Em Destruição Final 2, o universo apresentado no primeiro filme retorna ainda mais sombrio e silencioso. A nova narrativa abandona a corrida contra o tempo provocada pelo cometa para explorar um cenário marcado por perdas, deslocamentos e pela difícil tarefa de seguir adiante quando tudo já parece ter sido destruído. Com orçamento maior e um tom mais melancólico, a continuação, que estreia nesta quinta-feira (5), aposta no drama psicológico e nas relações humanas para expandir sua visão de apocalipse.
No primeiro filme (‘Destruição Final: O Último Refúgio), o público acompanhou John Garrity, engenheiro que vive em Atlanta, nos Estados Unidos, com a esposa, Alisson e filho Nathan, que é diabético. O que começa como a expectativa de assistir à passagem de um cometa logo se transforma em caos quando fragmentos do objeto, de forma devastadora, deixando claro que o planeta enfrenta uma ameaça de extinção.
Por ser um engenheiro, profissão considerada essencial em um ‘pós-apocalipse’, John é selecionado pelo governo para uma evacuação, porém, na tentativa de fuga, os três acabam se separando. Enquanto o mundo entra em colapso, John, Allison e Nathan passam a lutar individualmente para sobreviver, enfrentando violência, escassez, perdas e dilemas morais ao longo do caminho.
Agora, prepare-se para o spoiler (ainda é spoiler se o primeiro filme foi lançado em 2020?): a família Garrity agora precisa deixar seu abrigo na Groenlândia, conquistado a sangue, suor e lágrimas, em busca de um novo lar, entretanto, a jornada será ainda pior, pois nenhum deles estavam preparados para atravessar um mundo destruído e um deserto congelado.
O filme conta com Gerard Butler (300), que também atua como produtor, Morena Baccarin (Deadpool) e Roman Griffin Davis (Jojo Rabit). A direção fica por conta de Ric Roman Waugh, que já atuou ao lado de Butler em filmes como ‘Invasão ao Serviço Secreto’ e ‘Missão de Sobrevivência’. O roteiro fica por conta de Mitchell LaFortune (O Último Respiro) e Chris Sparling (A Hora do Desespero).
Continuação promete?
Astro de filmes de ação, ‘Destruição Final: o último refúgio’ foi relativamente bem recebido pelo público, tanto que sua continuação recebeu um ‘boom’ no orçamento: R$ 90 milhões de dólares. O primeiro filme precisou se virar com modestos R$ 35 milhões de dólares de orçamento.
Dada a recepção positiva que a primeira parte recebeu em todos os aspectos, o filme também optou por manter o máximo de continuidade possível: Ric Roman Waugh retorna atrás das câmeras, Chris Sparling retorna para escrever o roteiro — embora desta vez em colaboração com Mitchell LaFortune.
Apocalipse ‘atual’
De tempos em tempos, Hollywood lança filmes sobre a ótica do apocalipse – 2012, Contágio, O dia depois de amanhã, Guerra Mundial Z, Guerra dos Mundos – e Destruição Final entra nesse balaio. Porém, sua aclamação não foi apenas pelos efeitos bem produzidos, e suas estrelas principais, e sim pelo cotidiano e simplicidade da família.
Agora, a família vive um tipo diferente de desastre: o humano, voltado ao psicológico, com situações de claustrofobia, perdas, conflitos morais e a constante espera por um ‘amanhã’ que nunca chega.
“Diferente do primeiro filme, que era movido pela urgência do impacto iminente, Destruição Final 2 escolhe um caminho mais melancólico: o do ‘depois’. O apocalipse já aconteceu. O que resta agora são as consequências — físicas, emocionais e morais. Essa mudança de eixo é uma decisão consciente e, em muitos momentos, acertada. O bunker, antes símbolo de esperança, se torna metáfora clara de estagnação. Sobreviver não basta mais; é preciso migrar, se adaptar, seguir em frente”, pontua Danilo de Oliveira, do portal Cinesia Geek.
No primeiro, os protagonistas se informam sobre os desastres pela TV, vídeos na internet que viralizam, o que traz uma sensação de realidade para tudo que acontece.
Entretanto, é irônico lançarem um filme onde os norte-americanos precisaram se abrigar na Groenlândia, local marcado por tensões entre os dois países, já que os Estados Unidos anunciou acordos que o colocam como sob vantagem em relação ao um dos locais mais gelados das Américas.
Recepção
Com menos de 100 avaliações no Rotten Tomatoes, o filme está dividindo opiniões, marcando 50% de aprovação. “Esta sequência pode estar mais focada na emoção e nos personagens — já que toda a questão do cometa aconteceu há muito tempo — mas o problema é que nada disso é apresentado de forma convincente, e tudo é esquecido quando conveniente”, diz Jocelyn Novec, do Associated Press.
“Greenland 2 raramente se consolida como um filme de desastre bem-sucedido — especialmente quando comparado ao maravilhoso original — mas acabamos nos importando com esses personagens, o que parece uma pequena vitória”, pontua Bilge Ebiri, da Vulture.
André Quental Sanchez, do portal Vivente Andante, destaca a falta de aprofundamento em seus personagens principais e o sumiço dos secundários, que servem apenas para preencher espaços e cenas. “Há personagens que simplesmente desaparecem e não voltam mais; possibilidades de arco jamais exploradas; mortes que ocorrem de forma aleatória, sem peso ou consequências. E, acima de tudo, há decisões que esvaziam figuras importantes”.
Já Rui Filho, do portal Estação Nerd, destaca um impacto mais humano trazido na nova narrativa. “‘Destruição Final 2’ mantém a relação caótica e frenética do primeiro filme, adaptando sua ideia adicionando um teor emocional forte que acaba se encaixando em um mundo que precisa ser reconstruído e uma vida de uma família que precisa ser recomeçada. Funciona bem como um filme catástrofe, igual ao seu antecessor, mas ainda acrescenta o lado humano daqueles personagens dentro de um sistema de situações urgentes”.
Por Carolina Rampi
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