A prévia da inflação de janeiro divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ficou em 0,20%, refletindo leve aceleração em relação a dezembro de 2025. Entre os grupos pesquisados, o de Saúde e cuidados pessoais apresentou a maior variação (0,81%), influenciado principalmente pelas altas nos preços de artigos de higiene e planos de saúde.
Para muitas famílias, a alta nos preços de itens relacionados à saúde começa a pesar nas contas do dia a dia. “Por eu ter uma filha pequena eu acabo tendo que comprar os remédios, pois em alguns momentos não tem nos postos, e então acaba que a gente tem que arcar com os medicamentos quando há necessidade”, disse a comerciante Rosângela Irineu. Ela relata que um medicamento contínuo usado pela filha já teve o preço reajustado pelo menos duas vezes desde o ano passado. “Tem pesado mais no bolso mesmo, como não tem onde recorrer, a gente faz o que pode para ir se mantendo, porque é aquilo, não dá para ficar adiando com a saúde”.
O relato reflete uma realidade em que gastos com saúde, por serem considerados essenciais, não podem ser postergados mesmo diante de aumentos de preços.
Para o economista Diego Abreu, a variação nos preços de serviços de saúde tem impacto direto no orçamento familiar justamente por se tratar de despesas que não podem ser adiadas. “Quando itens essenciais como medicamentos e serviços de saúde registram aumentos de preço, as famílias precisam ajustar outras partes do orçamento para absorver esses gastos. Isso reduz a capacidade de consumo em outros setores e pressiona as finanças domésticas, sobretudo entre famílias com menor renda disponível”.
O economista ressalta ainda que, embora a inflação geral permaneça relativamente moderada, a pressão em segmentos específicos, como saúde, tende a ser mais sentida pelas pessoas no cotidiano.
No cálculo do IBGE, a alimentação no domicílio também teve alta (0,21%), interrompendo uma sequência de quedas nos preços desse grupo.
No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-15 registra variação próxima de 4,5%, indicador relevante para a formulação de política econômica e para o acompanhamento das metas de inflação do Banco Central.
Por Gustavo Nascimento