Mato Grosso do Sul fecha 2025 com 39 feminicídios; desde criação da lei, 379 mulheres foram mortas

Foto: Nilson Figueiredo
Foto: Nilson Figueiredo

Número de vítimas no ano é o terceiro maior da série histórica e supera o total registrado em 2024

Mato Grosso do Sul encerrou o ano de 2025 com 39 casos de feminicídio, segundo levantamento feito pelo Jornal O Estado, com base em dados da Polícia Civil. O número representa um aumento em relação a 2024, quando o Estado registrou 35 mortes de mulheres em contexto de violência de gênero.

Até o dia 10 de novembro, data do levantamento, o total era de 36 vítimas, mas outros três casos foram confirmados nas semanas finais do ano, consolidando 2025 como um dos períodos mais violentos desde a tipificação do crime no Brasil.

Os últimos feminicídios do ano ocorreram entre novembro e dezembro. Em Dourados, a ex-guarda municipal Alliene Nunes Barbosa, de 50 anos, foi assassinada com 23 facadas dentro de casa pelo ex-marido, preso em flagrante horas depois. O crime marcou o 37º feminicídio do ano no Estado.

Já em dezembro, Campo Grande registrou o assassinato de Angela Nayhara Guimarães Gugel, de 53 anos, morta a facadas pelo marido dentro da residência da família, no bairro Taveirópolis. A filha do casal presenciou o crime e ficou ferida ao tentar defender a mãe. Poucos dias depois, Aline Barreto da Silva, de 33 anos, morreu após ser atacada com golpes de faca pelo marido em Ribas do Rio Pardo. O caso é investigado como feminicídio no contexto de violência doméstica.

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Série histórica

O crime de feminicídio foi tipificado no Brasil em 9 de março de 2015, com a sanção da Lei nº 13.104, que alterou o Código Penal para incluir a morte de mulheres por razões de gênero como qualificadora do homicídio e classificá-la como crime hediondo.

Desde então, Mato Grosso do Sul contabiliza 379 vítimas de feminicídio, somando os registros de 2015 até o fechamento de 2025. Os anos mais letais da série histórica foram 2022, com 44 mortes, e 2020, com 41. O menor número foi registrado em 2015, primeiro ano da tipificação, com 18 casos.

A Polícia Civil reforça que denúncias de ameaças, agressões e situações de risco podem ser feitas nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) e pelo telefone 190.

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