Além dos escorpiões, conheça outros animais peçonhentos que acendem alerta para a saúde em MS

Foto: Rogério Machado
Foto: Rogério Machado

Estado registra 52 casos de nas primeiras semanas de 2026, e biólogo alerta para prevenção e atendimento imediato

Altas temperaturas, chuvas e férias escolares são fatores que aumentam os riscos de acidentes com animais peçonhentos em Mato Grosso do Sul. Além dos escorpiões, abelhas, serpentes, aranhas e até lagartas estão entre os principais responsáveis pelas ocorrências registradas neste início de ano. Somente nas primeiras semanas de 2026, o Estado contabilizou 52 casos.

O cenário segue um padrão sazonal já conhecido pelas autoridades de saúde. Os meses de janeiro, fevereiro e março, marcados pelo verão, concentram grande parte das notificações, período em que esses animais se tornam mais ativos, ao mesmo tempo em que a população intensifica as atividades ao ar livre.

Ao O Estado, o biólogo e doutor em Ecologia e Conservação, José Milton Longo, esclarece dúvidas e explica sobre as principais espécies peçonhentas comuns no Estado. Segundo ele, as temperaturas elevadas aceleram os processos biológicos dos animais de sangue frio, como escorpiões, aranhas e serpentes, favorecendo sua reprodução, deslocamento e busca por alimento.

“O calor aumenta o metabolismo desses animais, tornando-os mais ativos e ampliando a chance de encontros com humanos. Além disso, muitas espécies têm seu período de reprodução coincidente com as estações mais quentes”, explica.

Principais espécies peçonhentas em MS
“Entre as serpentes mais comuns em Mato Grosso do Sul estão a jararaca comum (Bothrops jararaca), a jararaca-caiçaca (Bothrops moojeni) e a urutu-cruzeiro (Bothrops alternatus), que possui um dos venenos mais potentes entre as jararacas, é frequente em Campo Grande e costuma ser agressiva quando acuada”, explica o biólogo.

Segundo ele, na região pantaneira também é frequente a jararaca-boca-de-sapo (Bothrops mattogrossensis). “É uma serpente peçonhenta bastante comum no Pantanal e em áreas próximas, o que exige atenção redobrada de moradores e turistas”, alerta.

O especialista destaca que não são apenas as serpentes que preocupam. “Outros animais responsáveis por acidentes no Estado são as lagartas e aranhas, além das abelhas e vespas, especialmente nesta época do ano”, afirma.

Em relação às taturanas, ele faz um alerta especial. “A taturana, também conhecida como mandruvá ou lagarta-de-fogo, é a fase larval de borboletas e mariposas. Elas possuem cerdas urticantes que liberam veneno ao simples contato com a pele, podendo causar queimaduras e irritação”, detalha.

“Algumas espécies são extremamente perigosas, como a Lonomia obliqua, conhecida como ‘taturana assassina’. O contato pode provocar hemorragias, insuficiência renal e até levar à morte”, completa.

Entre as aranhas, o risco também é significativo. “Merecem destaque a aranha-marrom (Loxosceles spp.), conhecida pela picada necrosante; a armadeira (Phoneutria spp.), que é agressiva e possui veneno neurotóxico; além da caranguejeira e da aranha-de-jardim, espécies amplamente distribuídas e comuns em Mato Grosso do Sul”, pontua o biólogo.

Outro ponto de atenção são as abelhas e vespas, especialmente no período de calor e chuvas. “As picadas podem provocar dor intensa e, em algumas pessoas, reações alérgicas graves. Cerca de 3% da população é alérgica ao veneno das abelhas e pode desenvolver reações anafiláticas, o que exige atendimento médico imediato”, alerta o biólogo.

Acidentes crescem 32% no Estado
Em 2024, foram registradas 6.361 notificações, número que subiu para 8.373 em 2025. Em 2026, apenas nas primeiras semanas do ano, já são 52 casos confirmados.

Entre 2020 e 2025, o Estado registrou 31 óbitos por acidentes com animais peçonhentos, segundo dados da SES (Secretaria de Estado de Saúde). Os municípios com maior número de notificações são Campo Grande, Três Lagoas e Dourados.

No mesmo período, foram registrados 33 casos graves de escorpionismo, sendo 20 em crianças menores de 10 anos, o que representa 60% dos casos graves. Todos os óbitos por escorpião registrados entre 2020 e 2025 ocorreram em crianças abaixo dessa faixa etária.

Atendimento e orientação
De acordo com a SES, o SUS (Sistema Único de Saúde) oferece tratamento integral e gratuito para acidentes com animais peçonhentos, com a disponibilização de soros antivenenos específicos, como antiofídicos e antiescorpiônicos. O soro é o principal tratamento e deve ser administrado em ambiente hospitalar, além de cuidados sintomáticos e monitoramento do paciente.

O que não fazer em caso de picada
Em casos de acidentes com animais peçonhentos, não se deve:
-Fazer torniquete ou garrote
-Sugar o local da picada
-Cortar ou perfurar a região afetada
-Aplicar álcool, pó de café, folhas ou outras substâncias caseiras
-Ingerir bebidas alcoólicas, querosene ou outros tóxicos

A orientação é lavar o local apenas com água ou água e sabão e procurar atendimento médico imediatamente. Se possível, o animal deve ser levado para identificação.

Em Campo Grande, a população também pode procurar o Civitox (Centro Integrado de Vigilância Toxicológica) pelo telefone (67) 3386-8655 para orientações.

Por Geane Beserra

 

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