Gaeco cumpriu mandados em Campo Grande, Ribas do Rio Pardo e Rio Pardo após investigação apontar favorecimento ao tráfico, desvio de drogas apreendidas e ameaças a devedores
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (28), operação para combater crimes praticados por policiais que envolviam favorecimento ao tráfico de drogas e agiotagem, em Ribas do Rio Pardo.
A ação ocorreu após aval do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), depois de denúncias recebidas pela Promotoria de Justiça do município envolvendo a 13ª Companhia Independente da Polícia Militar.
Conforme as investigações, iniciadas nos primeiros meses de 2025, denúncias indicaram que policiais militares lotados na referida companhia estariam associados a traficantes locais com o objetivo de auxiliar na venda de entorpecentes.

Imagem Divulgação
Ainda conforme o MPMS, a inteligência atuou por 14 meses no levantamento do caso e indicou que os agentes públicos protegiam os criminosos com quem mantinham parceria, permitindo o comércio de drogas livremente e usando violência contra desafetos dos traficantes ligados ao grupo.
Consta que eles forneciam drogas para que os comparsas vendessem os entorpecentes, recebendo posteriormente parte dos lucros. A atividade ilícita, de acordo com o MPMS, envolvia ainda o repasse de substâncias apreendidas em flagrantes, que eram desviadas.
Os policiais recebiam informações dos “sócios”, que indicavam onde estava a mercadoria ilícita para favorecer ações policiais com o objetivo de desviar os entorpecentes.
Desdobramentos
Alguns dos policiais investigados foram flagrados cobrando dívidas entre terceiros, atuando como agiotas. Segundo as investigações, eles eram contratados para ameaçar devedores utilizando o cargo na segurança pública.
Operação
A operação cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão domiciliar em Campo Grande, Ribas do Rio Pardo e Rio Pardo, com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Estado.
O nome da operação faz referência ao deus romano de duas faces, Janus, e simboliza a inversão de papéis verificada na investigação, em que policiais ostentavam a representação estatal perante a sociedade, mas agiam de forma criminosa nos bastidores.
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