O governador de Goiás saiu do União Brasil, mas disputará preferência com Eduardo Leite e Ratinho Jr.
Após anúncio de que o governador por Goiás, Ronaldo Caiado, deixou o União Brasil para se filiar ao PSD, a avaliação das lideranças é de uma readequação do cenário eleitoral nacional que espelha diretamente nos estados, inclusive em Mato Grosso do Sul. Em entrevista ao Jornal O Estado, o senador e presidente estadual do PSD-MS, Nelsinho Trad, afirma que a associação mudará a corrida presidencial.
De ‘olho’ na reeleição, Nelsinho afirma que tem conversado via telefone com o governador do estado, Eduardo Riedel (PP), sobre o quadro que está se compondo nacionalmente e que planeja se reunirem pessoalmente em fevereiro para debater. “Essa eleição nacional acaba refletindo na eleição dos estados. E a ida do Caiado para o PSD, com certeza vai mostrar que é um partido consistente e que tem boas perspectivas de o uma candidatura própria presidente da república”.
Nelsinho Trad, explica que a legenda terá “uma candidatura alternativa à polarização dos extremos”. Com a federação com o PP, não haveria espaço para que Caiado conseguisse concorrer à cadeira mais disputada no país. Buscou o Podemos e o Solidariedade para se filiar, mas acabou entrando ao PSD.
Já para Rose Modesto, ex-colega de sigla e presidente do União em Mato Grosso do Sul, a mudança já era esperada, tendo em vista que o goiano já negociava com outros partidos para que pudesse ter espaço para lançar a candidatura. “A política é dinâmica e feita de decisões pessoais e coletivas. Ele inicia agora um novo ciclo, legítimo, em busca de realizar o sonho de disputar a Presidência da República”, como afirma Rose Modesto, presidente estadual do União-MS.
Mesmo com a saída de Caiado, Rose se mostrou confiante quanto ao andamento do União, que construiu uma federação com o PP. “O partido continua unido, comprometido com as pautas mais importantes do país, com a responsabilidade institucional e com uma agenda conectada às demandas reais da sociedade brasileira”.
Mudança a nível nacional
Em vídeo publicado ao lado de Eduardo Leite e Ratinho Júnior, governadores do Rio Grande do Sul e do Paraná, o presidenciável afirma que “aquele que for escolhido levará essa bandeira de um projeto de esperança e de resgate daquilo que o povo tanto espera”.
Um dos três colegas de legenda deve concorrer ao cargo de presidente da república nessas eleições e a escolha deve sair baseada em qual deles terá o maior apoio popular e chances para vencer. “Ao lado desses dois colegas, governadores muito bem avaliados, nós iremos disputar essa eleição em 2026. O que sair daqui candidato terá o apoio dos demais”, esclarece Caiado.
Os outros dois presidenciáveis também mostraram apoio ao novo colega de sigla. “Antes da nossa aspiração individual como agentes políticos vem a nossa aspiração como brasileiros. O Brasil precisa encontrar um rumo que devolva esperança para as pessoas”, comenta Leite.
“É um prazer, Caiado, ter uma pessoa do teu quilate, da tua força, da tua liderança poder fazer parte desse projeto junto com a gente de união. De união pelo Brasil para virar essa página, fazer um Brasil moderno, um novo país que tantas pessoas precisam e querem acima de tudo um Brasil moderno que cuida as pessoas”, parabeniza o paranaense.
Ainda, Ronaldo publicou uma carta aberta ao presidente do União, Antonio Rueda, agradecendo pelo partido e pedindo apoio dos ex-correligionários em sua “caminhada para endireitar nosso país”. “Tenho grande estima pelo nosso partido, mas minha determinação de devolver o Brasil aos brasileiros fala mais alto”, escreveu.
Em resposta, Rueda divulgou nota em que diz respeitar a decisão de Caiado e lhe deseja sucesso. “A política é feita de ciclos, escolhas e convergências. Desejamos do governador sucesso nessa nova etapa, com votos de boa sorte nos desafios que se apresentam”, declarou.
O futuro
Caso Caiado não saia candidato, o partido ainda tem duas apostas para ocupar o Palácio do Planalto: Leite e Ratinho. De acordo com uma pesquisa feita pelo Datafolha em dezembro do ano passado, Ratinho marca entre 10% e 12% de intenção de voto no primeiro turno, em contrapartida à Caiado que conta com 6%.
O governador de Goiás tem dito a aliados que não abrirá mão de sua pré-candidatura e correligionários dizem que o pré-candidato quer encerrar a sua carreira política em uma disputa nacional. A corrida presidencial é um “tudo ou nada” para ele.
Porém, dentro do PSD existem duas alas com opiniões opostas. Há aqueles dentro do partido que não veem que não haveria a necessidade da gastar tempo e dinheiro em um possível presidente. E há quem defende que a decisão, pois isso tiraria o peso do partido definir apoio ao atual presidente Lula (PT) ou a candidatura de Flávio (PL)
Para os contrários, um candidato concorrendo pela sigla dificultaria a disputa a cargos em estados mais lulistas ou bolsonaristas.
O pensamente de “não escolher hoje o que se pode decidir amanhã” do União em relação à corrida teria irritado Caiado. Para o antigo partido do governador, precisaria dar tempo para ver como será definida a disputa nacional.
Por Lucas Artur e Brunna Paula