5 dezembro 2020, 20:25
Foto/Valentin Manieri

Na Capital, 1 em cada 4 eleitores deixou de ir às urnas

Muito mais que o medo da pandemia, o descrédito com o cenário político e a falta de empatia com candidatos podem ser alguns pontos que levaram Campo Grande a bater recorde de abstenções nas eleições municipais nesse domingo (15).

Segundo os dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foi a maior ausência de votantes em mais de 25 anos, um total de 154.003. O número equivale a 25,14% dos 612.487 votantes na Capital.

Na média, um em cada quatro eleitores da Capital deixou de ir às urnas. Ao todo, 458.484 votantes participaram das eleições este ano em Campo Grande. Destes, 415.421 depositaram seus votos em candidatos concorrentes – ou seja, votos válidos.

O índice supera os 19,2% de abstenção das eleições municipais anteriores, em 2016. A taxa é superior também à de 1996, quando 18,27% dos eleitores não foram às urnas.

Conhecedor de Campo Grande desde que estudou a gestão do antecessor de Marquinhos Trad, Alcides Bernal, o professor Fernando Luiz Abrucio, chefe do Departamento de Gestão Pública da Fundação Getulio Vargas, desacredita que as razões para o número de abstenções chegarem a esse patamar possam ser creditadas exclusivamente à COVID-19.

“Se olharmos de um ponto de vista estratégico, a baixa aprovação do governo de Jair Bolsonaro, que foi a esperança de muita gente depois do descrédito geral na causa política, não apaziguou essa situação. Pelo contrário, pode ter deixado uma série ainda maior de pessoas sem vontade alguma de votar”, disse.

Em um olhar local, Abrucio completou apontando que o eleitor pode ter visto o pleito como decidido. “Marquinhos tinha ampla vantagem nas pesquisas, já havia tendência de que ninguém levaria a disputa para o segundo turno. As pessoas podem simplesmente terem perdido o interesse em ir votar por acharem que seu voto era inútil contra o atual prefeito”, disse.

Coordenador de Gestão e Políticas Públicas do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), o economista André Luiz Marques é categórico ao apontar o óbvio: as pessoas perderam o medo de não ir votar.

(Texto: Rafael Ribeiro)

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