Campo Grande intensifica combate à hanseníase e aposta em teste rápido para proteger familiares e conviventes

Pessoas que tiveram
contato com pacientes
podem procurar uma
unidade de saúde - Foto: Nilson Figueiredo
Pessoas que tiveram contato com pacientes podem procurar uma unidade de saúde - Foto: Nilson Figueiredo

Com 68 pacientes em acompanhamento, Sesau reforça a importância do diagnóstico precoce

Durante o Janeiro Roxo, mês de conscientização e combate à hanseníase, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) reforça ações para quebrar mitos sobre a doença, ampliar o diagnóstico precoce e reduzir a transmissão. Nesta sexta-feira (23), a pasta promoveu uma simulação do atendimento e divulgou informações essenciais para pessoas que suspeitam ou já tiveram contato com casos positivos.

Muitos ainda abandonam
o tratamento por medo
da exclusão social.
Técnico da Vigilância Epidemiológica, Michael Wilian da Costa – Foto: Nilson Figueiredo

Conhecida no passado como lepra ou mal de Lázaro, a hanseníase é uma das doenças mais antigas da humanidade. “Trata-se de uma enfermidade infecciosa e crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae, o bacilo de Hansen, que tem afinidade pela pele, nervos periféricos, olhos e mucosas. A evolução é lenta e, sem tratamento adequado, pode provocar perda de sensibilidade, atrofia muscular, mutilações e até cegueira”, explica o técnico da Vigilância Epidemiológica da Hanseníase da Sesau, Michael Wilian da Costa.

Em Campo Grande, a rede municipal oferece exame clínico e teste rápido de triagem voltados exclusivamente a familiares e pessoas que convivem ou conviveram com pacientes diagnosticados com hanseníase por período prolongado. Segundo o técnico, o risco de transmissão está diretamente ligado ao contato próximo e contínuo com pessoas que ainda não iniciaram o tratamento.

“São indicados para contactantes de hanseníase que tiveram contato com caso novo que não esteja em tratamento, seja recentemente ou até dois anos antes do diagnóstico. A transmissão ocorre pelas vias aéreas e exige contato próximo e prolongado. Não é apenas pelo toque. O compartilhamento de utensílios e toalhas também pode favorecer a transmissão”, explica.

Somente no último ano, Campo Grande registrou 35 novos casos de hanseníase e acompanha atualmente 68 pacientes, sendo que 54 já apresentavam múltiplas lesões no momento do diagnóstico, o que indica descoberta tardia da doença. Até agora, 93 contactantes passaram pelo teste rápido na Capital, todos com resultado negativo.

O Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de casos de hanseníase, o que reforça a importância das estratégias de vigilância e prevenção. Em Campo Grande, a preocupação também se deve à proximidade com áreas endêmicas, como o estado de Mato Grosso.

Diagnóstico e teste rápido

Pessoas que tiveram contato com pacientes podem procurar uma unidade de saúde para avaliação. O exame clínico é realizado por médico e enfermeiro em sala de triagem, com análise detalhada da pele, já que os primeiros sinais costumam ser manchas e lesões que podem surgir em qualquer parte do corpo.

Caso não haja sinais clínicos, o paciente é encaminhado para o teste rápido, feito com apenas uma gota de sangue retirada do dedo. O procedimento causa apenas uma leve picada e o resultado fica pronto em cerca de 15 minutos.

O teste não confirma a doença, mas indica se houve contato com a bactéria. Quando o resultado é positivo, mesmo sem sintomas, o paciente passa a ser acompanhado pela rede de saúde.

“O positivo não quer dizer que a pessoa tenha hanseníase, mas que teve contato com a bactéria. A partir disso, fazemos avaliações anuais durante cinco anos para identificar precocemente qualquer sinal da doença e evitar sequelas”, afirma Michael Wilian.

Tratamento e quebra do estigma

O tratamento da hanseníase é gratuito e oferecido pelo SUS, com dois esquemas terapêuticos. O paucibacilar, indicado para casos menos contagiosos, dura seis meses. Já o multibacilar, destinado às formas mais contagiosas, tem duração de 12 meses. A escolha depende do número de lesões na pele, geralmente, acima de cinco manchas, opta-se pelo multibacilar.

Um ponto fundamental destacado pela Vigilância é que, após as primeiras doses do tratamento, o paciente deixa de transmitir a doença, não sendo mais necessário o isolamento social ou familiar, prática comum no passado e que gerou estigmas históricos.

“O maior problema, além da dificuldade no diagnóstico, ainda é o preconceito. Muitas pessoas abandonam o tratamento por medo de exclusão social. Quando isso acontece, a transmissão aumenta. O acompanhamento e a informação são as principais armas contra a doença”, alerta o técnico.

A hanseníase pode ser confundida com outras doenças em seus estágios iniciais. Entre os sintomas mais comuns estão manchas com perda de sensibilidade, formigamento, diminuição da força muscular, caroços na pele e lesões que não doem nem coçam.

“A doença tem replicação lenta e não é possível determinar com exatidão o período de incubação. Por isso, no início, ela se parece com outras enfermidades, o que dificulta o diagnóstico”, finaliza Michael Wilian.

Por Inez Nazira

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