no Aeroporto Internacional de Campo Grande.

De 2022, quando o Brasileiro A3 foi disputado pela primeira vez, até 2024, o formato do torneio era inteiramente em mata-mata — e, nessas três edições, o Operário, representante do Estado, foi eliminado ainda na primeira fase (16 avos de final).

Em 2025, o campeonato passou a ter um novo regulamento, com fase de grupos antes do mata-mata, que começava nas oitavas. O Operário conseguiu avançar e chegou até as quartas de final, sendo eliminado pelo Vila Nova-GO, na melhor campanha de um clube sul-mato-grossense na competição.

Coincidência positiva

É justamente nesse recorte que surge uma coincidência direta com o momento vivido pelo Pantanal. Nas oitavas de final daquele ano, o Operário – atualmente sem atividade no futebol feminino – também enfrentou uma equipe do Norte do país (o Galvez-AC), decidiu a vaga fora de casa e levou para o jogo de volta uma vantagem de três gols construída na ida, quando venceu por 3 a 0 — cenário praticamente idêntico ao atual.

A diferença, agora, está na forma como o Pantanal tenta controlar esse contexto. “A gente sabe que é um grande desafio manter o grupo focado, principalmente em um jogo que muita gente considera praticamente ganho”, destacou Jaque. “Trabalhamos isso diariamente com elas, tanto na concentração quanto na responsabilidade.”

A resposta dentro de campo, até aqui, tem sido positiva, especialmente pela disciplina tática — um dos pontos altos da equipe na primeira partida. “O que eu mais gostei foi a obediência tática e a execução das ideias. Isso mostra que estamos evoluindo jogo a jogo”, avaliou.

Fator emocional também pesa

A amazonense Deise nasceu em Rio Preto da Eva, a 210 km de Itacoatiara. “Voltar para casa é sempre bom. Poder ver minha família deixa o coração mais quentinho”, contou. Ainda assim, ela reforça que o foco competitivo prevalece. “Não estamos indo ‘sentadas no resultado’. Estamos indo com pensamento de 0 a 0.”
A fala sintetiza o espírito do elenco, que tenta equilibrar confiança e cautela. “Sabemos que o futebol é uma caixa de surpresa”, completou a atacante, autora de um dos quatro gols no jogo de ida.

A lateral Camila Belém também destaca a necessidade de atenção máxima, mesmo com a vantagem. Carregando no apelido o nome da capital do Pará, onde nasceu, ela é outra que retorna ao Norte do país e aponta fatores como clima e pressão do adversário como elementos adicionais.

“Oxi, o Norte é quente. Mas, apesar da adversidade, nós estamos preparadas. A gente está confiante, mas sabe que jogo é jogado. A qualquer momento alguém pode fazer gol, e a gente não pode relaxar”, afirmou. “Respeitamos o adversário, mas, se for para matar o jogo, vamos matar.”

 

Por Ricardo Prado

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