Capinagem ganha força no período chuvoso e ajuda no combate ao mosquito da dengue na Capital

Foto: Divulgação
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MS inicia ano com baixo número de testes positivos para dengue e especialista ressalta medidas adotadas

Com a intensificação das chuvas, a procura por serviços de capinagem e roçagem aumenta em Campo Grande. A atividade, essencial para a manutenção de quintais e terrenos, também exerce papel importante na prevenção de doenças, especialmente a dengue, ao reduzir locais propícios para a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

Há cerca de 30 anos atuando no setor, Gerson de Freitas relata que a demanda cresce consideravelmente entre os meses de novembro e março. “Nessa época de chuva, a procura é bastante. As pessoas gostam de limpar o quintal. Eu tenho bastante clientes que têm terrenos onde o mato cresce muito, aí eles pedem para roçar, para estar limpando”, explica.

Segundo Gerson, boa parte dos atendimentos ocorre em áreas periféricas e nas saídas da cidade, como as regiões da saída para São Paulo, Sidrolândia e Três Lagoas. Em média, ele atende entre 20 e 25 clientes por mês apenas para a limpeza periódica de terrenos.

Entre as queixas do empresário, está o crescimento acelerado da vegetação e o descarte irregular de resíduos. “Os vizinhos muitas das vezes não respeitam. Eles jogam lixo nos terrenos, como sofá velho, ou material que acumula água, aí há essa proliferação do mosquito da dengue. É terrível”, relata.

Ele também aponta dificuldades relacionadas ao funcionamento dos ecopontos municipais. Apesar de existirem unidades em regiões como Moreninha e Noroeste, há limitação na quantidade de resíduos aceitos. “Eles aceitam só um metro cúbico de mato ou galhos, e isso é muito pouco. Um metro cúbico você enche rapidinho. Se chegar com um pouquinho a mais, eles não deixam jogar”, afirma. Segundo Gerson, essa restrição acaba incentivando o descarte irregular em terrenos baldios e vias públicas.

Cenário epidemiológico da dengue

O alerta de Gerson ganha ainda mais importância diante do cenário epidemiológico da dengue em Mato Grosso do Sul. Em 2025, até o dia 22 de dezembro, de acordo com o Boletim Epidemiológico da SES (Secretaria Estadual de Saúde), foram registrados 14.171 casos prováveis da doença, com 8.430 confirmações. No período, 20 óbitos foram confirmados e outros nove seguem em investigação.

Apesar dos números elevados, o Estado apresentou queda em relação a 2024, quando foram registrados 19.403 casos prováveis, 16.229 confirmações e 32 mortes em decorrência das complicações da dengue. Em nível nacional, o Brasil também apresentou redução expressiva em 2025, com queda de 75% nos casos prováveis e de 72% dos óbitos em comparação ao ano anterior.

Segundo o infectologista Júlio Croda, os bons indicadores são resultados de duas estratégias aplicadas em Mato Grosso do Sul, os mosquitos Wolbachia e a vacinação. “A gente trouxe para Campo Grande a Wolbaquia, que é a bactéria que é introduzida no mosquito, e vem com essa metodologia desde 2021, soltando mais de 100 milhões de produtos e finalizou em dezembro de 2023. A gente tem um estudo que saiu no The Lancet Regional America que mostra que essa intervenção em Campo Grande reduziu 63% dos casos de dengue na cidade. E a outra intervenção que a gente iniciou em 2024 foi a vacinação em massa, em Dourados, onde aproximadamente 92 mil pessoas em Dourados tomaram a vacina Qdenga. Essas duas intervenções, nas duas maiores cidades do Mato Grosso do Sul, pode ter gerado um impacto positivo de redução de número de casos em 2024 e em 2025”, explicou.

O especialista ainda relembra que em 2024 foi pior ano de epidemia de dengue no Brasil, com mais de 6 milhões de casos, mais de 6 mil óbitos.

Vacina contra dengue

Paralelamente às ações de prevenção ambiental, o país avança na imunização contra a dengue. A cidade de Botucatu, no interior de São Paulo, será a primeira do Brasil a iniciar a vacinação com a Butantan-DV, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan. A imunização começa no domingo (18) e integra um estudo de impacto coordenado pelo Ministério da Saúde para avaliar a efetividade do imunizante em larga escala.

Botucatu foi escolhida por contar com estrutura adequada de saúde e histórico de campanhas de vacinação em massa. A meta é imunizar 90% da população entre 15 e 59 anos. Além de Botucatu, Maranguape (CE) também participará da estratégia de vacinação acelerada, com possibilidade de inclusão de Nova Lima (MG).

A Butantan-DV é a primeira vacina do mundo em dose única capaz de proteger contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Os dados do ensaio clínico de fase 3, com acompanhamento de cinco anos, apontaram 74,7% de eficácia geral, 91,6% contra dengue grave e 100% de proteção contra hospitalizações. O estudo envolveu mais de 16 mil voluntários em 14 estados brasileiros, com resultados publicados em revistas científicas internacionais.

O imunizante demonstrou segurança tanto em pessoas que já tiveram contato prévio com o vírus quanto naquelas sem infecção anterior. As reações adversas foram, em sua maioria, leves ou moderadas, como dor no local da aplicação, vermelhidão, manchas na pele, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos graves foram considerados raros.

O Ministério da Saúde assinou contrato para a aquisição das primeiras doses da vacina, que será ofertada exclusivamente pelo SUS a partir de 2026. O investimento inicial é de R$ 368 milhões para o fornecimento de 3,9 milhões de doses.

Recomendações

Apesar dos avanços com a vacina, especialistas reforçam que o combate ao Aedes aegypti depende de ações contínuas. Além da capinagem e da limpeza de terrenos, o Ministério da Saúde orienta medidas como o uso de telas em janelas e repelentes em áreas de transmissão, eliminação de recipientes que possam acumular água, vedação de caixas-d’água, limpeza de calhas, lajes e ralos, além do apoio às ações de prevenção realizadas pelos profissionais do SUS.

A combinação entre cuidado ambiental, conscientização da população e vacinação segue como principal estratégia para reduzir os impactos da dengue no país.

Por Inez Nazira

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