Evento traz ao público experiências imersivas que conectam tradição e espiritualidade
O Sarau Círculo Encantado do Cerrado volta a reunir diferentes formas de expressão cultural e espiritual em um mesmo espaço. Marcado para o dia 17, a partir das 17h, o evento propõe uma experiência que combina arte, tradição e práticas ancestrais, incentivando a troca de saberes entre participantes de diferentes idades e interesses.
Idealizado por um coletivo ligado aos estudos da bruxaria e à preservação de saberes populares, o sarau busca fortalecer a conexão entre ancestralidade e contemporaneidade. A programação intercultural inclui oficinas de ervas e benzimentos, fitoterapia e fitoenergia, atividades recreativas para crianças, rodas de mantras, rezos e apresentações de danças árabes e ciganas, além de uma feira de produtos artesanais e saberes vivos.
O lançamento dos livros Roda dos 4 Elementos – A Bruxaria e a Encantaria Brasileira e Saberes Ancestrais, Bruxarias e Bruxarias Brasileiras, do autor e produtor do evento Kalebe Mazzine, integra a experiência, trazendo reflexões literárias que dialogam diretamente com as práticas culturais apresentadas durante o sarau. A iniciativa também conta com a participação de bruxas e praticantes de magia natural, ampliando a diversidade de perspectivas e vivências.
O evento acontece no Ateliê Ramona Rodrigues, em parceria com o Ateliê Kalebe Mazzine, e se apresenta como um espaço de celebração, aprendizagem e fortalecimento das raízes do Cerrado. Segundo Kalebe Mazzine, a proposta é criar um ambiente em que a comunidade possa circular, compartilhar conhecimentos e se conectar com a riqueza cultural e espiritual que atravessa o tempo e os territórios.
Programação
Para O Jornal O Estado, a programação do Sarau Círculo Encantado do Cerrado foi pensada para unir oficinas de ervas e benzimentos, danças, rezos, mantras e atividades infantis, promovendo a troca de saberes e a valorização da cultura ancestral.
“Logo no início teremos uma roda de conversa com herveiros e especialistas em remédios naturais, ensinando chás, banhos e benzimentos. Em seguida, faremos rezos e mantras com a cantora Chandra e os benzimentos, incluindo auto-benzimento e para as crianças, resgatando memórias afetivas e conhecimentos ancestrais”, explica Kalebe Mazzine.
O idealizador também conta que as oficinas de ervas e benzimentos do Sarau Círculo Encantado do Cerrado serão conduzidas de forma prática e acessível, reunindo herveiros e especialistas em saberes populares. O objetivo é criar um espaço de aprendizado respeitoso, em que os participantes possam vivenciar e aplicar técnicas de chás, banhos e remédios naturais, ao mesmo tempo em que resgatam tradições ancestrais.
“Meu livro Bruxarias e Bruxarias Brasileiras” é fruto de uma pesquisa de 10 anos, reunindo estudos acadêmicos, saberes populares e experiências com outros praticantes. A bruxaria, como caminho filosófico e ancestral, propõe reconexão com a natureza, com os ancestrais e com a própria Pachamama, a terra sagrada que nos conecta a todas as formas de vida”.
Entre os quatro elementos
O processo de escrita dos livros “Roda dos 4 Elementos – A Bruxaria e a Encantaria Brasileira” e “Saberes Ancestrais – Bruxarias e Bruxarias Brasileiras” se desenvolveu ao longo de vários anos, a partir das vivências do coletivo Círculo Encantado do Cerrado.
O autor explica que essas experiências incluem cursos e convivências presenciais imersivas de cinco meses, voltadas ao aprofundamento nos quatro elementos da natureza e à conexão com saberes da encantaria brasileira.
“Nos livros, o leitor encontra reflexões e práticas que envolvem a interação com os quatro elementos e com os encantados, seres da tradição indígena do nosso território, guardiões das matas, rios e medicinas tradicionais, que abrangem desde plantas e animais até entidades etéreas e ancestrais. São vivências que conectam conhecimento ancestral, espiritualidade e a riqueza da cultura brasileira”, explica.
A relevância de eventos como o Sarau Círculo Encantado do Cerrado para a preservação e valorização dos saberes ancestrais. Segundo ele, a iniciativa reforça a pluralidade cultural e a interculturalidade, criando espaços em que diferentes tradições podem coexistir e se fortalecer.
“A cultura não é estática; ela vive na diversidade de experiências, rituais e práticas que atravessam gerações. Eventos como o sarau permitem que essas raízes continuem vivas e acessíveis para todos”, detalha.
O produtor alerta ainda para os riscos de uma visão monocultural, que tende a homogeneizar experiências e conhecimentos. “Hoje, percebe-se uma tendência de reduzir a diversidade cultural a um único caminho ou uma única forma de ser e se relacionar com o mundo. Nosso objetivo é justamente o contrário: mostrar que há múltiplas formas de se conectar com a natureza, com os ancestrais e com a própria espiritualidade, mantendo viva a riqueza plural do Cerrado e das encantarias brasileiras”.
Mensagem ancestral
Segundo Kalebe, essas iniciativas fortalecem os núcleos familiares e comunitários, criando espaços de troca afetiva e colaboração entre artistas, feirantes e praticantes de saberes ancestrais.
“A produção cultural independente não se trata apenas de gerar produtos ou mercadorias, mas de fortalecer a comunidade, promover redes de apoio e tornar íntima a transmissão de conhecimentos tradicionais”, ressalta Kalebe. Ele reforça que, assim, também é possível valorizar a encantaria do Cerrado, muitas vezes menos conhecida em comparação com as tradições da Amazônia ou do litoral.
O produtor acredita que eventos como o sarau ajudam a resgatar e dar visibilidade às práticas culturais locais. “Aqui no Cerrado temos uma encantaria própria que precisa ser preservada, estudada e celebrada. Mostrar essa riqueza cultural é essencial para que ela continue viva e se perpetue”, afirma.
Kalebe finaliza ainda a mensagem que espera que o público leve consigo: “O sarau é um convite para valorizar nosso território, nossas raízes ancestrais e reconhecer que a cultura é viva. Queremos difundir arte, ancestralidade e tradição no nosso Cerrado, mostrando que somos produtores e guardiões dessa cultura”.
Serviço: O evento acontece no dia 17, a partir das 17h, no Ateliê Ramona Rodrigues, localizado na Rua 14 de Julho, 1431 – casa 3 – Centro. Os ingressos custam R$10 antecipado e R$25 na hora através do pix: 057 626 371 07 Walter Kalebe.
Amanda Ferreira