Com a janela partidária que se abre nesta semana, inicia-se, finalmente, os movimentos definitivos para o jogo político eleitoral. As mudanças de legendas entre os parlamentares definirão o montante final entre as legendas e quais terão maiores recursos e tempo de tela no horário eleitoral gratuito.
Em Mato Grosso do Sul, é esperado que haja uma mudança considerável no cenário partidário. O PSDB deve perder os deputados estaduais Jamilson Name, Zé Teixeira e Mara Caseiro, os três devem ir ao PL. Lia Nogueira e Pedro Caravina podem sair do PSDB, buscando uma reeleição e Catan (PL) tem um futuro incerto na sigla, buscando concorrer ao governo estadual.
Márcio Fernandes já demonstrou descontentamento com seu atual partido, o MDB. Porém não confirmou se deve sair e ir a outra coligação. Rinaldo (Podemos) já anunciou que acompanhará a irmã, Rose Modesto, no União. Paulo Duarte (PSB), indo contra a orientação do partido, apoiará a reeleição de Riedel e, portanto, sairá do atual.
O PP deve receber Jaime Verruck, chefe da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) em 30 de março, prazo final para desincompatibilização da pasta. Ele é cotado a concorrer ao cargo de deputado federal em outubro.
Entre os deputados federais, o PSDB deve contar com apenas dois para concorrer a reeleição na Câmara Federal. De acordo com Antônio Vaz, deputado estadual pelo Republicanos, há um nome já confirmado para se filiar, mas não deu detalhes sobre quem. Pelos bastidores, Beto Pereira (PSDB) deve ser o próximo a entrar.
No Senado, Soraya Thronicke (Podemos) deve ir para o PSB, buscando uma reeleição e seguindo um alinhamento político mais à esquerda. Soraya rompeu com o bolsonarismo durante a pandemia e vem compondo um discurso mais pautado em causas sociais.
Mudanças no fundo partidário
Os partidos em 2026 contarão com cerca de R$ 5 bilhões originários do FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha), conhecido popularmente como fundo eleitoral. A novidade do recurso para estas eleições são os critérios mais rígidos para o uso do financiamento.
A distribuição do dinheiro entre as legendas é realizada proporcionalmente entre aqueles que possuem maior expressão no Congresso Nacional. Partidos com mais eleitos recebem mais verba para financiar as campanhas eleitorais.
De acordo com estimativa feita pela Fundação 1° de Maio, ligado ao Solidariedade, metade do fundo será destinado ao PL, PT e a Federação PP-União. Com R$ 536 milhões destinados ao União e R$ 417 milhões, somando mais de R$ 953 milhões, a federação será a maior privilegiada. O PL segue logo em seguida, com R$ 886 milhões e depois o PT, com quase R$ 620 milhões.
Os partidos com menos recursos do fundo, com R$ 3,3 milhões cada seriam o Agir, DC, Missão, Mobiliza, PCB, PCO, PMB, PRTB, PSTU, UP. O cálculo oficial será feito pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), divulgado geralmente em junho, após a janela partidária.
O uso do dinheiro público para financiar campanhas eleitorais surgiu no contexto da Lava Jato, em 2025, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) declarar inconstitucional o financiamento empresarial. A corte entendeu que as doações de empresas influenciam economicamente o processo político.
Por Lucas Artur