Além de Catan, pré-candidatos de partidos como Novo e Missão usam arrecadação online para financiar ações eleitorais
Com a autorização da Justiça Eleitoral para o início das campanhas de financiamento coletivo nas eleições de 2026, pré-candidatos de Mato Grosso do Sul já começaram a recorrer às chamadas “vaquinhas virtuais” para arrecadar recursos e impulsionar projetos políticos antes mesmo do período oficial de campanha.
Uma das plataformas utilizadas para as vaquinhas é o Quero Apoiar. De acordo com o site, o nome no Estado que mais arrecadou até o momento foi o pré-candidato ao governo do Estado João Henrique Catan. Com 62 apoiadores, o deputado estadual soma R$ 13.318 em doações, com meta de R$ 500 mil.
Conhecido pela atuação de oposição ao governo estadual na Assembleia Legislativa, Catan afirma que a campanha busca independência financeira e política. “Essa vaquinha representa muito mais do que arrecadação financeira. Ela representa um movimento popular de pessoas que estão cansadas de ver Mato Grosso do Sul nas mãos de um sistema que se apoderou das estruturas do Estado para beneficiar sempre os mesmos grupos”, declarou.
O parlamentar também relaciona a arrecadação ao descontentamento de servidores públicos e categorias ligadas à segurança pública e saúde. “Em vez de depender de grandes financiadores, contratos obscuros ou grupos econômicos, escolhemos construir uma campanha financiada pelo povo, com doações do povo, para servir o povo”, afirmou.
Outro partido que passou a apostar nas arrecadações online é o Missão, legenda criada no fim de 2025 e que disputa pela primeira vez uma eleição geral. Sem estrutura consolidada e com fundo eleitoral reduzido, os pré-candidatos da sigla têm utilizado as vaquinhas como principal forma de financiamento das pré-campanhas.
Pré-candidato a deputado federal pelo Missão, o advogado, professor universitário e ex-oficial do Exército Rodrigo Correa do Couto arrecadou R$ 358, com 11 doações registradas até o momento. Segundo ele, a entrada na política ocorreu em razão do cenário político estadual e de denúncias recentes envolvendo corrupção.
“O Partido Missão não tem fundo eleitoral, foi criado agora em novembro de 2025 e a gente precisa dessa vaquinha para viabilizar o meu projeto de pré-campanha e posterior campanha”, afirmou.
Rodrigo também disse que pretende utilizar os recursos para percorrer cidades do interior e discutir temas ligados à infraestrutura, segurança e impactos econômicos da Rota Bioceânica em Mato Grosso do Sul.
Também pelo Missão, o estudante Lucas Vendite, pré-candidato a deputado federal e morador de Ponta Porã, arrecadou R$ 190, com quatro doadores. O jovem afirma que a candidatura surgiu da falta de representatividade percebida entre eleitores mais novos.
“Muita gente da minha geração olha para a política hoje e não se sente representada. Olhamos para Brasília e vemos pessoas que muitas vezes estão há décadas no poder, mas completamente distantes da realidade de quem precisa trabalhar, empreender e construir uma vida no Mato Grosso do Sul”, declarou.
Vendite também comparou a disputa eleitoral entre partidos menores e siglas tradicionais a uma “disputa entre Davi e Golias”, citando a ausência de grandes estruturas partidárias e de recursos eleitorais.
Já o pré-candidato a deputado estadual pelo Missão, Mateus Quadros, ainda não havia registrado doações até o fechamento desta reportagem, apesar da meta de R$ 1 mil estabelecida na plataforma. Natural de Paranhos e morador de Dourados, o candidato afirma que pretende focar em fiscalização do poder público e projetos voltados à educação financeira e infraestrutura.
“O motivo da abertura da minha vaquinha é ajudar no financiamento da minha pré-campanha. Como não disponho de muitos recursos e estou em um partido recentemente criado, qualquer aporte em apoio será de grande ajuda”, afirmou.
A pré-candidata a deputada estadual Kellyanne Correa (Missão), que arrecadou R$ 35 com duas doações, também afirma que a arrecadação coletiva surgiu da necessidade de viabilizar uma campanha fora das estruturas tradicionais da política.
“A vaquinha surgiu justamente dessa necessidade, mas também da confiança de que existem muitas pessoas, assim como eu, inconformadas com a política atual e dispostas a contribuir para construir algo diferente”, declarou.
Apenas o Novo e o Missão que utilizam da plataforma para alavancar as candidaturas. Além de Catan, Miriam Gimenez se destaca pelas doações, com R$ 1.150 divididos entre dez apoiadores, sendo a segunda pré-candidata com maior total arrecadado.
Entenda as doações
A modalidade passou a ser permitida a partir desta sexta-feira (15), conforme prevê a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A medida libera a divulgação das campanhas de arrecadação pela internet, mas mantém restrições como a proibição de pedido explícito de votos e propaganda eleitoral antecipada.
As doações podem ser feitas apenas por pessoas físicas, por meio de plataformas autorizadas pela Justiça Eleitoral. Apesar da arrecadação já estar liberada, os recursos só poderão ser utilizados após o registro oficial da candidatura, emissão de CNPJ de campanha e abertura de conta bancária específica. Caso a candidatura não seja formalizada, os valores deverão ser devolvidos aos doadores.
Em Mato Grosso do Sul, as vaquinhas têm sido utilizadas principalmente por pré-candidatos ligados a partidos recém-criados e outras siglas com menor acesso ao fundo eleitoral. A estratégia também tem sido apresentada como uma forma de aproximação direta com o eleitorado.
As vaquinhas virtuais têm se consolidado como uma das primeiras ferramentas de mobilização política para as eleições de 2026, especialmente entre candidaturas que buscam ampliar alcance nas redes sociais, custear viagens pelo interior do Estado e fortalecer a divulgação das pré-campanhas antes da abertura oficial do período eleitoral.
Além dos nomes citados, outros pré-candidatos também já iniciaram campanhas de arrecadação virtual no Estado. Pelo Novo, aparecem Djair Alves, pré-candidato a deputado estadual; Miriam Gimenez, pré-candidata a deputada estadual; Charles Gama, Carol Mourão, Wesley Dias e Vinicius Silverio, todos pré-candidatos a deputado federal; além de Roberto Oshiro, pré-candidato ao Senado pela legenda. Todos mantêm campanhas ativas de financiamento coletivo, com metas e valores arrecadados distintos.
Danielly Carvalho, Lucas Artur