Mesmo com leve queda no mês, custo dos alimentos básicos segue elevado e compromete 55% da renda do trabalhador na Capital
O custo da cesta básica em Campo Grande apresentou queda de 0,47% em dezembro de 2025, em comparação com novembro, encerrando o mês em R$ 775,90, segundo análise divulgada pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Apesar do recuo mensal, o valor ainda representa um peso significativo no orçamento das famílias, consumindo 55,26% do salário mínimo líquido de um trabalhador da Capital .
Na comparação com dezembro de 2024, a cesta básica em Campo Grande acumulou alta de 0,72%, mostrando que, embora haja oscilações pontuais, o custo dos alimentos segue pressionado ao longo do ano.
O levantamento mostra que Campo Grande está entre as dez capitais com a cesta básica mais cara do país, ocupando a sexta posição no ranking nacional, à frente de cidades como Curitiba, Goiânia e Brasília. O valor registrado na Capital sul-mato-grossense ficou abaixo apenas de São Paulo, Florianópolis, Rio de Janeiro, Cuiabá e Porto Alegre .
Horas de trabalho
De acordo com o DIEESE, em dezembro, o trabalhador de Campo Grande remunerado com um salário mínimo de R$ 1.518 precisou trabalhar 112 horas e 27 minutos para adquirir os itens da cesta básica. Embora esse tempo seja menor do que o registrado no mesmo período de 2024, quando eram necessárias mais de 120 horas, o comprometimento da renda segue elevado .
A análise do DIEESE indica que a queda mensal registrada em Campo Grande acompanha um movimento observado em parte das capitais brasileiras, impulsionado principalmente pela redução nos preços de itens como arroz, leite e açúcar. No entanto, o estudo alerta que fatores estruturais como custos de produção, exportações, clima e demanda externa, continuam influenciando os preços dos alimentos.
No supermercado: altas e quedas
Entre os produtos que ajudaram a reduzir o valor da cesta em dezembro estão o tomate (-12,54%), açúcar cristal (-5,32%), leite integral (-3,04%) e arroz agulhinha (-2,68%). Esses itens aliviaram parcialmente o orçamento das famílias no fim do ano.
Por outro lado, produtos importantes no consumo diário apresentaram alta, como a batata (10,87%), o feijão carioca (1,19%), a banana (1,13%), além do pão francês (0,73%) e do café em pó (0,84%), este último acumulando aumento expressivo de 41,06% em 12 meses na Capital.
Por Gustavo Nascimento