Mesmo após o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) autorizar o compartilhamento da denúncia do Ministério Público com a Câmara Municipal de Terenos, o presidente do Legislativo, o vereador, Leandro Caramalac (PSD), afirmou que a Casa ainda não foi oficialmente notificada sobre o envio do documento.
Ao Jornal O Estado, Caramalac disse que, até o momento, não há qualquer confirmação formal de que a cópia da denúncia já tenha sido encaminhada à Câmara.
“Ainda não tivemos acesso ao conteúdo e não fomos notificados formalmente sobre os fatos”, declarou.
A manifestação ocorre após publicação no Diário da Justiça Eletrônico na segunda-feira (19), em que o TJMS autoriza o compartilhamento dos elementos fáticos da Operação Spotless e a disponibilização à Câmara Municipal de Terenos de cópia da denúncia oferecida nos autos contra o prefeito afastado.
Segundo o presidente do Legislativo, a Câmara acompanha os desdobramentos do caso dentro dos limites institucionais. “Estamos acompanhando na medida do possível e iremos agir assim que tivermos acesso formal ao documento, sempre respeitando os princípios do contraditório e da ampla defesa”, afirmou.
Caramalac reforçou que, enquanto não houver notificação oficial, a Casa não pode se posicionar sobre eventuais providências.
“Por enquanto, nos resta aguardar e respeitar as decisões judiciais”, completou.
Prorrogação de Afastamento e Operação
O prefeito de Terenos, Henrique Wancura Budke (PSDB), permanece afastado por medidas cautelares após envolvimento no esquema de corrupção e fraudes em licitações. Budke chegou a ser preso preventivamente em setembro de 2025 durante a Operação Spotless, mas foi liberado em outubro mediante habeas corpus com tornozeleira eletrônica. No dia 7 de janeiro deste ano, a Justiça prorrogou as medidas cautelares por mais 90 dias, mantendo restrições enquanto o processo segue em tramitação.
A Operação Spotless, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), investiga um esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em licitações na Prefeitura de Terenos, que teria movimentado mais de R$ 15 milhões entre 2021 e 2024. Durante a ação, foram cumpridos 16 mandados de prisão e 59 de busca e apreensão, incluindo o afastamento do prefeito do cargo.
Por Brunna Paula