Homem de 36 anos, identificado como Maicon José Rodrigues de Souza, foi preso pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar nesta sexta-feira (9), após se envolvendo em ocorrências registradas como estupro de vulnerável contra uma criança de 9 anos e importunação sexual contra uma adolescente de 17 anos, em Campo Grande. Os casos aconteceram na região do bairro Coronel Antonino e geraram forte repercussão, após imagens circularem nas redes sociais, o que contribuiu para a identificação do suspeito.
De acordo com o major Cleiton, do Batalhão de Choque, as ocorrências aconteceram no mesmo dia e seguiram um padrão. “Foi uma situação que gerou grande comoção social. Tivemos duas ocorrências no mesmo dia, além de informações sobre fatos semelhantes, com o mesmo autor, em datas anteriores”, explicou.
Nessas ocasiões, segundo a Polícia Militar, o suspeito usava o horário de almoço para cometer os crimes. “O suspeito abordou uma criança de 9 anos que andava de bicicleta em frente à residência. Utilizando capacete e motocicleta, ele fez perguntas inadequadas e tentou contato físico, mas a criança reagiu e conseguiu fugir. O caso foi registrado por câmeras de segurança e divulgado pela família”, detalhou.
Pouco tempo depois, ainda na mesma região, o homem abordou uma adolescente de 17 anos. “Ele fez comentários inapropriados e praticou conduta inadequada em via pública, levando a vítima a pedir ajuda. O episódio também foi registrado e compartilhado. A partir dessas imagens, percebemos que ele repetiria esse tipo de comportamento sempre que tivesse oportunidade. Por isso, direcionamos todos os esforços do Batalhão de Choque para localizá-lo”, afirmou o major.
Durante as diligências, os policiais constataram que a placa da motocicleta utilizada estava com a placa parcialmente coberta, adulterada com fita isolante para dificultar a identificação. Com apoio do setor de inteligência, foi possível chegar ao local de trabalho do suspeito, uma empresa do ramo automotivo.
No endereço, a equipe da ROCAM (Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas) encontrou a motocicleta, o capacete, já sem os adesivos vistos nas imagens, e a camiseta usada no dia das ocorrências, que havia sido descartada. Durante a abordagem, o homem admitiu os fatos e confirmou que tentou descaracterizar os objetos para não ser reconhecido.
Diante das evidências reunidas, foi dada voz de prisão ao suspeito pelos crimes de estupro de vulnerável e importunação sexual. Os fatos foram formalizados no boletim de ocorrência, registrado na DPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente). A motocicleta, o capacete e a fita adesiva foram apreendidos e encaminhados à CEPOL, como instrumentos relacionados às ocorrências. O homem permanece à disposição da Justiça.
“A participação da comunidade e a divulgação responsável dessas informações foram fundamentais. A divulgação dessas imagens ajudou muito”, reforçou o major Cleyton.
Histórico do suspeito
Ainda conforme a polícia, o suspeito havia deixado o sistema prisional em novembro de 2025, após cumprir pena por ocorrências semelhantes registradas em anos anteriores. Ele cumpria pena desde 2017, após ser denunciado por duas mulheres, uma de aproximadamente 40 anos e outra de 25 anos.
“Em 2016, ele havia cometido um crime semelhante. Ele parava na frente do estabelecimento e se masturbava para as pessoas que estavam passando. Uma denunciante, mulher de 42 anos, afirmou que ele chamou ela no carro e mostrou a cena. Já em 2017, no meio da rua, ele se masturbou e foi para cima de uma mulher de 25 anos, tentou agarrá-la, na vestimenta dela ficou o sêmen do autor. Com essas denuncias, ele ficou preso durante todo esse período pelo crime de estupro”
No momento da prisão, ele estava em regime domiciliar, sob monitoramento por tornozeleira eletrônica. O major explica que o episódio recente foi premeditado e existia um padrão de atuação. O padrão dele é sempre a atuação no horário de almoço. Então ele saía para o horário de almoço dele, em vez de ele de almoçar, ele fazia essa circulação para poder fazer essa impurtunação sexual ou essa tentativa de estupro”.
A Polícia Militar não descarta a possibilidade de outras vítimas. Além dos casos registrados no mesmo dia, a polícia apura se há outra ocorrência. “Muitas pessoas passam por situações assim e têm receio de denunciar. Se alguém passou por situação semelhante, é importante procurar a delegacia para que os fatos sejam devidamente apurados”.
Inez Nazira