Livraria conta com auxílio de apoiadores para não fechar em Campo Grande

Foto: reprodução
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Campanha ‘Sem Hámor não viverei’ irá durar 30 dias e visa a venda de livros

 

A Hámor Livraria, um dos principais pontos culturais independentes de Campo Grande, completa quatro anos de existência neste mês de fevereiro. Nascida de um sonho compartilhado entre Bianca Rezende, Felipe Mafra e Febraro de Oliveira, que entrou posteriormente como sócio, o negócio começou levando livros em praças e feiras da Capital. Em 2024, inaugurou seu primeiro espaço físico. Entretanto, a sobrevivência do local está ameaçada.

“Desde 2022 nós buscamos ser mais que uma loja/livraria. Pensamos a Hámor como um projeto que trabalha incansavelmente pela literatura, pela retomada e constância do hábito de ler, pela formação literária e intelectual das pessoas que nos acompanham. Esse é um trabalho árduo, que ocupa nosso tempo, demanda energia e bastante estudo. Em setembro de 2024, nós abrimos o espaço físico da livraria, e esse trabalho só aumentou, pois começávamos a ter a pressão do aluguel e outras contas extras que esse compromisso demanda”, disse ao jornal O Estado uma das proprietárias, Bianca Rezende.

O espaço então, é mais do que uma livraria, se tornando um local de convivência, que realiza diversas ações como debates, rodas de conversa, lançamento de livros e leituras integrais, de forma gratuita. Mas, mesmo com a casa cheia, as vendas não dão conta da demanda de se criar uma empresa, como explicaram os proprietários em nota.

“Tem problemas de gente grande batendo na nossa porta. Ficamos muito felizes com a participação, com a casa cheia: isso nos alimenta e fortalece. Porém, infelizmente, não é suficiente e estamos trabalhando de graça, o que torna o cenário um pouco desesperador. Muitas vezes, ainda que com a casa lotada em um evento, as vendas não dão conta de tudo que abrange ter uma empresa: aluguel, imposto, boleto para pagar, insumos, livros novos”.

Para evitar um possível fechamento de um espaço cultural de suma importância para a cidade, eles criaram uma campanha de benfeitoria de caráter emergencial, com objetivo de manter o projeto de pé.

A campanha irá durar apenas 30 dias: é o tempo que eles terão para bater a meta que possibilitará a livraria sair do vermelho e dar sossego para os livreiros. “Não temos falado muito desse problema, mas já é algo que está transbordando por aqui. Tudo que mais queremos é poder continuar com as nossas atividades que a galera consome e prestigia: isso é lindo, a presença é algo incrível, mas nem só de reconhecimento sentimental vive um negócio”, continua a nota.

“O principal desafio é conscientizar nossa comunidade para que compreendam a necessidade da contrapartida financeira, porque ainda que sejamos um espaço de convivência, também somos uma livraria que depende da venda de livros para pagar aluguel”, complementou Bianca.

A campanha não é voltada para doações, e sim para a compra dos livros e itens existentes no local, e contará com diversas ‘faixas de apoio’, com recompensas diversas, perpetuando o objetivo de troca-apoio-reconhecimento presente na Hámor.

“Pensando nisso tudo e na legitimidade da ideia de ter nosso trabalho valorizado de alguma forma, afastando a solidão e convocando a comunidade, decidimos abrir essa campanha de financiamento para que a Hámor ganhe a força necessária para continuar realizando projetos por mais um tempo e para que os livreiros possam respirar um pouco, descansar da angústia de não saber como farão para fechar a conta de um lugar que investe em algo frequentemente ligado a um movimento de resistência: o mercado do livro. Essa campanha possibilitará um gás provisório, para que possamos sobreviver ao escuro e nos organizar, como temos feito desde 2022”, destacou Bianca.

Além disso, com a campanha, eles esperam – e contam – com o apoio de sua rede já consolidada de amantes de uma boa literatura. “A gente espera que nossa rede entenda a importância de estar presente e, sempre que for possível, levar um livro para casa. Além disso, divulgar para os amigos, familiares e colegas que a Hámor existe, está aqui, faz muita coisa. É importante também que nos ajudem a sair da bolha, alcançar outras pessoas”.

O valor arrecadado será usado para quitar boletos a vencer e renovar estoque. Com a quitação dos boletos, conseguimos investir em mais livros, ampliando o acervo. O valor também será usado para viabilizar a agenda mensal, que consiste em disponibilidade de livreiro, aluguel de caixa de som e microfone e divulgação.

“Na campanha, nós estamos oferecendo produtos que nossos clientes e amigos adoram, como a camiseta da Hámor, a nossa bag e papelaria. Também temos nosso servições editoriais, pois a Hámor é também um selo. Além disso, temos algumas gracinhas como a faixa de apoio que propõe uma dancinha no TikTok feita por nosso livreiro e sócio Febraro de Oliveira. Pedimos com carinho que avaliem esse momento decisivo pelo qual a Hámor está passando e não nos deixem sozinhos nessa”, finaliza a proprietária.

Serviço: Para colaborar com a campanha, é preciso entrar no link disponível no instagram da livraria, @hamorlivraria. A livraria está localizada na Rua Amazonas, 1080, Monte Castelo.

 

Por Por Amanda Ferreira e Carolina Rampi

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