Campo Grande e MS reforçam vigilância após surto de doença de Chagas no Pará

SES e Sesau afirmam que Estado e Capital não registram casos recentes e descartam risco de surto, mas mantêm monitoramento permanente - Foto: reprodução/internet
SES e Sesau afirmam que Estado e Capital não registram casos recentes e descartam risco de surto, mas mantêm monitoramento permanente - Foto: reprodução/internet

SES e Sesau afirmam que Estado e Capital não registram casos recentes e descartam risco de surto, mas mantêm monitoramento permanente

 

O surto de doença de Chagas registrado em Ananindeua (PA), que já resultou em quatro mortes e ao menos 14 casos confirmados em janeiro deste ano, acendeu o alerta das autoridades de saúde em todo o país. Em Mato Grosso do Sul, tanto o Estado quanto o município de Campo Grande afirmam que não há registros recentes da doença, especialmente da forma aguda, e que o cenário epidemiológico segue estável.

Em nota oficial, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) informou que não há registro de casos de doença de Chagas no Estado nem em Campo Grande nos anos de 2025 e 2026. Segundo a pasta, o último caso de Chagas Aguda em Mato Grosso do Sul foi registrado há mais de 15 anos.

“A maioria das notificações refere-se a casos de Chagas Crônica, conforme perfil epidemiológico já conhecido, sem indicação de aumento incomum ou de situação de emergência em saúde pública”, destaca a SES. A secretaria reforça ainda que não há alerta epidemiológico específico nem investigação em andamento relacionada a surto no Estado, mesmo diante de ocorrências registradas em outras unidades da federação.

Na Capital, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) também nega a existência de casos confirmados. Em nota exclusiva ao jornal O Estado, a Vigilância em Saúde e Ambiente esclareceu que, apesar de notificações ao longo dos últimos anos, nenhuma foi confirmada. “Nunca houve registros de casos confirmados de Doença de Chagas Aguda em Campo Grande. Nos últimos cinco anos, foram notificados 15 casos, nenhum deles confirmado”, informou.

A Sesau acrescenta que a vigilância permanece ativa, inclusive com atenção à transmissão oral da doença, considerada atualmente a principal forma de contágio em surtos registrados no país. Após a divulgação do cenário no Pará, a secretaria municipal iniciou a elaboração de um alerta epidemiológico voltado aos profissionais de saúde. “O objetivo é reforçar as informações sobre as formas de transmissão do agravo e a necessidade de atenção para o surgimento de casos importados”, diz o comunicado.

Surto no Norte do país

O Ministério da Saúde classificou como surto o cenário em Ananindeua após o aumento expressivo de casos em curto período. Apenas em janeiro, o município paraense registrou quatro mortes, entre elas a de uma criança de 11 anos, número superior ao total acumulado dos últimos cinco anos. Ao longo de 2025, foram contabilizados 45 casos, sendo 26 confirmados somente em dezembro.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Ananindeua, outros 40 casos suspeitos seguem em investigação, com apoio técnico do Instituto Evandro Chagas e acompanhamento de órgãos como a Secretaria Estadual de Saúde do Pará, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e os Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde.

De acordo com o Ministério da Saúde, o surto está associado principalmente à transmissão oral, que ocorre pelo consumo de alimentos contaminados com fezes do inseto barbeiro. Na região, o açaí é apontado como principal fator de risco, o que levou o município a intensificar ações educativas e de fiscalização sanitária.

Monitoramento e prevenção em MS

Embora o cenário em Mato Grosso do Sul seja considerado estável, a SES afirma manter monitoramento permanente da doença, com vigilância de casos crônicos e agudos, investigação de notificações suspeitas e articulação contínua com as vigilâncias municipais e o Ministério da Saúde.

Entre as ações desenvolvidas de forma contínua estão a vigilância epidemiológica de casos humanos, a vigilância entomológica com monitoramento de triatomíneos, a capacitação de profissionais de saúde e ações educativas voltadas à população.

Em relação à transmissão oral, a SES informou que o tema integra as ações regulares de vigilância e prevenção, com orientações sobre boas práticas de manipulação, preparo e consumo de alimentos, em consonância com as diretrizes do Ministério da Saúde. “Até o momento, não há registro de transmissão oral da doença no Estado, nem evidência que indique risco iminente para a população local”, reforça a secretaria.

A orientação das autoridades de saúde é para que casos suspeitos sejam imediatamente notificados, permitindo investigação rápida e adoção de medidas oportunas. A SES ressalta ainda que eventuais mudanças no perfil epidemiológico da doença serão prontamente comunicadas à população e aos serviços de saúde.

 

Por Suelen Morales

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