Campo Grande registra 62% da chuva prevista para fevereiro em 48 horas e temporais causam transtornos

Chuva no Jardim Imá, região oeste de Campo Grande- Foto: Juliana Aguiar
Chuva no Jardim Imá, região oeste de Campo Grande- Foto: Juliana Aguiar

Campo Grande já acumulou 108,6 milímetros de chuva em apenas 48 horas, volume que corresponde a 62% do total esperado para todo o mês de fevereiro, segundo dados do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima). A medição considera o acumulado até as 7h50 desta terça-feira (3) e evidencia o impacto do início instável do mês em Mato Grosso do Sul.

De acordo com o meteorologista do Cemtec, Vinicius Sperling, a média histórica de chuva para fevereiro na Capital é de 176 milímetros, com base no período de referência entre 1981 e 2010. Na primeira quinzena de fevereiro de 2025, Campo Grande havia registrado 167,2 milímetros, volume 5% abaixo do esperado à época.

O monitoramento estadual também aponta volumes elevados em outras regiões. A estação da Fazenda Morro Alegre, em Corguinho, registrou 238 milímetros em 48 horas. São Gabriel do Oeste acumulou 196,4 mm, Porto Murtinho 131,8 mm, Camapuã 118,2 mm e Coxim 96 mm.

Aviso de tempestade em todo o Estado

Todos os 79 municípios de Mato Grosso do Sul permanecem sob aviso de tempestade ao longo desta terça-feira. O cenário indica risco de cortes no fornecimento de energia elétrica, danos em lavouras, queda de árvores e alagamentos.

Segundo o Cemtec, o início de fevereiro de 2026 será marcado por tempo instável, com chuvas frequentes e tempestades acompanhadas de raios e rajadas de vento. Algumas regiões já superaram os 100 milímetros de chuva nas últimas 24 horas, e os modelos de previsão seguem indicando novos acumulados superiores a 40 mm em 24 horas.

Essa condição aumenta significativamente o risco de alagamentos, enxurradas e rápida elevação do nível dos rios, principalmente em áreas urbanas, regiões rebaixadas e pontos com drenagem deficiente. A instabilidade atmosférica é causada pelo intenso transporte de ar úmido, formando um corredor de umidade associado à passagem de cavados e à atuação de áreas de baixa pressão.

Cratera interdita ponte na Avenida Ernesto Geisel

Em Campo Grande, os temporais já provocam danos à infraestrutura. Na tarde de segunda-feira (2), uma erosão abriu uma cratera e levou à interdição de uma ponte no cruzamento da Avenida Ernesto Geisel com a Rua Bom Sucesso, na Vila Marcos Roberto.

Somente nas últimas 48 horas, a chuva registrada foi suficiente para comprometer a cabeceira da ponte, que acabou sendo solapada internamente. O solo cedeu sob o asfalto, formando uma grande cratera na entrada da ponte, além de uma rachadura na pista, aumentando o risco de novos desabamentos.

Rotas alternativas e orientações

Com a interdição, motoristas que seguem pela Rua Bom Sucesso em direção à Avenida Ernesto Geisel estão sendo orientados a utilizar a Rua do Himalaia como rota alternativa. A Agetran instalou barreiras para impedir o tráfego, mas alguns condutores continuam desrespeitando a sinalização, chegando a trafegar pela contramão.

Em nota, a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) informou que a interdição é necessária por segurança. A empresa responsável realiza serviços de aterro no local, porém o solo excessivamente encharcado tem dificultado o avanço das obras. A intervenção integra o projeto de contenção de enchentes no trecho entre as ruas da Abolição e Bom Sucesso, com conclusão prevista para abril deste ano.

O coordenador da Defesa Civil Municipal, Enéas Netto, orienta que situações de risco sejam comunicadas imediatamente pelo telefone 199. “Quanto mais rápida for a comunicação, mais efetivo e coordenado será o atendimento, seja pela Defesa Civil ou por outras secretarias”, destacou. Ainda não há previsão para a liberação da ponte.

Alagamentos em bairros

Outro ponto crítico foi registrado no bairro Nossa Senhora das Graças, onde um alagamento dificulta a passagem de pedestres e ciclistas no cruzamento das ruas José Ribeiro de Sá Carvalho e dos Emboabas. Moradores relatam dificuldade até para caminhar pelas calçadas e acessar pontos de ônibus.

Pelo segundo dia consecutivo, Campo Grande amanheceu sob chuva intensa. Dados do Inmet indicam acumulado de 92,6 milímetros em 48 horas, com os maiores volumes registrados nas estações do Cemaden da Vila Santa Luzia e do Jardim Panamá, que marcaram 89,6 mm.

A Defesa Civil reforça orientações à população, como evitar abrigo sob árvores durante rajadas de vento, não atravessar vias alagadas, proteger documentos e objetos de valor em caso de enxurrada e evitar o uso de aparelhos eletrônicos ligados à tomada. Em emergências, os contatos são Defesa Civil (199) e Corpo de Bombeiros (193).

 

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