Vendedores ambulantes se preparam para o Carnaval e cobram fiscalização para garantir renda

Foto: Fundação da Cultura
Foto: Fundação da Cultura

Fora a “concorrência clandestina”, comerciantes estimam superar vendas de 2025

O Carnaval representa uma das épocas mais importantes para o comércio de rua. Com a divulgação do edital de chamamento público pela Prefeitura de Campo Grande, comerciantes ambulantes começaram a se organizar para as vendas no período, que será realizado entre os dias 13 e 17 de fevereiro, na Esplanada Ferroviária. O documento, publicado no Diário Oficial nesta quarta-feira (21), regulamentou a seleção de vendedores não circulantes, em barracas e trailers/food trucks, e marcou o início do planejamento econômico de quem depende do evento para reforçar a renda no início do ano.

As inscrições encerraram na quinta-feira (22), foram feitas exclusivamente de forma online e sem custo. Ao todo, o edital prevê até 40 pontos fixos de venda, distribuídos entre alimentos e bebidas não alcoólicas (15 vagas) e bebidas alcoólicas e não alcoólicas (25 vagas). A seleção ocorre por sorteio público, agendado para 3 de fevereiro.

Para muitos ambulantes, o Carnaval representa uma das principais oportunidades de faturamento do ano. A vendedora Sara Rezende, que participa do sorteio com a barraca Bar da Flexx, afirma que a expectativa é superar os resultados de 2025, tanto em organização quanto em lucro. Segundo ela, a antecipação da data do Carnaval, que neste ano acontece no começo de fevereiro, favorece o consumo. “As expectativas para esse ano são ainda maiores. Como o Carnaval acontece no início do mês, isso ajuda bastante. A nossa meta é vender mais do que no ano passado”, relata.

Apesar do otimismo, a principal preocupação dos comerciantes que participam do edital segue sendo a concorrência com vendedores clandestinos. Sara destaca que, em edições anteriores, a falta de fiscalização prejudicou diretamente quem estava regularizado.

“Quem trabalha certinho acaba sendo lesado. A partir de certo horário, o controle se perde completamente e surgem pessoas vendendo com cooler, garrafa, em locais que não são oficiais. Isso afeta o faturamento e também a segurança”, afirma.

Outra vendedora, também participante do edital, avalia que a limitação no número de vagas pode favorecer aqueles que forem sorteados, ao reduzir a concorrência direta entre os autorizados. No entanto, ela reforça que, sem fiscalização efetiva, o problema se repete.

“Se não tem fiscalização, quem segue o edital acaba competindo com quem não é autorizado e vende mais barato, porque não teve investimento. Isso impacta muito nas vendas de quem está regularizado”, pontua.

Fiscalização
O edital estabelece regras claras, como a proibição da venda de bebidas em recipientes de vidro, horários definidos para comercialização e exigência de documentação sanitária. Ainda assim, segundo os ambulantes, o cumprimento dessas normas depende diretamente da atuação do poder público durante os dias de festa.

Os comerciantes reconhecem o papel da Fundac (Fundação Municipal de Cultura) na organização do processo seletivo, mas defendem uma atuação mais firme na fiscalização durante o evento. A expectativa para este ano é que, com a Associação de Comerciantes à frente da organização, haja maior controle. “A fiscalização não é só para proteger quem vende, mas também para garantir segurança para o público e evitar situações como crianças trabalhando no evento”, destaca Sara.

Para quem atua no comércio regularizado, o Carnaval vai além da festa, sendo uma engrenagem importante da economia local, capaz de gerar renda, movimentar fornecedores e sustentar famílias.

Por Gustavo Nascimento

 

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