26 fevereiro 2021, 19:59
Foto: Acervo Pessoal

Bichinhos neuróticos podem tomar remédio controlado

O estresse no pet tem inúmeras causas, mas, na rotina, destaca-se as situações que privam o animal de expressar o seu comportamento

Quem tem um cachorro ansioso sabe que sair de casa é um momento delicado. As manifestações comportamentais como latido e choro incessantes não são as únicas preocupações. O estresse no pet tem inúmeras causas, mas, na rotina, destaca-se as situações que privam o animal de expressar o seu comportamento. Para evitar essas atitudes, alguns bichinhos precisam apelar para os remédios controlados. 

De acordo com a professor do curso de Medicina Veterinária da Anhanguera Dourados, Thiago Lima de Almeida, as doenças neurológicas, ortopédicas e oncológicas são as que mais necessitam de protocolos com medicamentos controlados. 

“Podemos citar a epilepsia, doenças dos discos intervertebrais na coluna vertebral, conhecidas como bico de papagaio, além disso tumores benignos e cânceres. De forma geral, todas as raças são predispostas para esse conjunto de doenças, como por exemplo, as ortopédicas crônicas em cães condrodistróficos, o Dachsund, conhecido popularmente como os salsichas”, explica o docente. 

Segundo o especialista, cães de raças grandes precisam de um espaço amplo para o seu bem-estar. O confinamento ou locais pequenos podem gerar estresse e até o processo de “somatização” com doenças de pele, como por exemplo, lambeduras excessivas ou automutilação. 

“Conhecer previamente a espécie e raça do seu pet, analisar se o espaço físico é adequado ao novo lar, promover o enriquecimento ambiental com brinquedos e atrativos físicos, brincar e passear com o pet frequentemente ajudam a diminuir o estresse dos animais”, revela Thiago. 

O veterinário ressalta que em muitas situações o comportamento dos tutores também recai sobre os bichinhos. “A ausência constante e prolongada do lar pode gerar estresse no pet. Rotineiramente, tutores que mudam a rotina diária sofrem com problemas comportamentais dos seus cães e gatos”, conclui. 

Mel, a poodle agressiva 

Mel é uma poodle de 7 anos que pertence a família do estudante Bruno Luiz Canavarro Dias, 25 anos. Estressada, agressiva e raivosa, Mel foi diagnosticada com ansiedade e estresse, tendo que fazer uso de remédios homeopáticos para o resto de sua vida. 

Bruno lembra que no começo, Mel se lambia desesperadamente, resultando em diversas feridas pelo corpo e os ataques de raivas tornaram-se frequentes com outras pessoas. “Ela se irritava com muita facilidade, fosse com o carteiro que batia a porta, criança a jogar bola na rua ou uma moto que passava. Até então focada em estranhos, se transferiu inclusive para conhecidos”, comenta. 

O estudante divide o quarto com a irmã de 21 anos, uma pessoa que sempre esteve presente na vida da Mel e toda vez que ela entra no quarto para trocar de roupa após o banho, é uma loucura. “A Mel não gosta que ninguém chegue perto de mim, mas também não gosta que ninguém olhe para ela sem que ela queira, é bater o olho nela que ela começa a rosnar e vai para cima”, expõe. 

Por conta das feridas que apareciam no corpo da cachorrinha, Mel sempre foi ao veterinário em busca de uma solução. O diagnóstico foi de dermatite, a responsável pelas lambidas incansáveis. “Mas a dermatite pode ser um buraco sem fundo, que é o caso da Mel, pois durante esses sete anos não descobrimos o que, de fato, causa essa alergia em sua pele. O processo é estar em mudanças constantes, eliminando os possíveis vilões, desde o shampoo que ela utiliza no banho, a ração que ela consome até o produto de limpeza que utilizamos em casa”, evidencia. 

O remédio que Mel toma é um spray, de nome Anizen, a medicação é borrifada três vezes ao dia em sua mucosa bucal. “Ela possui picos de estabilidade e outros de agressividade. Certos cenários e situações ainda a estressam muito, mas por ser um remédio homeopático é sabido que não faz milagre. O tratamento é a longo prazo e as melhoras demoram.

(Bruna Marques)

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