Estação Cultural CIA. Teatro do Mundo comemora três anos com música e poesia

Foto: Bruna Carvalho/Divulgação/ Leandro Benites/Divulgação
Foto: Bruna Carvalho/Divulgação/ Leandro Benites/Divulgação

Mais artistas de peso se reúnem nesse sábado em prol da arte e solidariedade

A Cia Teatro do Mundo celebra este mês três anos de existência em Campo Grande e para celebrar a sua trajetória, a companhia realiza neste sábado (10), a apresentação ‘Todos os Violões e Vozes do Mundo – Viva a Estação Cultural Teatro do Mundo’, reunindo nomes de peso de Mato Grosso do Sul como Paulo Simões, Geraldo Espíndola, Renata Sena.

São três anos provocando encontros, abrigando ideias e sustentando sonhos baseados na arte, teatro e cultura, com centenas de ações, oficinas e apresentações, feitas de forma independente, com atuação intensa no Estado.

Será uma noite, para cantar, ouvir, agradecer e colaborar, e todas a renda será destinada à manutenção da Estação. Os artistas convidados são: Marta Cel, Maria Alice, Manu Kavallari, Davi Kavallari (vencedor do Fesmorena 2025), Gilson Espíndola, Celito Espíndola, Pedro Espíndola, Renata Cena, Maria Claudia, Marcos Mendes, Guto Colatto, Begèt de Lucena e Paulo Simões.

Para o Jornal O Estado, o diretor Fernando Lopes comentou que a primeira iniciativa de 2026 da companhia surgiu de uma urgência concreta, mas se tornou um gesto coletivo de força e reconhecimento.
“Finalizei o ano com uma dívida enorme por conta do telhado, que o temporal quase arrancou, então resolvi fazer esse show, que pra mim foi uma surpresa”, contou. Segundo ele, a adesão espontânea dos artistas foi decisiva: “Todo mundo atendeu. Quem não vai participar é porque está viajando, mas com muita vontade de estar junto”. Para o diretor, esse movimento evidenciou o vínculo da classe artística com o espaço. “Foi como um apadrinhamento mesmo. Eu entendi que os músicos e artistas entendem o grande valor da Estação Cultural Teatro do Mundo”, afirmou.

Do ponto de vista artístico e político, o gesto simboliza a consolidação de um espaço independente que resiste e se fortalece. “A Estação entra no quarto ano demonstrando a sua força e importância”, destacou Fernando, ao ressaltar o caráter do encontro como um raro momento de convergência de talentos da música local. Ele defende que Campo Grande necessita de um espaço com essa dimensão simbólica e estrutural. “Uma cidade como essa precisa de um espaço independente com essa capacidade, com essa beleza arquitetônica e com a possibilidade de abarcar cinema, artes visuais, dança, teatro e música”, disse. Para ele, a resposta do público confirma essa necessidade: “O público está comprando ingresso, está interessado em ajudar. Isso é muito valoroso. Do ponto de vista artístico, a gente está provando para nós mesmos e para a cidade a grande importância e a necessidade de defender esse espaço”.

Ao explicar a escolha pelo formato coletivo do espetáculo “Todos os Violões e Vozes do Mundo”, Fernando Lopes destacou que a proposta dialoga diretamente com a essência da Estação Cultural Teatro do Mundo. Para ele, um espaço cultural só cumpre plenamente seu papel quando é capaz de acolher a diversidade artística da cidade. “Um espaço de cultura tem que ter a capacidade de receber a diversidade da produção artística da sua cidade. Nós temos grandes pintores, grandes músicos, dançarinos, atores, grupos de teatro e cineastas que precisam ser celebrados”, afirmou. Segundo o diretor, a Estação nasce justamente dessa vocação de encontro e valorização dos artistas, vivos ou não, que constroem a memória e a identidade cultural local.

Fernando também ressaltou que o espírito colaborativo do evento reflete uma visão de mundo baseada na convivência e na troca. “Eu entendo muito bem a interdependência. Eu não estou sozinho. Mais do que independente, a gente é interdependente”, disse. Para ele, o espetáculo se transformou naturalmente em uma celebração coletiva, marcando o início de um novo ciclo. “Esse show virou uma festa, uma festa de início de ano”, definiu, ao lembrar que, se no fim do ano a Estação se despede de um ciclo, agora o objetivo é celebrar o que começa. “A gente precisa desse encontro sempre”, concluiu, reforçando o caráter afetivo e simbólico da iniciativa em um momento que, segundo ele, “vai precisar de toda a humanidade”.

Arte com entraves

Sustentar e manter um espaço cultural independente, não é tarefa fácil, segundo Fernando. “A gente tem um custo operacional alto. Às vezes parece pouco, mas 14 mil reais por mês, para um projeto dessa magnitude, é barato no papel e muito pesado na prática, ainda mais sendo independente”, explicou. Segundo ele, apesar de buscar alternativas como a Lei Rouanet e editais de manutenção, a realidade cotidiana ainda exige soluções imediatas. “Só o aluguel ali é 6 mil reais. Então eu tenho que inventar coisas todos os meses para manter a casa aberta”, afirmou, destacando que o evento beneficente ajuda a cobrir grande parte das despesas de janeiro.

Fernando ressaltou que, ao longo de três anos, a Estação construiu um histórico sólido que legitima o diálogo com possíveis patrocinadores. “Foram mais de 400 eventos nesses três anos. A gente já provou a importância da Estação, já tem experiência e comprovação”, disse. Para ele, o apoio ideal vem de parceiros que compartilhem valores. “Eu prefiro um empresário que queira estar junto de um projeto importante, não só para colocar a marca, mas porque entende que isso é importante para ele, para a família dele e para a cidade”, pontuou, ao reforçar que o objetivo vai além da sobrevivência imediata.

Ao projetar o futuro, o diretor deixou claro que a luta é contínua e coletiva. “Meu objetivo sempre foi o mesmo: manter a casa aberta, depois em pleno funcionamento e, por fim, sustentável”, afirmou. Entre os sonhos, estão ampliar a presença do teatro, criar um festival de cenas curtas, fortalecer o cinema de rua, receber mais grupos de dança e estruturar melhor o palco. “Para atingir esse terceiro objetivo, a gente vai ter que lutar bastante ainda. Todos nós”, disse, ao convocar artistas e público.

Serviço: A apresentação ‘Todos os Violões e Vozes do Mundo – Viva a Estação Cultural Teatro do Mundo’ será neste sábado (10), às 19, na Estação Cultural Teatro do Mundo. Mais informações e ingressos podem ser adquiridos por meio das redes sociais da companhia.

 

Por Carolina Rampi

 

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