Song Sung Blue: Um Sonho a Dois

Foto: Reprodução
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Filme retrata história de dupla que une amor e música no meio dos anos 80 de forma simples e despretensiosa

Foi numa feira, no estado do Wisconsin, nos Estados Unidos, nos anos 80, que dois sonhadores se encontraram e resolveram que a música seria sua força. Entre nostalgia e reinvenção, ‘Song Sung Blue: Um Sonho a Dois’, longa-metragem que estreia nesta quinta-feira (29), mostra a potência de canções que atravessam gerações e convidam o público a refletir sobre amor, tempo e caminhos possíveis.

Baseado em uma história real, o longa acompanha a jornada de Mike e Claire Sardina, um casal de imitadores de Milwaukee. Mike fazia trabalhava como cover do cantor Don Ho quando, numa feira estadual, conhece Claire, no momento em que ela sobe ao palco para se apresentar como Patsy Cline. Ambos músicos com aspirações grandiosas, a dupla acaba se tornando um ícone local quando formam uma banda de tributo ao cantor Neil Diamond, com o nome de Lightning e Thunder, uma decisão que muda por completo a vida dos dois artistas, que experimentam do sucesso a desilusão em sua jornada.

O filme é encabeçado por Hugh Jackman (‘Os Miseráveis’) e Kate Hudson (‘Quase Famosos’). O elenco também conta com nomes como Ella Anderson, King Princess, Michael Imperioli, James Belushi e Mustafa Shakir. Já a direção e roteiro são assinados por Craig Brewer, responsável por filmes como ‘Dolemite Is My Name’ e o remake de ‘Footloose’.

Reconhecimento

A história do casal também foi retratada no documentário de Greg Kohs de 2008, também chamado “Song Sung Blue”. Agora, em sua versão em longa-metragem, o filme não surgiu sem burburinho: a atriz Kate Hudson já emplacou uma indicação ao Globo de Ouro de 2026 e ao Oscar, como Melhor Atriz.

Em reportagem do New York Times, Hudson contou que o roteiro chegou para si por meio de seu agente, fazendo um revês ao histórico de personagens caricatos de comédias românticas, das quais a atriz é mais conhecida.

“Eu li e amei”, disse Hudson. “Tinha aquela sensação de filme que agrada ao público à moda antiga, onde você acha que está indo para uma direção e, de repente, ele parte seu coração. Ele te diverte e depois te emociona”.

Jackman também teve certa influência na escolha de Jate Hudson para o papel. Em 2024, a atriz estava no programa CBS News Sunday Morning, promovendo sua estreia como cantora e compositora. Como obra do destino, o eterno Wolverine estava assistindo; já escalado como Mike, ele viu que Hudson, em seus 40 anos, era, de certa forma, como Claire, uma mãe que resolveu apostar em si.

Além disso, a reportagem destaca a realidade estética que Hudson aplicou no filme. “Thunder tem pneuzinhos caindo por cima da meia-calça modeladora. Como a maioria de nós, ela tem bolsas sob os olhos e há muito tempo aceitou os pés de galinha. Em muitas cenas, Hudson aparece sem maquiagem”.

Controvérsia

Apesar de ‘leve’, há quem não gostou da obra. Para o jornal Daily Mail, os filhos do casal chamaram Hugh e Kate de ‘monstros’ e ameaçam processar os produtores do filme. As críticas principais partem de Mike Sardina Jr., filho dos dois.

“Meu pai está se revirando no túmulo,” disse Mike. “O filme destruiu completamente a única coisa que meu pai trabalhou a vida inteira para passar adiante: o legado dele”. Depois, Mike Sardina Jr. disse ter sido “propositalmente cortado do filme” e que recebeu “uma patética quantia de 30 mil dólares” para atuar como consultor.

Já Angelina Sardina, irmã de Mike Jr. e filha de Mike de um casamento anterior, foi retratada no longa, mas também reclamou da produção. “Eu não tive nenhum contato com a King Princess, que me interpretou”, disse Angelina ao diário inglês. Ela também recebeu os mesmos US$ 30 mil pagos ao irmão dela para participar do projeto como consultora.

Os dois irmãos ainda contaram que não tiveram nenhum contato com Hugh Jackman e Kate Hudson durante as filmagens. “Todas as entrevistas que esses monstros deram na televisão nacional nem mencionam a minha existência, embora eu tenha sido a força mais presente na vida do meu pai, porque eu sou o único filho dele”.

Ambos, junto com a verdadeira Claire, compareceram à festa de lançamento do filme, em Nova York, mas os filhos alegam que produtores pediram que eles se mantivessem distante dos atores e que não falassem com jornalistas – apesar de haver fotos entre os atores e Claire durante a festa.

Críticas

Mesmo com 78% de aprovação no Rotten Tomatoes, ‘Song Sung Blue: Um Sonho a Dois’ está com a recepção mista, navegando entre o ‘tão ruim que é bom’. “Você não verá um filme com música melhor e diálogos piores nesta temporada de festas do que o bizarramente encantador ‘Song Sung Blue’”, disse Amy Nicholson, no Los Angeles Times.

“Por mais absurda que seja a história deles, é difícil não se deixar conquistar por Lightning & Thunder. E você ficará com ‘Sweet Caroline’ na cabeça por um tempo que parecerá uma eternidade depois disso”, destaca Laura Venning, da Empire.

“A direção de Brewer é refinada e descomplicada, confiando na força dos personagens e em sua história, mais estranha que a ficção, para dar conta do recado, sempre ancorada em experiências reais agridoce”, comenta David Rooney, do portal The Hollywood Reporter. “A atuação angustiada de Kate Hudson mantém a peça coesa. É uma atuação entregue, sem qualquer afetação”, diz Owen Gleiberman, da Variety.

No Brasil, Caio Coletti, do portal Omelete, destaca pontos da obra como a apresentação da dupla onde dividiram o palco como Eddie Vedder, do Pearl Jam e a atuação de Hudson que se sobressai a Jackman.

“O que Brewer quer é retratar a vidinha ordinária de um casal que amava os holofotes, é claro, mas acima de tudo amava a música. Esse amor os salvou algumas vezes, os ajudou a encontrar a saída para algumas situações desafortunadas que parecem só acontecer com quem já não tem muita sorte na loteria da vida, mas também os ajudou a viver uma vidinha ordinária que, pelo menos, valeu a pena em algum sentido – e Song Sung Blue direciona toda a sua energia criativa para nos mostrar como”, relatou.

“Acima de tudo, Song Sung Blue é desavergonhadamente populista, e entende como ninguém a cura e a apoteose de gritar “Sweet Caroline” (tãn-tãn-tãããããn!) a plenos pulmões, mesmo quando (ou especialmente quando) a vida não tem nos dado muito motivo para celebrar”.

O jornalista e crítico do portal Resenhando, Helder Moraes Miranda, analisa que o diretor trouxe para o filme, reflexos de outras obras suas, como ‘Ritmo de um Sonho’. “‘Song Sung Blue: Um Sonho a Dois’ constrói uma crônica íntima sobre sobreviver, insistir e dividir a vida com alguém que acredita no mesmo sonho, ainda que o mundo não pare para aplaudir. A câmera privilegia os bastidores emocionais do casal, os silêncios, as frustrações domésticas e, sobretudo, os momentos de comunhão no palco, quando a música funciona como abrigo”.

 

Por Carolina Rampi

 

 

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