Entre as vítimas até 17 anos, houve uma queda de 2,5%, no entanto, cenário requer atenção
Com 23.919 casos registrados apenas em 2025, o desaparecimento de crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos disparou em todo o Brasil, seja nas grandes capitais ou nos interiores, com 66 ocorrências por dia. Seguindo a tendência nacional, Mato Grosso do Sul também assistiu ao aumento das notificações de desaparecimento de crianças de 0 a 11 anos, cenário que desperta atenção e requer cuidados de pais e responsáveis.
Dados fornecidos pela Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul) apontam que, em 2024, foi registrado o desaparecimento de 38 crianças de até 11 anos, e em 2025, esse número subiu para 41, representando um crescimento de 7,8% nas ocorrências deste tipo.
O problema é maior ainda quando os casos envolvem adolescentes. Segundo a Sejusp, o desaparecimento de jovens de 11 a 17 anos é 656% maior que nas idades iniciais, com 318 casos registrados em 2024 e 310 em 2025. Embora haja uma diminuição dos registros, se comparados os dois anos consecutivos, os números ainda chamam atenção pela diferença entre as duas faixas etárias.
Em Campo Grande, os jovens também desaparecem mais. Em 2024, houve 74 casos e, em 2025, foram 61 registros. Enquanto isso, na faixa etária que abrange até os 11 anos, houve uma diminuição de 25% e os números absolutos são menores, com 12 casos em 2024 e 9 no ano passado.
Números do Centro-Oeste
Em um ranking organizado pelo site Gazeta Brasil, baseado nos números do Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública) — que recebe os números uma vez por mês diretamente das secretarias de segurança dos Estados — apesar dos números elevados, Mato Grosso do Sul não figura em nenhuma das 13 posições consideradas, sendo o único da região Centro-Oeste a não aparecer nas colocações.
O ranking, elaborado com o cálculo da média de desapare cimentos por 100 mil habitantes e não por números absolutos, coloca o Distrito Federal em 2ºlugar, com uma média de 74,58 mil desaparecimentos.
Já Mato Grosso fica em 7ºlugar como um dos Estados em que mais crianças e jovens desaparecem, com uma média de 54,25%. Por sua vez, Goiás é o 10º colocado, com uma média de desaparecimento de 48,91%.
Prevenção começa com diálogo
Para que casos de desaparecimento entre crianças e adolescentes sejam freados, é preciso um trabalho preventivo e educacional, no qual o diálogo aberto com os menores é parte essencial. Esta é uma orientação da Sejusp, que ressalta ainda a importância de uma comunicação contínua e construída na confiança para que a criança ou adolescente se sinta confortável em conversar como adulto responsável caso aconteçam situações de emergência.
“Manter a documentação sempre atualizada e etiquetar objetos pessoais, como mochila, lancheira e roupas, com nome e telefone de contato, são medidas simples que facilitam a identificação da criança. Pulseiras ou colares com informações de contato ou QR Code também são úteis”, reforça a pasta em nota.
Outras práticas que podem evitar sequestros e desaparecimentos são estabelecer rotinas com horários fixos de saída e chegada em casa e manter contatos de segurança avisados sobre onde a criança ou jovem vai e com quais companhias.
Crianças ainda não foram localizadas
Desaparecidas há 28 dias, as crianças Ágatha Isabelly, 6, e Allan Michael, 4, que sumiram em Bacabal, no Maranhão, ainda não foram localizadas, apesar das intensas buscas realizadas por agentes de segurança do Estado.
Sem paradeiro conhecido desde o dia 4 de janeiro, os menores saíram para brincar em uma área de mata na cidade na companhia do primo Anderson Kauã, de 8 anos, o único que conseguiu ser localizado após chegar em um povoado na região onde as crianças desapareceram. Toda a mata indicada como o local em que passaram antes de Anderson se separar dos irmãos para buscar ajuda foi vasculhada, mas nem sinal das crianças foi encontrado.
Com as buscas encerradas na mata e no rio Mearim, onde foram mapeados 19 km em busca das crianças, a família e parentes próximos passaram a ser investigados. A polícia informou que nenhuma hipótese é descartada, mas ainda há esperança de encontrar as vítimas com vida.
Por Ana Clara Julião
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