24 fevereiro 2021, 16:30

“Spree”: o quanto o entretenimento pode se tornar nocivo?

Imagine só os críticos dos anos 1960 – na época de ouro do cinema – assistindo a filmes do novo milênio. Filmes que nem sequer parecem obras para salas de cinema. São gravações de tela de celulares ou computadores. A reação giraria em torno do espanto com pitadas de desapontamento. “Spree – 2020” vem para acrescentar no estilo ‘mockumentary’, que são os pseudodocumentários. Se é que podemos classificar assim, já que o filme é uma gravação de Apps famosos, como Tik Tok, Instagram e, até mesmo, o falecido Vine. 

O terror é bem consolidado nos moldes narrativos e na forma como é concebido, tanto que grandes franquias hoje em dia se dão bem nas bilheterias e até mesmo ganham ótimas avaliações em agregadores de crítica por prezar pela simplicidade e também por seguir os padrões clássicos do gênero. Um marco muito importante foi “Holocausto Canibal – 1980”, que ajudou a disseminar esse estilo de filmagem que se assemelha muito a um documentário. Sempre usa aquela velha patacoada de que as fitas foram encontradas e deram origem ao tal filme.

Hoje em dia, sabemos que tudo isso é parte do marketing da produção. Às vezes, vão longe demais, como no caso do próprio “Holocausto Canibal”, onde o diretor Ruggero Deodato quase chegou a ser preso por conta do “sumiço” da equipe de filmagem. Em “Spree”, temos um dos melhores usos de uma falsa captura de aplicativos e sites da internet superando “Buscando… – 2018”. Esse recurso traz um uso inteligente de capturas para legitimar a narrativa. 

Temos Joe Keery vivendo um jovem obcecado por fama e produzir vídeos regulares sobre sua vida pacata e postar na internet. O tal Kurt está há dez anos tentando fazer sucesso na internet com seu canal Kurt’s World. Ele decide começar a dirigir para o aplicativo de corridas “Spree”. Em seu carro, ele instala câmeras em todas janelas e nos fundos para compartilhar com seus inscritos todas as viagens ao longo do dia. De forma premeditada, o garoto mata alguns de seus passageiros e transmite como um entretenimento até perceber que não teve êxito em conseguir novas visualizações. 

O jeito é assassinar figuras relevantes na internet colocando em prática a #Alição. O filme é dirigido por Eugene Kotlyarenko, um cineasta ucraniano muito competente no quesito criar situações inusitadas sem deixar a peteca cair. E tudo isso nesse formato um tanto batido e que pode cansar já nas primeiras investidas e sucessos de Kurt. Além do processo ter contato com muito improviso do Joe Keery, o ator tem a missão de gravar longos takes com uma energia contagiante ao mesmo tempo que segura o fator surpresa muito bem.

(Confira mais na página C2 da versão digital do jornal O Estado)

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