Estabelecimentos de Campo Grande observam impcto nas vendas com o uso do método de emagrecer
O avanço do uso de medicamentos à base de GLP-1 para emagrecimento, como o Monjaro, já começa a provocar mudanças perceptíveis no comportamento de consumo em bares e restaurantes em Mato Grosso do Sul. O movimento, mais visível a partir da segunda metade de 2024, ainda está concentrado nas classes A , mas tende a ganhar escala nos próximos anos.
Segundo a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), os primeiros impactos observados no setor envolvem ajustes naturais na dinâmica do consumo. Casais passaram a dividir pratos com mais frequência, houve redução no consumo de bebidas alcoólicas em algumas ocasiões e sobremesas deixaram de ser individuais, tornando-se cada vez mais compartilhadas à mesa.
Para Alex Wastowski, gestor do Restaurante Nativas em Campo Grande, a mudança já é visível no dia a dia do restaurante. “O que percebemos é que as pessoas estão comendo menos e melhor. Elaboramos pratos mais saudáveis, com mais peixes, saladas, carnes magras e menos lasanhas ou gratinados. Muitos clientes perderam 20 ou 25 quilos e isso afeta o consumo de doces e bebidas alcoólicas. Também notamos aumento na venda de água com gás, que hoje vende tanto quanto a água sem gás”.
Já na Vaenida Bom Pastor, Vera Lucia Britez, proprietária do Bar e Restaurante Vera’s, percebe mudanças mais graduais e associadas a vários fatores: “Vemos clientes pedindo porções menores ou dividindo pratos, mas é difícil afirmar um único motivo. O que sentimos com clareza é que os consumidores estão mais cautelosos com os gastos. No Vera’s, sempre trabalhamos com meias porções, mas hoje essa opção coincide com a tendência de clientes pedirem pratos menores ou dividirem opções, como o abacaxi temperado, que tem feito sucesso.”
Consumo reflete na economia
O impacto das canetas emagrecedoras também é sentido diretamente pelos clientes. A analista Maria Eduarda Cândido, que fez uso do tratamento por cinco meses, relata: “Fiquei cinco meses com o tratamento. Eu não conseguia comer e, se comia algo gorduroso, passava muito mal.” Experiências como a de Maria Eduarda ajudam a explicar mudanças observadas pelos restaurantes, como a redução do consumo de pratos mais pesados, doces e bebidas alcoólicas, e a preferência por porções menores ou compartilhadas.
Em 2025, esse movimento começou a se ampliar com a chegada de versões mais acessíveis dos medicamentos, como fórmulas manipuladas e comprimidos, facilitando o uso e ampliando gradualmente o público consumidor. A expectativa do setor é de que, em 2026, a tendência se intensifique com o fim da patente de medicamentos líderes da categoria e a entrada de novas opções no mercado, reduzindo preços e ampliando o acesso.
Diante desse cenário, bares e restaurantes vêm promovendo ajustes estratégicos em seus modelos de negócio, como revisões de preços em rodízios de carnes e pizzas, maior flexibilidade em relação ao compartilhamento de pratos e uma leitura mais atenta do comportamento do cliente à mesa.
Para a Abrasel, o impacto não é necessariamente negativo. “Não significa que as pessoas estejam deixando de consumir nos restaurantes, mas sim mudando a forma como consomem. Em muitos casos, o cliente reduz a quantidade do prato principal, mas opta por uma sobremesa, uma bebida de maior valor agregado ou uma experiência mais sofisticada”, avalia Paulo Solmucci.
Do ponto de vista operacional, essa mudança pode contribuir para o equilíbrio financeiro dos negócios. A redução no volume de insumos por prato, combinada com ajustes de preço e novas escolhas do consumidor, tende a preservar, e até melhorar, a margem dos estabelecimentos, reforçando a capacidade de adaptação do setor às transformações de comportamento e consumo.
Dia do Consumidor
Celebrado neste domingo (15),a data tem se consolidado como uma oportunidade estratégica para todos os setores que dependem das vendas, como bares, restaurantes e supermercados, por exemplo. Além de ser uma chance para atrair novos clientes. Por isso, empresários do setor têm recorrido a ações de experiência para transformar a data em movimento rentável.
Na Capital, supermercados apostam nas oferta “leve 2 pague 1”, ofertas especiais desse tipo servem para estimular as vendas e aumentar a receita do supermercado.
Ana Krasnievicz