Dupla deixa MS para carreira em clubes referência no país

Mariana Giachini foi ouro em Pan-Americano e André Dodero foi destaque em seletiva nacional - Foto: arquivo pessoal
Mariana Giachini foi ouro em Pan-Americano e André Dodero foi destaque em seletiva nacional - Foto: arquivo pessoal

Mariana e André vão em busca de estrutura, e projeção internacional

 

Aos 17 anos, a judoca Mariana Piveta Giachini deixou Dourados na última semana para se mudar para Porto Alegre (RS), onde passa a representar o GNU (Grêmio Náutico União). André Lucas Gessi Dodero, de 16, natural de Campo Grande, iniciou os treinamentos em São Paulo (SP), no Pinheiros, um dos principais clubes do judô brasileiro. As mudanças marcam um novo momento na trajetória de dois dos principais talentos sul-mato-grossenses no último ano.

Mariana é atleta formada no Clube Sakurá e decidiu sair de Mato Grosso do Sul após concluir o ensino médio. Segundo ela, a dificuldade de conciliar faculdade e treinos em Dourados pesou na decisão. “Eu queria continuar competitiva, mas os horários acabariam comprometendo um ou outro. Conversei bastante com o sensei Jorge (Yamakawa), ele me ajudou muito e indicou o GNU”, explicou.
A adaptação na nova cidade tem sido positiva. “Os atletas e treinadores foram muito receptivos. A estrutura é algo que chama muita atenção, apoio financeiro, fisioterapeuta, nutricionista disponível a hora que o atleta precisar. Isso faz muita diferença no resultado”, destacou a judoca.

No ano passado Mariana foi ouro no Pan-Americano Cadete, ouro no Meeting Nacional, bronze no Brasileiro Júnior por equipes e bronze no Brasileiro Cadete, ambos na categoria até 70kg, além de participar de treinamentos de campo internacionais com atletas de vários países. “Eu nunca imaginei que eu ia experimentar tanto, viajar para outros países, conhecer pessoas novas, judôs diferentes. Foi um ano muito bom pra mim, claro que com altos e baixos, mas eu aprendi muito.”

Lado familiar pesa

Em um momento de transição, André Dodero iniciou oficialmente sua trajetória no Pinheiros após anos defendendo o Judô Clube Rocha. Com títulos como campeão brasileiro, sul-americano, pan-americano, bicampeão dos Jogos Escolares Brasileiros e campeão da seletiva nacional na bagagem, o judoca construiu um currículo de destaque nas categorias Sub-15 e Cadete e hoje ocupa o topo do ranking nacional da categoria até 55kg.

Em 2025, André disputou o Mundial Cadete, na Bulgária, sendo o primeiro atleta homem do Estado a ser convocado pela CBJ (Confederação Brasileira de Judô) e garantiu o título da Seletiva Nacional na categoria até 60kg. Agora, já em treinamento intensivo no novo clube, se prepara, assim como Mariana, para o Troféu Brasil Cadete, de 3 a 5 de fevereiro, em Brasília (DF), e para uma etapa do Campeonato Europeu, em março, na Turquia.

A decisão de se mudar para São Paulo, segundo ele, envolve fatores pessoais e esportivos. “Minha família vai residir este ano em Campinas e estar próximo deles pesou bastante. Além disso, é uma grande oportunidade para meu desenvolvimento ingressar em um clube desse nível”, afirmou. Sobre a adaptação, o atleta destaca o desafio natural. “Já vinha treinando algumas vezes no Pinheiros e no Judô Yamamoto. Fui bem recebido e acredito que a adaptação será rápida.”

Senseis citam dever cumprido e ficam na torcida

Para Diogo Rocha, responsável pela formação de André, a mudança representa orgulho e reconhecimento. “É um sentimento de dever cumprido. Ver um atleta criado no clube buscar o alto rendimento é gratificante. Agora fico na torcida para ver ele voar alto e, quem sabe, chegar a uma Olimpíada”, disse.

Sentimento semelhante é compartilhado pelo sensei Jorge Yamakawa, treinador de Mariana no Sakurá. “Ver uma atleta nossa buscar uma condição melhor é sinal de que o trabalho foi bem feito. Ela vai assinar o primeiro contrato profissional, e é isso que queremos para nossos atletas. Os atletas precisam buscar novos desafios. Isso faz parte da carreira”, afirmou.

Tanto o GNU quanto o Pinheiros são clubes que concentram nomes de destaque no judô nacional e internacional. No clube gaúcho, Mariana passa a conviver com atletas como Yuri Pereira, número 1 do ranking mundial cadete e prata no Mundial, e João Gabriel Santana, ouro no Sul-Americano Júnior.
No Pinheiros, André integra o ambiente de uma equipe que reúne medalhistas olímpicos na equipe sênior, como Beatriz Souza e Larissa Pimenta, além dos conterrâneos Rafael Silva, o “Baby”, nascido em Aquidauana, e a campo-grandense Alexia Nascimento, que representa o clube desde 2024.

Pontos a melhorar no judô estadual

Para Jorge, a saída faz parte do processo de crescimento do atleta, e aponta algumas deficiências em nível sul-mato-grossense. “Eu acho que o judô do nosso Estado ainda está passando por um processo de profissionalizar atletas e equipes, mas nós temos clubes muito bons, e isso ajuda muito para que o atleta seja bem visto.”

Diogo também avalia que, apesar dos avanços, o Estado ainda perde atletas para grandes centros. “Houve melhora no apoio público, mas ainda estamos atrás. Falta mais investimento da iniciativa privada. Mas acredito que estamos no caminho certo e logo estaremos mantendo nossos atletas aqui no estado”, finalizou.

 

Por Mellissa Ramos

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