Especialistas avaliam que com conclusão da planta setor ficará menos dependente de importações
Após mais de uma década de paralisação, a retomada das obras da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III), em Três Lagoas, marca um novo capítulo para a economia de Mato Grosso do Sul e para a indústria nacional de fertilizantes. Com previsão de retomada efetiva a partir de fevereiro, o projeto recoloca o município em posição estratégica na redução da dependência externa de insumos essenciais para o agronegócio brasileiro.
A Petrobras adotou um novo modelo de execução para viabilizar a conclusão da obra, dividindo o empreendimento em cinco blocos de licitação, o que amplia a competitividade entre empresas, reduz riscos e aumenta a previsibilidade do cronograma. As propostas já foram apresentadas e estão em fase de análise técnica e financeira. A definição das empresas contratadas e o início efetivo das obras devem ocorrer nas próximas semanas.
Do ponto de vista institucional, o projeto conta com articulação direta entre a Petrobras, o Governo Federal e o Governo de Mato Grosso do Sul. A UFN3 foi incluída no Plano de Negócios 2026 da estatal, com previsão de conclusão em 2029. O governador Eduardo Riedel e o secretário Jaime Verruck acompanham de perto o andamento do processo, enquanto a ministra do Planejamento, Simone Tebet, também atua no alinhamento do projeto junto à União.
Além do avanço institucional, o território está preparado para a retomada. Licenças ambientais foram atualizadas pelo Imasul, incentivos fiscais foram revalidados e acordos com a prefeitura de Três Lagoas garantem segurança jurídica ao investimento. Mesmo após anos de paralisação, equipamentos críticos foram preservados, o que facilita a continuidade da obra, embora estruturas de apoio precisem passar por reformas já mapeadas.
Para o economista Diego Neves, a conclusão da UFN3 representa mais do que a entrega de uma grande planta industrial. Trata-se de um movimento essencial para reduzir a dependência do Brasil de fertilizantes importados.
“Quando a gente fala em fertilizantes, está falando de comida na mesa. O Brasil ainda depende muito do mercado externo para abastecer o campo, o que deixa o produtor vulnerável a crises internacionais, variação cambial e problemas logísticos. A UFN3 ajuda justamente a diminuir essa dependência”, explica.
Segundo ele, os reflexos da produção nacional também alcançam o consumidor final. “Com uma produção maior de ureia e amônia dentro do país, o custo tende a ficar mais previsível. Isso não significa preços mais baixos de imediato, mas significa menos instabilidade. Para o produtor rural, isso traz planejamento. Para a economia local, significa emprego, renda e uma cadeia produtiva em funcionamento”.
Produção estimada
A expectativa é que, quando concluída, a UFN3 produza mais de 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia, consumindo cerca de 2,3 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. A unidade será a maior fábrica de fertilizantes nitrogenados da América Latina.
Na avaliação do economista, Três Lagoas passa a ocupar um novo papel no cenário nacional. “A cidade deixa de ser apenas o local onde a fábrica está instalada e passa a fazer parte de uma solução nacional. É uma mudança de patamar, que posiciona Três Lagoas e Mato Grosso do Sul como peças-chave na segurança alimentar e no desenvolvimento industrial do país”, conclui.
Por Gustavo Nascimento
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