26 fevereiro 2021, 21:24
Foto: Reprodução

‘Nomalland’ é uma aposta e tanto para o Oscar 2021

Os road movies geralmente tratam a vida com uma certa sensibilidade, o roteiro permite entrar em vários subtemas, que enriquecem cada vez que lembramos, refletimos e escrevemos sobre essas obras. E como o fato daquela história estar em movimento tem um efeito em nós, e que precisamos nos conectar com outros momentos da vida para compreender todas as nuances daquela história. “Nomadland – 2020” é o mais novo filme de Chloé Zhao que estreou no último dia 30 e traz uma linguagem quase que documental na história de Fern, vivida por Frances McDormand.

Um dos filmes cotados para temporada de premiações e que pode chegar ao Oscar com ótimas atuações, direção e uma fotografia lindíssima. Fern é uma mulher destemida que resolve viajar de cidade em cidade trabalhando depois do colapso do lugar onde vivia. Ao longo do caminho ela vai percebendo que a vida na estrada é difícil, mas traz grandes recompensas que valem a pena. Os momentos em Nomadland são tratados de maneira íntima pelo fato da protagonista sentir uma angústia em cada lugar que passa.

Angústia que é muito bem interpretada por Frances, que é uma brilhante atriz, e certamente estará nas premiações da categoria de melhor atriz. Mesmo que ela trabalhe com esse sentimento em background tem muita vontade na personagem. Vontade de aprender, continuar em frente e mesmo que não tenha sentido ou que seja caótico demais Fern vê um passo além. 

Algumas pessoas que participaram do filme não são atores e mesmo assim entregam diálogos muito relevantes para construção da personagem que sai de uma vida um tanto segura e ruma ao desconhecido. Nomadland é baseado no livro “Nomadland: Surviving America in the Twenty-First Century” escrito por Jessica Bruder e lançado em 2017. Era um tanto obscuro e deve, sim, ganhar versões em português e ser lançado ainda este ano. 

A condução deste filme é muito sutil, às vezes parece que alguma cena simplesmente aconteceu e foi aproveitada na pós. Tanto que esse tom documental não é apenas proposital como ajuda a dar importância para Fern, essa pessoa misteriosa e cheia de sentimentos que está num daqueles momentos da vida que nos sentimos quebrados. Em vários momentos do filme dá vontade de ir até a tela e abraçá-la por ter uma conexão grande com a gente.

(Confira mais na página C2 da versão digital do jornal O Estado)

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