Com apreensão de carne imprópria, consumidores devem se atentar aos selos de inspeção nos produtos

Foto: divulgação
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Na quarta (14), açougue foi alvo de operação que apreendeu 2 toneladas de proteínas sem procedência

Em 2025, órgãos de fiscalização sanitária e relações de consumo realizaram ao menos cinco operações de apreensão de carnes impróprias para consumo, seja por armazenamento ou manipulação irregular ou pela falta de procedência do produto. Estes casos recentes chamam atenção para que a população fique atenta quanto à origem da carne, bem como os locais em que o produto é comercializado para evitar ingestão de produtos contaminados.

Ao jornal O Estado, o chefe de Serviço de Fiscalização da Alimento da Vigilância Sanitária Municipal, Guilherme Cardoso, orienta que para evitar o consumo de carne imprópria o comprador deve verificar se na embalagem do produto consta os selos SIF (Selo de Inspeção Federal), SIE (Selo de Inspeção Estadual) ou SEM (Selo de Inspeção Municipal). A presença desses marcadores significa que o produto passou pela devida fiscalização dos órgãos sanitários de todas as instâncias de poder.

“Quando a carne é vendida a vácuo, vendida exposta no freezer, você tem que verificar se ela tem um selo de inspeção sanitária. Precisa estar identificado como SIF, SIE ou SIM, que são os selos federal, estadual e municipal, o que comprova a procedência, ou seja, que o local de onde veio a carne foi fiscalizado por agentes sanitários”, explicou Guilherme.

Já nos casos em que a carne é vendida diretamente no açougue exposta em pedaços maiores, é importante que o consumidor verifique se o comércio possui licença sanitária para funcionamento.

“O local tem que estar com a licença sanitária em válida e exposta de maneira visível para o consumidor, porque ela atesta que agentes da Vigilância já estiveram no local e inspecionaram como é feita a manipulação do alimento”, completa.

Ainda segundo o chefe do Serviço de Fiscalização, nem todas as carnes impróprias para consumo apresentam características físicas diferentes de uma carne saudável. No entanto, é desaconselhável a ingestão de carnes com aspectos como cor ou cheiro diversos do habitual.

“Muitas vezes o cliente pode não saber identificar uma carne sem procedência, porque isso vai ser visto pelos selos de inspeção. Por outro lado, se a pessoa comprou uma carne que está com um cheiro desagradável ou com um aspecto ruim pode ser uma carne suspeita e não está adequada para o consumo”, disse.

Outra forma de evitar que as pessoas comprem carne contaminada ou que não passou pela devida inspeção é denunciar locais suspeitos, o que pode ser feito de forma anônima diretamente nos órgãos de fiscalização, como a Vigilância Sanitária ou Ouvidoria da SESAU (Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande).

“A partir da denúncia, encaminhamos uma equipe para o estabelecimento para verificar as condições do estabelecimento, especialmente a parte da desossa de carne e outras partes que o consumidor não tem acesso”, explicou.

O coordenador ainda alerta que o consumo de carne imprópria pode ocasionar doenças como tuberculose e brucelose, bem como infecções alimentares causadas por vírus e bactérias.

“Quando acontece também o caso de várias pessoas apresentarem sintomas relacionados à doença transmitida por alimentos, se caracteriza como surto alimentar, o que gera investigação das condições de manipulação e venda do alimento. Em todos os casos, dependendo dos sintomas que a pessoa tiver, é importante buscar ajuda médica”, conclui.

Apreensão em 2026
Na última quarta-feira (14), operação da Polícia Civil por meio da DECON (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo), em parceria com o Procon/MS (Secretaria Executiva de Orientação e Defesa do Consumidor), Vigilância Sanitária e o SIM (Serviço de Inspeção Municipal), resultou na apreensão e descarte de cerca de 2.200 quilos de carnes bovina, suína e frango em um supermercado localizado no Bairro Rita Vieira, em Campo Grande-MS.

Além de carnes impróprias para consumo, ainda foram encontradas falta de autorização para manipulação de alimentos, armazenamento inadequado e ausência de rastreabilidade, que seriam os selos de inspeção. De acordo com a polícia, parte da mercadoria estava guardada junto com produtos da padaria e haviam caixas de papelão no local, o que é uma prática irregular.

Segundo as investigações, a unidade recebia carnes desossadas na filial do Itamaracá, que não possui registro no Serviço de Inspeção Municipal, requisito obrigatório para manipulação de produtos de origem animal. O responsável técnico pelo açougue, um homem de 42 anos de idade, foi autuado em flagrante por crime contra as relações de consumo.

Fiscalizações apreenderam toneladas de alimentos irregulares em Campo Grande em 2025
Ao longo de 2025, ações conjuntas da Polícia Civil, Vigilância Sanitária, Procon, Iagro e órgãos de inspeção resultaram na apreensão de grandes quantidades de alimentos impróprios para consumo em Campo Grande. As operações revelaram um cenário recorrente de irregularidades sanitárias, falta de documentação, produtos sem origem comprovada e risco à saúde pública.

Em novembro, cerca de cinco toneladas de tilápia, avaliadas em R$ 126 mil, foram apreendidas após fiscalização identificar peixes sem nota fiscal e sem rotulagem adequada. A carga era transportada por um caminhão interceptado em um posto fiscal e seria descarregada em uma peixaria da região central, onde foi constatado que a rotulagem era feita no próprio estabelecimento, prática proibida por lei.

Um mês antes, outra peixaria localizada na Rua Rui Barbosa foi interditada após a apreensão de aproximadamente três toneladas de pescado. No local, os fiscais encontraram ambiente insalubre, forte odor, peixes armazenados de forma inadequada, produtos sem procedência, ausência de licença sanitária e até divergências de CNPJ. Consumidores já haviam denunciado irregularidades, como excesso de gelo para aumentar artificialmente o peso dos produtos.

Em agosto, a proprietária de um açougue no bairro São Jorge da Lagoa foi presa após a apreensão de 400 quilos de carne estragada. A fiscalização encontrou carnes vencidas, mau acondicionamento, suspeita de abate clandestino e até inseticida armazenado junto a insumos alimentares. O estabelecimento não possuía autorização dos órgãos de inspeção.

Ainda no mesmo mês, um restaurante de sushi foi interditado na região central da cidade após denúncias. A Vigilância Sanitária constatou condições precárias de higiene, armazenamento inadequado de alimentos, utensílios sujos, óleo reutilizado em más condições e ausência de estrutura mínima para funcionamento seguro.

Já em janeiro, o dono de um mercado no Jardim Itamaracá foi preso em flagrante após a apreensão de carnes vencidas, embutidos sem identificação, peixes sem selo de inspeção e 75 frascos de vacinas veterinárias armazenados irregularmente. Ao todo, foram recolhidos mais de uma tonelada de produtos de origem animal sem condições de consumo ou procedência legal.

Todos os alimentos apreendidos foram encaminhados para descarte. Os casos seguem sob investigação da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo, e os responsáveis devem responder por crimes contra as relações de consumo e infrações sanitárias.

Ana Clara Julião e Michelly Perez

 

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